Correio de Carajás

PcdoB promove programação em Marabá para celebrar 104 anos

Evento, que vai ocorrer na Câmara Municipal, neste sábado, relembra os 54 anos da Guerrilha do Araguaia

Homem de óculos e paletó listrado falando ao microfone durante uma apresentação.
Jorge Panzera, dirigente nacional do PCdoB, convida para evento que será realizado neste sábado em Marabá
✏️ Atualizado em 17/04/2026 11h19

Marabá recebe neste sábado, 18 de abril, uma programação que une debate político e resgate histórico, reunindo lideranças, pesquisadores e militantes no Plenarinho da Câmara Municipal, a partir das 14 horas. A atividade marca os 104 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil (PcdoB), celebrados originalmente em 25 de março, e os 54 anos do início da Guerrilha do Araguaia, iniciada em 12 de abril de 1972.

A agenda foi organizada para coincidir com o calendário de mobilizações na região, em meio ao ato nacional do MST realizado na Curva do S, em Eldorado do Carajás, nesta sexta-feira, 17 de abril, que relembra os 30 anos do massacre.

O encontro contará com a presença do vereador de Belém e professor da UEPA, Rodrigo Moraes, do professor Janailson Macêdo Luiz, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), especialista no estudo da Guerrilha do Araguaia, e de Jorge Panzera, dirigente nacional do PCdoB.

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A programação também inclui o lançamento do livro “Filhos desta Raça”, que aborda a trajetória de Hecilda Veiga e de seu filho, Paulo Fonteles Filho. A obra destaca a ligação de Fonteles com a região, onde atuou como advogado de camponeses e pesquisador dos movimentos de resistência.

Segundo Luiz Gonzaga, dirigente do PCdoB Marabá, um dos principais pontos da agenda política no município é a transformação da Casa Azul, antigo centro de operações e repressão do Exército, em um espaço de memória.

“Atualmente, o imóvel pertence ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e há uma articulação em curso envolvendo o Governo Federal, o Ministério dos Direitos Humanos, a Unifesspa e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU). O objetivo é negociar a cessão do espaço, seguindo exemplos de outras áreas do DNIT que foram destinadas a órgãos públicos, como a Defensoria Pública do Estado. A proposta é que a Casa Azul seja preservada devido ao seu elemento simbólico, por ter sido palco de graves violações de direitos humanos”, afirmou.

Ao comentar a reorganização das políticas de reparação histórica no governo Lula, Gonzaga afirmou que a Comissão de Anistia, frequentemente confundida com a Comissão da Verdade, está em processo de reconstrução após o desmonte dos últimos anos.

“Há um processo de reconstrução de políticas públicas. A questão da memória e da justiça está presente, mas é verdade que precisamos de uma retomada com mais força para o anistiamento dessas pessoas”, disse.