Correio de Carajás

Síndrome do Desgaste Profissional

Coluna Dr. Nagilson

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Nagilson Amoury

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O termo, Síndrome do Desgaste Profissional ou Síndrome de Burnout, foi criado pelo psiquiatra inglês Herbert Freundenberg no ano 1974, quando observava o intenso desgaste físico e emocional dos profissionais que trabalhavam na recuperação de dependentes químicos.

A profissão médica tem se tornado estressante atualmente em virtude de várias situações. Nesse período que estamos vivendo a pandemia do Covid 19, comumente evidenciam-se muitos profissionais esgotados emocionalmente. A luta pela vida, a ideologização da medicina, o conflito entre a bioética e temor jurídico, todos contribuem de alguma forma, atualmente, para o desgaste profissional.

A Síndrome de Burnout, se traduz em exaustão e diminuição do interesse pelo trabalho, que são considerados sintomas típicos do desgaste profissional. A doença se traduz como um tipo de estresse ocupacional com predileção por profissionais que lidam diariamente com pessoas.

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O termo “burnout” significa combustão completa e descreve o estado de profundo desgaste profissional a que são afetados trabalhadores muito dedicados, geralmente exigentes e com mania de perfeição. Ocorre geralmente quando a atividade é de ajuda e acometem principalmente médicos, enfermeiros, professores, controladores de tráfego, taxistas e agentes penitenciários.

Obrigatoriamente quando se chega o domingo à noite, o portador da síndrome sofre por antecedência. Ele não consegue dormir ao lembrar que terá mais um dia ou uma semana de trabalho pela frente. Os primeiros sintomas a surgir são coração acelerado, suor frio, ansiedade e irritação constante.  A medida inicial a ser tomada é de afastar o profissional do seu ambiente de trabalho, bem como passar em consulta com psiquiatra e ou psicólogo.

A Síndrome de Burnout é definida como uma das consequências mais marcantes do estresse profissional. E se caracteriza pela exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade em relação a quase tudo e a todos, até mesmo como defesa emocional. Geralmente são incorporados sentimentos de fracasso.

Os seus indicadores, segundo Cassandra Silveira, são cansaço emocional, despersonalização e a falta de realização pessoal. Assim, todas as pessoas que lidam com insatisfação frequente na vida profissional, estão sujeitas a adquirir a síndrome de Burnout. Tem incidência maior entre as mulheres, devido à dupla carga de trabalho nas tarefas profissionais e familiares. Em relação ao estado civil é mais comum nas pessoas sem parceiro estável.

Os sintomas são variados e seguem, desde as manifestações emocionais, como baixa autoestima, perda de motivação, sentimentos de fracasso, até alterações comportamentais, como queda no rendimento, comportamento paranoico e aumento no consumo de álcool, café e remédios.

O quadro evolutivo da Síndrome tem quatro níveis de manifestação. O primeiro, passa pela falta de vontade, de ânimo ou de prazer em ir trabalhar. O segundo nível inicia com a deterioração dos relacionamentos, também pode desenvolver sensação de perseguição. No terceiro nível, observa-se o surgimento de doenças psicossomáticas como alergias, psoríase, picos de hipertensão arterial. Nesse nível há um aumento da ingestão alcóolica. O quarto nível caracteriza-se por alcoolismo, e tentativas de suicídio. Podem servir de gatilhos no surgimento de doenças mais graves como câncer e acidentes cardiovasculares.

Uma das medidas importantes para prevenir a Síndrome de Burnout, de acordo com o médico, é a implantação de adequações para que o chamado novo normal funcione tanto agora quanto depois da pandemia.

 

* O autor é especialista em cirurgia geral e saúde digestiva.

         

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