Correio de Carajás

Presidente do Sindhotel relata crise profunda do setor em Marabá

Dezenas de hotéis de Marabá sofrem com a falta de clientes e custos para liquidar no meio da pandemia do coronavírus / Foto: Arquivo Correio
Dezenas de hotéis de Marabá sofrem com a falta de clientes e custos para liquidar no meio da pandemia do coronavírus / Foto: Arquivo Correio
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A pandemia do novo coronavírus tem alterado drasticamente a rotina daqueles que precisam se deslocar de um município ao outro para trabalhar, visitar parentes e amigos, ou simplesmente ir para sua casa. O impacto dessa mudança, acompanhado dos decretos estaduais e municipais, atingiu dois setores que sobrevivem desse grande fluxo de pessoas entre cidades e estados, os hotéis e restaurantes.

Em entrevista ao Portal Correio, o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhotel), Dauro Remor, reconhece que a situação para empresários do ramo em Marabá não está fácil, como as pessoas devem imaginar. Entre a falta de clientes e uma enorme lista de despesas para pagar, a saída está sendo apenas torcer para que o período de quarentena passe logo, para que tudo volte ao normal.

“Quando confirmaram o primeiro caso no Brasil, em fevereiro, todas as redes hoteleiras ficaram em alerta, pois sabiam como estava a situação do setor nos países europeus, que passavam por crises devido à queda de turistas. Na nossa região não seria diferente, até porque nosso setor é impactado por outros fatores”, conta Dauro.

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O primeiro fator mencionado seria o cancelamento dos voos, que muitas companhias aéreas decidiram por suspender, por medidas de segurança, com previsão de retorno apenas para o mês de maio. Atualmente, em Marabá apenas um voo é operado no Aeroporto João Correa da Rocha, no trecho Marabá-Brasília, da LATAM, entre as 16h e 17h.

“A principal demanda do hoteleiro são os clientes externos, que em sua grande maioria, vem de avião para a cidade, e agora estamos sem perspectivas. O cliente que vier de fora, acaba com receio de haver cancelamentos de voos para retornar, e uma viagem que deveria durar dois ou três dias, se tornar de 15. Então, eles preferem não se arriscar a viajar. Isso inibe um fluxo de clientes para os hotéis”, lamenta Dauro.

O segundo fator seriam as barreiras sanitárias nas rodovias entre os municípios, também como medida de impedir o grande fluxo de pessoas que possam levar ou trazer o coronavírus entre uma cidade e outra. Dauro acrescenta que há outra demanda de clientes dos hotéis, que são aqueles que precisam resolver alguma situação em outro município, seja por motivos profissionais e até particulares.

“É o que ainda está sustentando muitos hotéis na cidade. Há dias que ficam cinco hóspedes, mas em outros há nenhum. Mas só esse pequeno fluxo de pessoas da região não é suficiente para manter o estabelecimento, isso não sustenta nem a folha de pagamento”, pondera Dauro.

Ainda de acordo com o presidente do SindHotel, em Marabá há cerca de dois ou três hotéis de pequeno porte que estão fechados devido à pandemia. Os de grande porte ainda estão analisando se conseguem chegar até o fim do mês aguardando por uma luz no fim do túnel.

FERIADOS FRUSTRADOS

Uma das medidas adotadas pelo Estado para conter o contágio do vírus foi proibindo as saídas intermunicipais durantes os feriados da Semana Santa e de Tiradentes, através do Decreto n° 609/2020. O período vai de 8 a 13 de abril, bem como de 17 a 22 de abril.

Dauro diz que não há comparação do quanto os setores hoteleiros foram prejudicados com essa determinação. “Se já não chegava hóspede de avião, com essa medida não chega nem de carro ou ônibus. O que os hotéis receberam na Semana Santa foram apenas pessoas que vieram fazer alguma atividade na cidade e acabaram ficando sem ter como retornar para seu destino de origem. Outras que chegaram porque já estavam na estrada e não tinham como sair da cidade para continuar sua viagem”, relembra.

E a expectativa é a mesma para o feriado de Tiradentes, uma vez que as barreiras estão em funcionamento de novo.

APERTO NOS RESTAURANTES

Outro setor que vem tentando se manter no cenário da pandemia são os restaurantes, afetados pelo Decreto nº 609/2020 do Governo Estadual. O governador, Helder Barbalho, anunciou no dia 20 de março o fechamento de todos os bares, restaurantes e shoppings do estado, quando o Pará já tinha dois casos confirmados de Covid-19.

O decreto permitia ainda que serviços delivery fossem realizados pelos estabelecimentos, mesmo os restaurantes que precisaram fechar, mas para Dauro, essa solução não ajuda muito. “Só a entrega de marmitas não paga os custos que o empresário tem com esse serviço, sem falar nas demais despesas. Assim como hotéis, os restaurantes precisam arcar com folhas de pagamento, embalagens de marmitas, transporte para o entregador etc”.

Ele considera ainda que essa medida é apenas paliativa, para que os donos de restaurantes não fechem seus estabelecimentos de uma vez.

RECUPERAÇÃO

Dauro avalia que mesmo após a pandemia do coronavírus, os setores de hotelaria e restaurante devem levar cerca de seis meses para voltar ao normal e se recuperarem dos prejuízos adquiridos ao longo dos meses.

“Primeiro as companhias aéreas voltam ao normal, as pessoas retornam às suas atividades, os eventos e reuniões começam a ser remarcados e assim a demanda dos hotéis e restaurantes se reaviva lentamente. Mas até lá, é um longo caminho a ser percorrido para nos recuperarmos financeiramente dessa crise”, finaliza. (Zeus Bandeira)

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