Correio de Carajás

Quem financiou?

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Levada ao pé da letra, a declaração de que as 10 mortes na fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, teriam sido financiadas, é muito grave e exige comprovação. Ela foi feita pelos promotores de Justiça que investigam o caso e remete para a pergunta que se recusa a calar: quem financiou? Se os agentes do Ministério Público já têm a informação sobre o financiamento deveriam dar nomes aos bois. Por exemplo, dizer se foram os próprios donos da fazenda ou pessoas interessadas nas mortes por terem tido suas propriedades invadidas pelo mesmo grupo.

Babá do poder

A relação promíscua entre agentes públicos de segurança e magnatas do campo é antiga e nunca foi extinta. Por detrás de tudo, poderosos interesses políticos que sustentam velhos caciques e suas máquinas de corrupção eleitoral. Nos anos 70 e 80, sobretudo no sul e sudeste paraense, policiais chamavam fazendeiro e madeireiro de doutor, faziam serviços de segurança em fazendas, nas horas de folga, organizavam operações por conta própria para retirar invasores de terras, faziam e aconteciam. E tinham o aval de seus comandantes. De lá para cá, pouca coisa mudou.

Leia mais:

Povo enganado

O maior crime ambiental hoje praticado na Amazônia está localizado a 25 km de Belém: é o lixão da empresa baiana Revita, no município de Marituba. O grande responsável pelo fedor que sufoca diariamente mais de 60 mil pessoas tem nome: é o sr. Simão Jatene. A Revita doou R$ 499 mil para a campanha de Jatene, na última eleição. O prêmio: o governador usou seus aliados do PSDB, os prefeitos de Belém, Zenaldo Coutinho, e o de Ananindeua, Manoel Pioneiro, para autorizar o funcionamento do lixão a céu aberto. Deu no que deu: o povo foi enganado e sufocado.

Fedor e votos

Agora, porém, que o ar de Marituba e o solo estão contaminados – inclusive rios e igarapés da região -, o governador aparece e anuncia que o lixão será fechado. As pessoas, doentes, que todos os dias superlotam postos de saúde e hospitais, ainda são obrigadas a ouvir do marketing de Jatene que o governador vai fechar aquela podridão devido ao clamor popular. Ano que vem tem eleição e os tucanos sabem que manter o lixão é perder milhares de votos. Mas o lixão não será imediatamente fechado, porque não há ainda outro lugar para depositar o lixo de Belém e região metropolitana. Que enrascada, hein, Jatene?

O bicho pegou

Não se fala em outra coisa em Dom Eliseu: o prefeito Ayeso Gaston Siviero está todo enrolado com a Justiça, mal completou seis meses no cargo. O Ministério Público investiga contratos fraudulentos, dispensa de licitação, favorecimento a amigos e, para completar a salada, nepotismo. Em cargos relevantes, o prefeito colocou mulher e sobrinhos. O secretário Adriano Magalhães, que é advogado do prefeito, também aproveitou a deixa e meteu seus parentes da prefeitura. O promotor Maurim Vergolino já reuniu muitas provas e deve mover ações contra o prefeito para afastá-lo do cargo.

 

________________________BASTIDORES_______________________

 

* Desabafo de um policial de Redenção à coluna sobre as prisões de 13 envolvidos nas 10 mortes na fazenda Santa Lúcia: “quem atirou e matou não foi preso, mas quem não atirou está na cadeia”.

* A advogada Olga Moreira, defensora dos proprietários da fazenda, a respeito das declarações de promotores de Justiça, sobre suposto financiamento dos policiais, foi taxativa: “meus clientes não têm nenhuma relação com o que ocorreu”.

* Segundo Olga, seu houve financiamento, como dizem os promotores, não foi por parte dos donos da Santa Lúcia.

* A polícia, na verdade, estaria também investigando um fazendeiro da região que teria interesse em comprar fazendas invadidas a baixo preço, inclusive financiando os invasores. O nome é mantido em sigilo.

 

* As queimadas voltam a preocupar os moradores da região sudeste e mais ao sul. Aeroportos, como de Marabá, diariamente mantém o alerta para pousos e decolagens.

 

* A deficiência do Corpo de Bombeiros, que enfrenta falta de viaturas, pessoal e equipamentos mais modernos de combate a incêndios florestais, chama tanto a atenção quanto as queimadas.

 

* Quem vai bancar as campanhas eleitorais de 2018? Nem os candidatos ainda sabem. E muitos empresários já fogem de doações, temendo problemas.

