Adolescentes cooperam na produção de uma pipa, se dedicando com concentração no ambiente comunitário da Casa dos Rios.
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No último sábado, dia 10, o projeto Rios de Encontro, centrado no bairro Cabelo Seco, realizou seu 5º Festival de Pipa na Orla da comunidade, em defesa do Rio Tocantins e da Amazônia. Mais de 120 crianças e jovens participaram, com apoio de pais, professores e cientistas. Na mesma tarde, o projeto antecipou o festival com uma dedicação à Amazônia na WeRadio Líder, citando as dezenas de mensagens internacionais recebidas, denunciando a ameaça atual aos ‘rios voadores’ das florestas que levam chuva ao mundo.   

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“O Festival de Pipa foi idealizado em 2015 para celebrar a ciência ribeirinha infantil e adolescente de Cabelo Seco e Marabá”, diz Dan Baron, coordenador eco-pedagógico do Rios de Encontro.

Segundo ele, cinco anos e mais de 4 milhões de visualizações dos vídeos sobre os festivais de pipa no Youtube depois, reconhece essa atividade como uma das mais importantes deste ano, em busca de um novo paradigma de educação pela sustentabilidade. “A criação e sustento da pipa no céu vai muito além de brincar. “Implicam cálculos matemáticos e físicos, cuidado com a engenharia e a dedicação estética, tanto na idealização, quanto na leitura de seu movimento para navegar os ventos”, avalia Zequinha Souza, co-fundador de Rios de Encontro e morador do Cabelo Seco.

Segundo Manoela Souza, gestora do projeto, o Coletivo AfroRaiz também cresce com os processos de coordenação eco-pedagógica nos últimos 5 anos, criando um ambiente na Casa dos Rios de apoio, cooperação entre faixas etárias, gerações, gêneros, raças e classes sociais, autodeterminação e autonomia. “Os jovens arte-educadores realmente atuaram como um coletivo, entendendo cada fase e admirando o resgate e beleza da comunidade, ameaçada pelo celular viciante, isolador e invasivo em cada mão”.

A Universidade de Oxford, na Inglaterra, encomendou um vídeo bilíngue com Rerivaldo Mendes, do projeto Rabetas AudioVisual, em 2017, para internacionalizar o potencial acadêmico e formador da Pipa. “Reris gosta de documentar o processo. Além da beleza da pipa e das técnicas de navegar, a Casa dos Rios, as ruas e a Orla do bairro e suas casas, pulsam com cooperação, conversa, comunidade, aprendizado, e conhecimento popular”, comenta Dan Baron

Na entrevista com Rigler Aragão, Dan Baron relacionou o Festival de Pipa com a turnê europeia de um novo espetáculo, ‘Rio Voador’ que o Rios de Encontro apresentará na Áustria, Alemanha, Polônia e Bélgica durante dois meses, a partir de 5 de setembro, Dia da Amazônia. “É insuficiente denunciar o desmatamento na Amazônia no mês passado, que aumentou 278% em comparação com julho de 2018, porque o governo está acabando com a maior e mais antiga tecnologia no mundo, com seus guardiões indígenas, em nome de desenvolvimento”.

Os jovens do AfroRaiz estão viajando para defender Amazônia. Mas o projeto também incentivará escolas, universidades, redes e ONGs a colaborarem nas áreas de energia solar, plantas medicinais e hortas comunitárias aqui na Amazônia. “Já estamos praticando estes projetos alternativos como base de educação pela sustentabilidade, enraizada na cultura popular, vislumbrando uma ecologia de bem viver, para todos. Vamos levar as pipas de sábado ao palco do Parlamento Europeu”. (Divulgação)

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