Correio de Carajás

Pau D’arco completa um mês sem respostas

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Luciana Marschall

 

Há um mês, no dia 24 de maio, uma ação policial na Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’arco, a 60 km de Redenção, no sudeste do Pará, resultou na morte de 10 pessoas e reacendeu a polêmica discussão sobre a violência no campo no Estado do Pará, conhecido por muito sangue derramado na área rural.  Na ocasião, policiais civis e militares foram ao local com o intuito de cumprir 16 mandados de prisão, mas a ação resultou na morte de 10 posseiros – nove homens e uma mulher.

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Em um primeiro momento, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) informou que o relato policial preliminar era de que o grupo de posseiros recebeu com disparos de armas de fogo policiais que foram ao local, onde foram apreendidas onze armas, incluindo um fuzil 762 e uma pistola Glock modelo G25. A instituição acrescentou, ainda, que os mandados foram emitidos em decorrência de investigação sobre homicídio, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.

Os corpos foram removidos do local pelos próprios policiais que participavam da ação antes da chegada de equipe do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”. Pouco depois, pessoas que estavam no local passaram a relatar terem sido atacados pelos policiais.  Essas informações e também o número elevado de pessoas mortas rapidamente chamaram a atenção da imprensa, órgãos de investigação e direitos humanos e movimentos sociais, que passaram a cobrar esclarecimentos.

No último dia 14 o CPC Renato Chaves entregou os primeiros laudos do caso para a Polícia Civil. De acordo com a perícia, os coletes dos policiais não apresentaram vestígios de projéteis. A análise destacou, também, que dentre os mortos nove pessoas foram atingidas no peito e apenas a mulher foi alvejada com tiro lateral na cabeça. Ainda não foram entregues os de balística de 53 armas de fogo (apreendidas com os posseiros e com os policiais).

Está prevista, ainda, uma reconstituição baseada no relato de testemunhas no local onde os posseiros morreram. Os 29 policiais envolvidos na ação – dentre civis e militares – foram afastados, conforme a Segup, para receber atendimento psicológico e social. De acordo com o órgão, este é um procedimento comum quando agentes das forças de segurança estão envolvidos em episódios com mortes.

Representantes de movimentos sociais e defesa dos direitos humanos questionam a cena onde aconteceram as mortes ter sido modificada, principalmente com a remoção dos corpos antes da chegada da perícia. Além disso, afirmam que outras provas foram destruídas no local.

Os sindicatos de delegados, de policiais e a Associação dos Delegados de Polícia do Pará (Adepol) acompanham as investigações e saíram em defesa dos servidores que participaram da ação, reiterando que a força policial foi recebida a tiros e que os agentes agiram em legítima defesa.

 

Luciana Marschall

 

Há um mês, no dia 24 de maio, uma ação policial na Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’arco, a 60 km de Redenção, no sudeste do Pará, resultou na morte de 10 pessoas e reacendeu a polêmica discussão sobre a violência no campo no Estado do Pará, conhecido por muito sangue derramado na área rural.  Na ocasião, policiais civis e militares foram ao local com o intuito de cumprir 16 mandados de prisão, mas a ação resultou na morte de 10 posseiros – nove homens e uma mulher.

Em um primeiro momento, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) informou que o relato policial preliminar era de que o grupo de posseiros recebeu com disparos de armas de fogo policiais que foram ao local, onde foram apreendidas onze armas, incluindo um fuzil 762 e uma pistola Glock modelo G25. A instituição acrescentou, ainda, que os mandados foram emitidos em decorrência de investigação sobre homicídio, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.

Os corpos foram removidos do local pelos próprios policiais que participavam da ação antes da chegada de equipe do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”. Pouco depois, pessoas que estavam no local passaram a relatar terem sido atacados pelos policiais.  Essas informações e também o número elevado de pessoas mortas rapidamente chamaram a atenção da imprensa, órgãos de investigação e direitos humanos e movimentos sociais, que passaram a cobrar esclarecimentos.

No último dia 14 o CPC Renato Chaves entregou os primeiros laudos do caso para a Polícia Civil. De acordo com a perícia, os coletes dos policiais não apresentaram vestígios de projéteis. A análise destacou, também, que dentre os mortos nove pessoas foram atingidas no peito e apenas a mulher foi alvejada com tiro lateral na cabeça. Ainda não foram entregues os de balística de 53 armas de fogo (apreendidas com os posseiros e com os policiais).

Está prevista, ainda, uma reconstituição baseada no relato de testemunhas no local onde os posseiros morreram. Os 29 policiais envolvidos na ação – dentre civis e militares – foram afastados, conforme a Segup, para receber atendimento psicológico e social. De acordo com o órgão, este é um procedimento comum quando agentes das forças de segurança estão envolvidos em episódios com mortes.

Representantes de movimentos sociais e defesa dos direitos humanos questionam a cena onde aconteceram as mortes ter sido modificada, principalmente com a remoção dos corpos antes da chegada da perícia. Além disso, afirmam que outras provas foram destruídas no local.

Os sindicatos de delegados, de policiais e a Associação dos Delegados de Polícia do Pará (Adepol) acompanham as investigações e saíram em defesa dos servidores que participaram da ação, reiterando que a força policial foi recebida a tiros e que os agentes agiram em legítima defesa.

 

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