Levada ao pé da letra, a declaração de que as 10 mortes na fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, teriam sido financiadas, é muito grave e exige comprovação. Ela foi feita pelos promotores de Justiça que investigam o caso e remete para a pergunta que se recusa a calar: quem financiou? Se os agentes do Ministério Público já têm a informação sobre o financiamento deveriam dar nomes aos bois. Por exemplo, dizer se foram os próprios donos da fazenda ou pessoas interessadas nas mortes por terem tido suas propriedades invadidas pelo mesmo grupo.

Babá do poder

A relação promíscua entre agentes públicos de segurança e magnatas do campo é antiga e nunca foi extinta. Por detrás de tudo, poderosos interesses políticos que sustentam velhos caciques e suas máquinas de corrupção eleitoral. Nos anos 70 e 80, sobretudo no sul e sudeste paraense, policiais chamavam fazendeiro e madeireiro de doutor, faziam serviços de segurança em fazendas, nas horas de folga, organizavam operações por conta própria para retirar invasores de terras, faziam e aconteciam. E tinham o aval de seus comandantes. De lá para cá, pouca coisa mudou.

Povo enganado

O maior crime ambiental hoje praticado na Amazônia está localizado a 25 km de Belém: é o lixão da empresa baiana Revita, no município de Marituba. O grande responsável pelo fedor que sufoca diariamente mais de 60 mil pessoas tem nome: é o sr. Simão Jatene. A Revita doou R$ 499 mil para a campanha de Jatene, na última eleição. O prêmio: o governador usou seus aliados do PSDB, os prefeitos de Belém, Zenaldo Coutinho, e o de Ananindeua, Manoel Pioneiro, para autorizar o funcionamento do lixão a céu aberto. Deu no que deu: o povo foi enganado e sufocado.

Fedor e votos

Agora, porém, que o ar de Marituba e o solo estão contaminados – inclusive rios e igarapés da região -, o governador aparece e anuncia que o lixão será fechado. As pessoas, doentes, que todos os dias superlotam postos de saúde e hospitais, ainda são obrigadas a ouvir do marketing de Jatene que o governador vai fechar aquela podridão devido ao clamor popular. Ano que vem tem eleição e os tucanos sabem que manter o lixão é perder milhares de votos. Mas o lixão não será imediatamente fechado, porque não há ainda outro lugar para depositar o lixo de Belém e região metropolitana. Que enrascada, hein, Jatene?

O bicho pegou

Não se fala em outra coisa em Dom Eliseu: o prefeito Ayeso Gaston Siviero está todo enrolado com a Justiça, mal completou seis meses no cargo. O Ministério Público investiga contratos fraudulentos, dispensa de licitação, favorecimento a amigos e, para completar a salada, nepotismo. Em cargos relevantes, o prefeito colocou mulher e sobrinhos. O secretário Adriano Magalhães, que é advogado do prefeito, também aproveitou a deixa e meteu seus parentes da prefeitura. O promotor Maurim Vergolino já reuniu muitas provas e deve mover ações contra o prefeito para afastá-lo do cargo.

 

________________________BASTIDORES_______________________

 

* Desabafo de um policial de Redenção à coluna sobre as prisões de 13 envolvidos nas 10 mortes na fazenda Santa Lúcia: “quem atirou e matou não foi preso, mas quem não atirou está na cadeia”.

* A advogada Olga Moreira, defensora dos proprietários da fazenda, a respeito das declarações de promotores de Justiça, sobre suposto financiamento dos policiais, foi taxativa: “meus clientes não têm nenhuma relação com o que ocorreu”.

* Segundo Olga, seu houve financiamento, como dizem os promotores, não foi por parte dos donos da Santa Lúcia.

* A polícia, na verdade, estaria também investigando um fazendeiro da região que teria interesse em comprar fazendas invadidas a baixo preço, inclusive financiando os invasores. O nome é mantido em sigilo.

 

* As queimadas voltam a preocupar os moradores da região sudeste e mais ao sul. Aeroportos, como de Marabá, diariamente mantém o alerta para pousos e decolagens.

 

* A deficiência do Corpo de Bombeiros, que enfrenta falta de viaturas, pessoal e equipamentos mais modernos de combate a incêndios florestais, chama tanto a atenção quanto as queimadas.

 

* Quem vai bancar as campanhas eleitorais de 2018? Nem os candidatos ainda sabem. E muitos empresários já fogem de doações, temendo problemas.

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