Correio de Carajás

Sindecomar: Diretores denunciam presidente e falam em assédio moral

RACHA NO SINDICATO

Diretores do Sindecomar questionam decisões e atitudes do presidente da entidade/ Fotos: Evangelista Rocha
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O Portal Correio de Carajás recebeu uma série de denúncias em desfavor do atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Marabá (Sindecomar), Márcio Alves. Dentre as diversas acusações relatadas, constam que Alves teria expulsado alguns diretores executivos da sede do sindicato em 14 de outubro, trocando inclusive fechaduras das salas e impedindo algumas pessoas de trabalhar. Além disso, uma das colaboradoras afirma que ele ameaçou chamar a polícia caso ela não se retirasse do local.

Andresca Lima, secretária-geral do Sindecomar, afirma que na última quarta-feira (13) chegou em seu posto de trabalho e sua sala estava trancada. “Ele (Márcio Alves) me viu e não falou absolutamente nada. Gravei tudo o que estava acontecendo e voltei para casa”, explica.

No dia seguinte, quinta-feira, ao chegar novamente à sede do sindicato, Andresca encontrou a sala fechada. De acordo com ela, Márcio se aproximou e entregou um documento que informava que ela não fazia mais parte do quadro do sindicato e que estava sendo devolvida para a empresa da qual foi cedida. “Ele disse que se me visse lá dentro iria chamar a polícia. Eu disse que também ia chamar. Ele está nos assediando moralmente e psicologicamente”, fala, concluindo que não pode nem retirar seus pertences pessoais de dentro da sala.

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À reportagem, Luciana Ferreira, suplente de secretária-geral do Sindecomar, afirmou que foi tentado um diálogo para que a situação fosse resolvida de forma interna e da melhor forma possível. No entanto, as coisas acabaram saindo do controle quando as portas das salas foram encontradas trancadas. “Há algum tempo problemas internos já vinham existindo, como ataques, ofensas, calúnias e difamação. Eu não entendo o porquê de um homem que na campanha se mostrou tão humilde e lutou com a gente, agora está achando que nós estamos fazendo coisa errada. Só queremos que algumas situações sejam esclarecidas”.

Uma das mais graves acusações, segundo os diretores, é de que Márcio Alves teria adquirido um carro para o Sindecomar, mas este estaria em nome do próprio dirigente. Após tantas divergências e atritos internos, eles decidiram consultar a placa do veículo, já que havia desconfiança de que algo errado estava acontecendo, e descobriram esse particular. “Ele afirmou que o carro era do sindicato, só que está no nome dele. Com que dinheiro ele pagou pelo veículo?”, questiona, indignada, Luciana Ferreira.

Márcio Alves, presidente do sindicato, esteve no jornal, mas se defendeu em nota

Com o início do período das prestações de conta do sindicato, o veículo não entrou em pauta e nada esclarecido sobre a aquisição do automóvel. Os diretores executivos, que foram expulsos, afirmam que ao questionarem o presidente sobre essa e outras coisas que estão descobrindo, os ataques começaram.

“Ele está atacando toda a diretoria, ofendendo, devolvendo para as empresas e levantando falso testemunho. O que tem por trás de tudo isso? Depois que passamos a confrontar algumas coisas ele começou a nos atacar. Nós queremos deixar claro que estamos aqui para defender o trabalhador. Brigamos com uma gestão que estava há 30 anos no poder. Eu sou trabalhadora do comércio e não aceito que seja retirado um real do trabalhador para que seja feita outra coisa que não seja investir no próprio trabalhador”, indigna-se a suplente.

Luciana detalha que todas essas questões levantadas junto ao presidente sobre os questionamentos financeiros do sindicato iniciaram após uma denúncia interna do atual tesoureiro Lenilson Pereira. Ele informou aos demais diretores que algo de errado poderia estar acontecendo.

“Tentamos conversar com o senhor presidente, mas ele é um ditador, vem com represálias pra cima da gente, nos ofende, nos xinga. Já nos chamou de merda, ofendeu o tesoureiro o chamando de burro”.

Diante das várias denúncias, o tesoureiro afirma com exclusividade ao CORREIO DE CARAJÁS que o atual presidente, Márcio Alves, está agindo de forma desequilibrada e tentando administrar o sindicato sozinho. “Ele está zangado porque queria que eu o acobertasse na forma de dirigir o sindicato. Ele quer dominar sozinho e não é assim”.

Lenilson conta que teve seu acesso ao sistema bloqueado e que a situação interna, o convívio e as relações de trabalho estão precárias no sindicato.

“Fomos conhecendo o Márcio aos poucos, ele começou a tomar as decisões e agir de forma arbitrária. A forma que ele está querendo conduzir não é a certa”, completa.

Outra diretora que está se sentindo perseguida por Márcio, é Val Oliveira. Ela é responsável pelo setor de esporte e lazer do sindicato e também recebeu a carta de liberação do sindicato e o pedido de retorno à empresa da qual presta serviço.

“Fui até a loja que trabalho e fui informada que deveria retornar ao Sindecomar, pois fui eleita pelos funcionários para estar aqui e representar a nossa classe”.

Sobre as providências a serem tomadas a partir de agora, os diretores executivos garantem que vão lutar pelos direitos dos trabalhadores e irão procurar outro jurídico para receber o suporte necessário.

“Vamos manter a sociedade informada do que está acontecendo, falar para os trabalhadores e vamos lutar pela nossa classe”, finaliza Lenilson Pereira, tesoureiro do Sindecomar.

PRESIDENTE

Instado a dar a sua versão para os fatos denunciados por seus próprios companheiros de diretoria, o presidente do Sindecomar, Márcio Alves, chegou a vir pessoalmente à sede do Grupo Correio, aparentemente disposto a falar, mas atendendo a orientação do seu advogado, que o acompanhava, acabou desistindo de gravar entrevista e foi embora.

Nesta sexta-feira, no entanto, o portal recebeu uma nota da parte de outro advogado, o representante jurídico do Sindecomar, Dr. Rodrigo Botelho, com o seguinte teor: “O presidente do Sindecomar tomou conhecimento de entrevista concedida por dirigentes da entidade sindical. Nesse sentido, lamentamos o fato, e declaramos que não há qualquer irregularidade no âmbito administrativo. Divergências são naturais, e as mesmas serão tratadas internamente seguindo o estatuto da entidade sindical”.  (Ana Mangas)

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