Correio de Carajás

Portadores de fibromialgia começam a receber carteirinha a partir de sexta-feira (10)

Fotos: Paulo Sérgio
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Na próxima sexta-feira (10), às 10h da manhã, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Departamento de Doenças Crônicas, vai entregar as primeiras 27 carteiras municipais de pessoas com Fibromialgia (FM), uma doença invisível que ataca mais de cinco milhões de brasileiros, a grande maioria mulheres, e que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura, entre outros sintomas. A entrega acontecerá na própria secretaria. A carteira é uma resposta à Lei Municipal 17.966, sancionada pelo prefeito Tião Miranda, em 2020, que dentre outros direitos, garante aos portadores da Fibromialgia, atendimento preferencial em empresas públicas e privadas.

Gisele Leite, coordenadora do Departamento de Doenças Crônicas, ressalta que o benefício será permanente e que os portadores de Fibromialgia devem procurar à SMS para emissão da carteira. “Os pacientes em posse dessa carteirinha têm o benefício de prioridade nas filas de atendimento, tanto em banco, comércio, quanto todo tipo de fila. E também em estacionamento, mas, nesse caso, devem procurar o DMTU pra retirada do documento (ticket ou adesivo) que concede o estacionamento prioritário. Depois do dia 10, a previsão é a entrega de outras 30 carteirinhas”, enfatiza.

 

Leia mais:

Gisele Leite, coord. do Depto. Doenças Crônicas

Para adquirir a carteirinha, os portadores de Fibromialgia precisam apresentar à SMS os seguintes documentos: laudo médico do especialista (reumatologista ou neurologista), cartão SUS, Identidade e CPF, comprovante de endereço, uma foto 3×4 e o número de telefone. Daí a gente tem um prazo de três dias para a entrega da carteirinha.

“A Secretaria de Saúde hoje está em fase de credenciamento para contratação do médico especialista, que é o reumatologista, que faz o atendimento, então, as pessoas que já tiverem o laudo procurem o mais rápido a secretaria para que possamos conceder esse benefício”, reforça.

Fibromiálgicos comemoram os avanços no município

Com um sorriso estampado nos olhos, a marabaense Caroline Tremblay, 31 anos, comemora a conquista. Ela sabe o quanto esse direito é importante para a qualidade de vida de quem convive com a doença.

“É uma forma de reconhecimento da nossa doença, da nossa situação, porque a Fibromialgia é uma doença invisível, você não vê a dor, então passa-se pra sociedade que aquela pessoa é preguiçosa, ela não trabalha, ela não tem rendimento. Em casa, às vezes, ela não consegue levantar da cama, então essa pessoa começa a ser até mesmo excluída da sociedade, porque ela nunca pode cumprir com algumas coisas porque tá sentindo dor. Então essa carteirinha significa um pouco dessa visibilidade porque a gente, ao enfrentar uma fila, sente dor, estamos ali, mas sentindo dor. Às vezes, nem consegue ficar na fila. Essa carteirinha é justamente isso pra que a gente consiga fazer algumas tarefas do dia a dia, mas com um pouco mais de rapidez e de empatia”, pontua Caroline.

 

 

 

A estudante de direito acredita conviver com a doença desde criança, pelos relatos da mãe, mas o diagnóstico que é clínico, pelo reumatologista, só veio depois de muito sofrimento, inclusive de consequências por uso de medicações fortes, e já ao final da adolescência, com 17 anos. Caroline respondeu a 18 pontos de dores, dos 20 mais frequentes da doença.

“Minha mãe diz que eu sempre fui a doentinha, que não conseguia correr muito, brincar e sentia muitas dores.  Eu fazia muitas fisioterapias pra aliviar as dores e tinha diagnósticos de tudo, artrite, várias doenças reumatológicas, só que os exames não comprovaram, mas os médicos não sabiam o que dizer e chegou uma época que tive de tomar 21 [injeções] benzetacil, em um mês, minha mãe entrou em desespero, eu só tinha 13 anos”, relata.

Segundo Caroline, em Marabá, existe um grupo de fibromiálgicos com 166 pessoas, mas ela acredita que esse número deve ser bem maior no município, dada as estatísticas sobre a doença. Caroline é liderança da Associação Nacional dos Fibromiálgicos e Doenças Correlacionadas (ANFIBRO), na região norte, e foi ela quem incentivou a luta pela lei municipal, contando com o apoio da ex-vereadora Priscila Veloso, autora do projeto de lei que institui o dia 12 de maio, como o Dia municipal da Fibromialgia e da outras providencias.

Vale ressaltar, que a lei municipal está presente em mais de 300 municípios brasileiros e ao menos cinco estados já aprovaram a lei estadual. A meta da ANFIBRO é que a doença seja reconhecida legalmente em todo o território nacional, para isso, já tramita uma lei no congresso nacional que inclui muitos outros benefícios, a exemplo de direitos previdenciários. Enquanto isso não acontece, os fibromiálgicos vão se apoiando e fazendo o trabalho de formiguinha na divulgação da doença para o reconhecimento na sociedade.

“Eu não aceitava a doença e minha família também não. Tomava medicação quando dava, não seguia o tratamento, até que aos 24 anos as coisas começaram a pegar. Eu tive que assumir e fazer o tratamento. Cheguei a entrar em fase de depressão profunda. Eu escolhi cuidar de mim. Sempre digo que você tem duas escolhas, ou você escolhe viver com a dor ou viver para a dor. Você tem de viver com a dor, porque você com a dor vai fazer atividades físicas, vai fazer as atividades de casa, vai estudar com a dor. Se você escolher viver para a dor, vai viver em uma cama, porque vai esperar a dor passar e ela não vai passar. E quando aceitei, tomei essa postura, comecei ajudar outras pessoas”, conta acerca da convivência com a doença.

O que é Fibromialgia?

Especialistas caracterizam essa doença como uma dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se manifesta especialmente nos tendões e nas articulações. Trata-se de uma patologia relacionada ao funcionamento do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor que, atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos, mas também pode ocorrer em crianças, adolescentes e idosos.

Sintomas e tratamentos

Junto com a dor, a fibromialgia apresenta sintomas de fadiga (cansaço), sono não reparador (a pessoa acorda cansada) e outros, como alterações de memória e atenção, ansiedade, depressão e alterações intestinais. Uma característica da pessoa com fibromialgia é a grande sensibilidade ao toque e à compressão da musculatura pelo examinador ou por outras pessoas.

De acordo com a Associação Brasileira dos Fibromiálgicos (ABRAFIBRO), os tratamentos atuais englobam antidepressivos, potentes analgésicos, fisioterapia, psicoterapia, psiquiatria e, essencialmente (exceto com proibição por ordem médica) a atividade física.

(Fonte: Ascom PMM)

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