Correio de Carajás

Pirucaba Jazz lança “Lendas” via internet

A banda iniciou o trabalho se apresentando com repertório próprio e alguns standarts de jazz/ FOTOS: Divulgação/Pirucaba Jazz
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O desafiador ano de 2021 já iniciou com ótima novidade (pelo menos uma) na seara da cultura, sempre ela, no cenário artístico de Marabá. Estamos falando do lançamento do EP “Lendas ”, obra do Pirucaba Jazz, grupo de música instrumental nascido aqui na terrinha, no final de 2010, partindo de uma ideia do violinista Dauro Remor, que ansiava por um trabalho de música instrumental para a cidade.

Para tanto, contou, entre outros, com o que viria a ser o núcleo base do projeto: os irmãos músicos Walkimar Guedes (saxofone) e Guedes Júnior, o Guedinho (bateria), e Itair Rodrigues (baixo).

Desde o início a banda mostrou a que veio, se apresentando com repertório próprio e mais alguns standarts de jazz, no badalado festival Se Rasgum, que ocorre em Belém e conta com atrações nacionais, e atuando como banda base em festivais no interior, como o “Canta Pará” e o “Fempa”, realizados em Marabá e Parauapebas, respectivamente.

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Na ocasião do Se Rasgum, a banda teve também o primeiro contato com estúdio, gravando o primeiro EP. Infelizmente, por motivos diversos, o material acabou não sendo lançado.

O grupo acabou tornando-se referência regional forte, sempre conduzindo apresentações ao vivo, seja como projeto autoral, seja como banda base, e ganhando rodagem, experiência e confiança. Faltava, entretanto, o registro das composições, ou seja, a gravação oficial. Faltava o EP nunca lançado.

A segunda oportunidade veio em 2015, quando o grupo foi aprovado em edital da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis (Proex), da Unifesspa. Os músicos não contavam, porém, que além de uma mordida considerável do famigerado Leão do imposto de renda, a crise política nacional se agravasse (ou se iniciasse…) e culminasse no impeachment da presidente Dilma Roussef e consequente início do governo de Michel Temer.

Com a mudança forçada de governo, veio o corte de verbas federais e, como é de praxe, a cultura foi a primeira da fila a sofrer as consequências. Mesmo com estúdio contratado, músicos escalados e orçamento refeito, a gravação do CD (sim, em 2016, ainda não estávamos no boom do streaming) foi cancelada.

Parece que os amigos estavam destinados a voar perto demais do sol e terem suas asas derretidas. Aqui, porém, não se trata de mitologia grega, estamos falando de lendas amazônicas, moço.

Eis que de repente, no final do terrível ano de 2020, é lançada a Lei Aldir Blanc, de autoria da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que possibilitou finalmente o registro das músicas em plataformas digitais, com direito a identidade visual assinada pela multifacetada artista Leticia Portela e live gravada no espaço da galeria de artes Vitória Barros, localizada no Bairro Novo Horizonte, em Marabá. 

O EP Lendas foi lançado no fim de janeiro, gravado pelos músicos Walkimar Guedes (flautas e sax), de 34 anos; Guedes Jr. (bateria), de 37 anos; Edu Hilario (percussão), de 36 anos; Itair Rodrigues (baixo), de 34 anos; e Bruno Fernandes (guitarra), de 31 anos.

A gravação contou com músicos convidados e que em algum momento tocaram na banda, dentre eles, Markhus Lopes (teclados), Joseph Abraão (guitarra); Menderson Madruga (guitarra); Thiago Belém (bateria); Rafael Haidar (teclados); Ney Conceição (baixo); e Jr. Maceió (sax). Ao todo, são seis músicas instrumentais, com temas inspirados em lendas locais.

A repercussão ficou acima da expectativa, segundo Itair Rodrigues. “Esperava algo em torno de 500 visualizações (nos primeiros dias), já batemos mais de 2 mil”, conta.

Outro motivo de felicidade para os artistas foi a qualidade da gravação e o resultado final. Não só para eles, pois a recepção do público demonstrou a aceitação do projeto, seja pelos músicos da cidade, seja pelos amantes da música em geral. É isto. E como diz a engenheira de minas e futura psicóloga renomada Maria Emilia Pirovano: “nem todo herói usa capa” Alguns usam talento e perseverança.

A identidade visual do trabalho é assinada por Leticia Portela

SAIBA MAIS

A palavra perucaba, do tupi guarani, significa “peixe d’água”. É também o nome dado a um pedral, localizado no Rio Itacaiunas, próximo à ponte que liga o Núcleo Cidade Nova ao demais núcleos do outro lado das águas (sim, rolou um bairrismo aqui). Segundo Itair Rodrigues, o nome do grupo surgiu da lenda de um transeunte, que atravessava o rio em uma embarcação trazendo consigo alguns perus. Na chegada ao solo, o barco trepidou e assustou as pobres aves, que debandaram. Nisso, algum popular (sempre tem um) que assistia à cena gritou: “cuidado com os peru, cabra!”. Daí já virou o nome do local, da banda e gerou este momento Ouriço Cheio.

Qual é a música, Maestro?

A esta altura você deve estar se perguntando, ou deveria: mas qual o som dos caras? Segundo o baixista Itair, o Pirucaba faz uma fusão entre a sonoridade regional e a liberdade criativa existente no Jazz.

Apesar do nome que o projeto carrega, contudo, não se trata de Jazz, por falta de uma definição melhor, dito tradicional. O conceito do Jazz do Pirucaba é no sentido de “improvisar, evoluir, ir além”. As influências declaradas da banda são Hermeto Paschoal e o músico/arranjador Maestro Tinoco, muito conhecido no meio musical paraense e famoso por trabalhar com artistas como Lucinha Bastos.

No EP, há um passeio por diversos elementos e ritmos regionais, desde carimbó a guitarradas, tudo bem misturado e conduzido. É música instrumental brasileiríssima, criativa, vigorosa, bem tocada e bem gravada. Que venham novas lendas, músicas e condições para apreciação ao vivo de tamanha qualidade.

(Jair Santos)

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