Correio de Carajás

Professor do IFPA: Audiência ouve 20 testemunhas

Soldado Felipe Gouveia, acusado do homicídio, veio de Belém para a audiência (Foto: Evangelista Rocha)
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Entrou pela noite a audiência de pronúncia do policial militar Felipe Freire Sampaio Gouveia e da companheira dele, Thais Santos Rodrigues, acusados de assassinar o professor Ederson Costa Santos, que trabalhava no IFPA Campus Industrial de Marabá. O crime, registrado em câmeras de segurança, causou grande comoção popular.
Vinte testemunhas foram intimadas para prestarem esclarecimentos durante a audiência, realizada no Fórum Juiz José Elias Monteiro Lopes, na Comarca de Marabá. Agora, o Ministério Público do Estado do Pará tem 10 dias para se manifestar, depois mais 10 dias são voltados para a defesa do casal.
Depois disso, o juiz Alexandre Hiroshi Arakaki, titular da 3ª Vara Criminal, deverá pronunciar ou não os acusados. Caso pronunciados, eles são conduzidos ao Tribunal do Júri Popular pelo crime de homicídio. O advogado Leonardo Queiroz, que atua na defesa de Thais, diz acreditar que ela seja impronunciada.
“Entendemos que as provas até então trazidas para os autos não apontam pela responsabilidade da acusada Thais no resultado morte da vítima e a gente espera que a verdade venha à tona após a colheita da instrução processual. Ela nos conta o que já disse em interrogatório, que ela não instigou ou auxiliou o acusado a cometer qualquer ato ilícito, tão somente foi mera testemunha do fato, estava presente, mas não teve qualquer poder de interferência”, afirmou.
Thais, segundo o próprio advogado, está respondendo ao processo em liberdade provisória. “Até então as pessoas foram ouvidas de forma unilateral pela autoridade policial e a defesa ainda não teve como contra argumentar qualquer informação trazida até os autos. Trabalhamos com a convicção de absorção da Thais”.
Já Arnaldo Ramos, advogado de Felipe, diz que o trabalho da defesa atua no sentido de derrubar duas qualificadoras ao crime de homicídio: motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa do professor. “Vamos aguardar a instrução para esclarecer diante do juiz a versão dele, vai contar como se deram os fatos, e daí em diante o juiz decide se pronuncia ou não os dois. É a primeira vez que ele vai falar sobre o assunto, não chegou a se manifestar em delegacia. Achamos remoto ele não ser pronunciado, esperamos que isso venha, mas queremos tentar conseguir retirar as qualificadoras e, caso condenado, somar pena menor”, resumiu.
CRIME
O crime aconteceu na madrugada do dia 4 de agosto, em Marabá, em frente ao Sesi, e a ação criminosa foi filmada por câmeras de vídeo-monitoramento de uma empresa localizada perto de onde tudo aconteceu. O delegado Ivan Pinto da Silva, que presidiu o inquérito policial, denunciou tanto Felipe quanto Thais pelo crime de homicídio.
Além das filmagens que mostram o policial atirando contra o professor, a Polícia Civil também possui o laudo da balística, feito pelo Instituto de Criminalística (IC), o qual mostra que a munição que atingiu a vítima foi comprada pela Polícia Militar do Maranhão, onde o policial é lotado. Além disso, a perícia de local de crime confirmou ser o carro de Thaís que colidiu com o carro da vítima. A batida entre os veículos foi o que provocou a discussão que terminou em tragédia.
O soldado Felipe Gouveia teve prisão temporária convertida para preventiva e permanece preso no Centro de Recuperação Anastácio das Neves (Crecan), em Santa Izabel, zona metropolitana de Belém, de onde foi trazido para Marabá para participar da audiência. (Luciana Marschall e Chagas Filho)

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