📅 Publicado em 04/09/2026 15h59✏️ Atualizado em 04/09/2026 15h59
Se futebol fosse resolvido pelo tamanho da conta bancária, pelo peso da camisa e pela posição na tabela, Remo e Flamengo poderiam até dispensar o árbitro no domingo. Bastaria entregar os três pontos ao visitante e mandar todo mundo para casa. Mas, felizmente para o futebol – e principalmente para o Remo – ainda existe um detalhe inconveniente chamado jogo.
É nesse espírito de Davi contra Golias que o Leão recebe o Flamengo neste domingo (6), às 16h, no Mangueirão, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. De um lado, um Remo pressionado pela luta contra o rebaixamento. Do outro, um Flamengo que acabou de encostar no líder Palmeiras e pode assumir a ponta dependendo do resultado de Botafogo e Palmeiras.
Na tabela, o contraste é quase uma provocação. O Flamengo chegou aos 51 pontos, apenas um atrás do Palmeiras. O Remo, com 23, ocupa a vice lanterna e vem de uma sequência de sete partidas sem vencer. É praticamente a versão futebolística daquele encontro em que um sujeito aparece para uma briga carregando uma espada, um escudo e uma armadura, enquanto o outro chega com uma pedra e muita confiança.
Leia mais:Só que o Leão tem uma arma que não aparece na tabela: o Mangueirão.
A CASA QUE PRECISA RUGIR
Depois da derrota por 3 a 2 para o Coritiba, em uma partida maluca que teve cinco gols no segundo tempo e duas viradas, o Remo permaneceu na zona de rebaixamento. Agora, diante do Flamengo, qualquer ponto vale ouro – e três podem representar uma verdadeira injeção de esperança na luta contra a degola. E a torcida azulina promete fazer a sua parte.
Os ingressos começaram a desaparecer rapidamente, e o primeiro lote destinado às duas torcidas se esgotou em apenas 24 horas. O setor destinado aos flamenguistas também teve grande procura, com os rubro-negros prometendo transformar o Mangueirão em um caldeirão vermelho e preto.
O Remo, por sinal, tomou até algumas precauções especiais para o encontro. O clube proibiu o acesso aos setores das torcidas com camisas de outros times. Afinal, domingo não é dia de esconder o escudo. É dia de escolher um lado.
E O LEÃO GANHOU BOAS NOTÍCIAS
Se Davi vai para a batalha contra um gigante, pelo menos não chegará desarmado. O técnico Léo Condé deve ter força máxima à disposição. O atacante Jajá, artilheiro do Remo no Brasileirão com sete gols, voltou a treinar com bola depois de ficar fora contra o Coritiba. O lateral-esquerdo Mayk e o volante Edson Fernando também estão em processo de retorno.
Jajá, principalmente, é daqueles personagens que podem fazer a diferença quando a lógica manda o azarão ficar quietinho no seu canto. Se o Flamengo vacilar, o atacante azulino pode ser justamente a pedra no estilingue.
GOLIAS ESTÁ BEM ACORDADO
O problema é que o Flamengo não chega a Belém para participar da história como figurante. O Rubro-Negro venceu o Mirassol por 2 a 0 na quarta-feira, em jogo atrasado do Brasileirão, e chegou aos 51 pontos. Carrascal e Lucas Paquetá marcaram ainda no primeiro tempo, e a equipe comandada por Leonardo Jardim controlou a partida na etapa final.
E tem mais: o Flamengo vem de uma vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo e está embalado na perseguição ao Palmeiras. O time carioca também vive uma maratona de jogos, já que depois de enfrentar o Remo terá pela frente o Independiente del Valle, pelas quartas de final da Libertadores.
Ou seja: o gigante está ocupado, mas não parece disposto a esquecer a espada em casa.
Aliás, o Flamengo terá pelo menos um desfalque confirmado. Evertton Araújo, que entrou no final do primeiro tempo contra o Mirassol e deixou o campo com problema muscular, teve lesão no adutor confirmada. O volante Erick Pulgar, que também saiu machucado naquela partida, sofreu uma pancada na coxa direita, mas não preocupa para os próximos compromissos.
Por outro lado, o Flamengo ganhou reforços. Anthony Valencia e Joaquín Freitas foram regularizados e estão à disposição de Leonardo Jardim. Gonzalo Plata também voltou ao elenco depois de não concluir a transferência para o Dínamo Moscou.
E aí aparece outro detalhe que explica por que a comparação com Golias não é nenhum exagero: o Flamengo pode olhar para o banco e encontrar soluções que fariam muitos times brasileiros felizes em ter como titulares.
DAVI PRECISA SER ESPERTO
O Remo sabe que não pode transformar o jogo em uma troca de golpes. Contra um adversário com tanta qualidade individual, dar espaço pode ser quase como entregar a funda de Davi ao adversário.
A receita azulina passa por organização, intensidade, torcida empurrando e, principalmente, eficiência. Porque certamente não haverá muitas oportunidades claras para o Leão. Talvez uma ou duas. E, se aparecer uma, será preciso tratá-la como se fosse a última pedra disponível.
O Flamengo, por sua vez, tem motivos de sobra para levar o jogo a sério. Uma vitória em Belém pode colocar o time na liderança do Brasileirão, desde que o Palmeiras tropece diante do Botafogo. Por isso, o roteiro está pronto.
O Remo tem 90 minutos para provar que, no futebol, às vezes o tamanho do adversário não importa tanto quanto o tamanho da coragem. E, domingo, no Mangueirão, o Leão vai precisar disso: coragem. Aliás, muita coragem.
