Correio de Carajás

Retinoblastoma

Coluna Dr. Nagilson

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Nagilson Amoury

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      O retinoblastoma é o tipo de tumor ocular infantil mais frequente em crianças de 2 a 5 anos de idade, e podendo afetar bebês com menos de 1 ano, e atinge estágios graves e provoca a perda da visão. O principal sinal da doença é a presença de um reflexo branco na pupila.

      Trata-se de um tumor maligno, portanto grave, que se desenvolve na retina da criança e provoca a leucocoria, reflexo branco no olho, conhecido como “olho de gato”. Esse reflexo surge porque a massa do tumor causa o descolamento da retina, o que faz com que ele seja facilmente visualizado na pupila.

      A principal causa é a hereditariedade. A criança herda uma mutação no gene Rb1, que está presente em todas as células do organismo, inclusive nas que dão origem a óvulos e espermatozoides. Isso faz com que a doença tenha mais chances de ser transmitida de geração em geração.

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      Em dados gerais, crianças diagnosticadas têm 50% de chances de transmitir a mutação genética futuramente para seus filhos. Além disso, na maioria dos casos, o problema é herdado dos pais. Porém, a mutação também pode surgir em pacientes que não tem histórico familiar de alterações no gene Rb1.

      O retinoblastoma pode ser classificado em dois principais tipos: Retinoblastoma esporádico: nesse caso o tumor intraocular se desenvolve em apenas um olho (retinoblastoma unilateral) e surge da mesma forma que os demais tipos de câncer, em que uma célula sofre mutação e começa a se multiplicar descontroladamente. Esse tipo de retinoblastoma é mais comum em crianças com mais de 1 ano de idade.

      Retinoblastoma hereditário: nesse caso o tumor surge devido a uma mutação genética, transmitida hereditariamente, podendo fazer com que o câncer apareça tanto em um olho (retinoblastoma unilateral) quanto em ambos os olhos (retinoblastoma bilateral). Geralmente, afeta bebês, com menos de 1 ano de idade.

      Além disso, existe o chamado retinoblastoma PNET (Tumor Neuroectodérmico Primitivo), também conhecido como retinoblastoma trilateral, em que o tumor no olho está relacionado com células nervosas primitivas do cérebro, atingindo somente crianças com retinoblastoma hereditário bilateral.

      O principal sinal do retinoblastoma é a leucocoria (um reflexo branco na pupila), que pode ser facilmente identificado em fotos com flash da criança. Porém, geralmente esse sintoma só aparece quando a doença já está em um estágio mais avançado, junto com outros sinais de que o tumor já está mais desenvolvido, como: dor de cabeça e vômito; dores nos olhos, pois o tamanho do tumor pode pressionar os ossos da região; proptose onde o globo ocular maior que o normal, ficando deslocado para fora do olho. Acontece quando o tumor afeta também a órbita do olho; perda da visão parcial ou total.

      Portanto, é preciso um olhar mais atento para identificar o retinoblastoma em sua fase inicial, facilitando o diagnóstico precoce. Em geral, os primeiros sintomas são: fotofobia ou alta sensibilidade a luz; estrabismo conhecido como “olho torto”; heterocromia, um olho de cada cor; olho preguiçoso (ambliopia); sangramento em alguma parte do olho; vermelhidão.

      É importante ficar alerta para qualquer anormalidade nos olhos da criança. Se perceber qualquer sinal, procure um oftalmologista o mais rápido possível, para que ele possa confirmar ou descartar adequadamente o diagnóstico de retinoblastoma. Na consulta, o médico irá realizar o exame clinico e poderá solicitar também exames de imagem, como tomografia do crânio e das orbitas e ou ressonância das orbitas.

      Com acompanhamento e tratamento adequados, o retinoblastoma tem cura em 90% dos casos. O principal objetivo dos métodos utilizados é eliminar o tumor e salvar a vida da criança, buscando preservar o olho e o máximo da visão, se possível, além de prevenir a volta do câncer futuramente.

* O autor é especialista em cirurgia geral e saúde digestiva.

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