📅 Publicado em 18/09/2026 11h32
O reajuste de 15,04% anunciado pelo governo federal para o Bolsa Família terá impacto direto no orçamento de 28.182 famílias de Marabá, que atualmente recebem o benefício. Juntas, elas representam 80.558 pessoas e movimentaram R$ 19,46 milhões em agosto, segundo dados do Portal da Transparência do Governo Federal.
A atualização dos valores começa a valer na folha de outubro. O benefício mínimo por família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio nacional deverá subir de R$ 675 para R$ 777. O governo informou que a correção corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
Em Marabá, porém, o benefício médio já era de R$ 691,51 em agosto, acima do atual piso nacional. Aplicando-se a mesma correção de 15,04% sobre essa média, o valor médio local chegaria a aproximadamente R$ 795,51. Trata-se de uma projeção matemática, e não de um valor médio oficialmente divulgado para o município.
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Em agosto, o Bolsa Família destinou R$ 19.464.564 às famílias marabaenses. Se o volume de beneficiários permanecer estável e o reajuste de 15,04% resultar em aumento proporcional da folha, o repasse mensal poderia chegar a aproximadamente R$ 22,39 milhões.
Isso representaria uma diferença de cerca de R$ 2,93 milhões por mês circulando adicionalmente na economia local, ou aproximadamente R$ 35,1 milhões em 12 meses, considerando uma projeção simples e sem mudanças no número de famílias ou na composição dos benefícios.
O reajuste também altera os valores dos diferentes componentes do programa. O Benefício de Renda de Cidadania, atualmente de R$ 142 por integrante, passará para R$ 164. O Benefício Primeira Infância, hoje de R$ 150 por criança, subirá para R$ 173, enquanto o Benefício Variável Familiar passará de R$ 50 para R$ 58.
Marabá X Parauapebas
Marabá tinha, em agosto, 5.749 famílias beneficiárias a mais que Parauapebas, diferença de aproximadamente 25,6%. O número de pessoas alcançadas pelo programa também era 15.876 maior.
A diferença aparece ainda no volume financeiro: Marabá recebeu cerca de R$ 4,16 milhões a mais em recursos do Bolsa Família naquele mês.
Apesar de atender mais famílias, Marabá apresentou também benefício médio superior ao de Parauapebas: R$ 691,51 contra R$ 683,07, uma diferença de R$ 8,44.
Se o reajuste de 15,04% for aplicado proporcionalmente às médias atuais, a projeção seria de aproximadamente R$ 795,51 em Marabá e R$ 785,80 em Parauapebas. Na mesma hipótese, as folhas mensais poderiam passar para cerca de R$ 22,39 milhões e R$ 17,61 milhões, respectivamente.
Educação
Além do dinheiro transferido diretamente às famílias, o Bolsa Família está vinculado a compromissos nas áreas de saúde e educação.
Em Marabá, 34.214 beneficiários de 4 a 18 anos incompletos tinham perfil para acompanhamento das condicionalidades de educação em julho. Desse total, 32.298 foram acompanhados, o equivalente a 94,4% de cobertura, acima da média nacional de 89,6%.
Em Parauapebas, eram 29.252 beneficiários dentro do perfil e 27.139 acompanhados, alcançando 92,8% de cobertura.
Na prática, as famílias precisam manter as crianças e adolescentes na escola dentro das frequências mínimas exigidas, além de cumprir as condicionalidades de saúde, como vacinação, acompanhamento nutricional das crianças e pré-natal para gestantes.
Reajuste 17 dias do primeiro turno
O anúncio do aumento também abriu uma discussão no campo eleitoral. O decreto foi publicado em 17 de setembro, exatamente 17 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. Os novos valores começarão a ser pagos a partir de 19 de outubro, já durante o período entre os dois turnos.
A proximidade com a eleição levou a questionamentos na Justiça. O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, apresentou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste, alegando finalidade eleitoral. O pedido buscava suspender os efeitos do decreto até a posse dos eleitos.
Também houve questionamento apresentado pelo deputado federal Zé Trovão, do PL, que pediu a suspensão do aumento e outras medidas judiciais. O ministro André Mendonça foi sorteado relator de uma das ações.
A discussão jurídica, contudo, não significa que o reajuste tenha sido considerado ilegal. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmaram que a legislação eleitoral permite a continuidade e a atualização de programas sociais já existentes, e que uma eventual caracterização de abuso de poder político dependeria da comprovação de desvio de finalidade.
O governo federal sustenta que o aumento não tem finalidade eleitoral e que se trata de uma recomposição inflacionária prevista para preservar o poder de compra das famílias. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social informou que essa é a primeira atualização dos valores pela inflação desde a retomada do atual modelo do Bolsa Família, em 2023.
Para Marabá, independentemente da disputa jurídica em torno do momento do anúncio, o efeito econômico potencial é expressivo: mais de 28 mil famílias poderão receber valores maiores a partir da folha de outubro, ampliando a renda disponível de milhares de moradores e o volume de recursos que circula mensalmente no comércio e nos serviços do município.
