Correio de Carajás

Parauapebas: Samu atende mais homens, aos domingos, em acidentes e casos clínicos

Parauapebas: Samu atende mais homens, aos domingos, em acidentes e casos clínicos
Fotos: Ronaldo Modesto
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De janeiro a agosto de 2019, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Parauapebas realizou 1.600 atendimentos, somando os chamados atendidos pelas Unidades de Suporte Básico (USB) e Avançado (USA). Os dados referentes às atividades dos primeiros oito meses deste ano foram compartilhados com o Correio de Carajás pelo coordenador do serviço, Manoel Ilson Pereira Carvalho, em entrevista concedida na tarde de ontem, terça-feira (17).

O maior número de atendimentos foi voltado aos casos clínicos (501), como infartos ou crises de diabetes, por exemplo, que somam 31,31% dos socorros urgentes. Logo em seguida, aparecem 500 casos de acidentes (31,25%) e 240 transportes de pacientes (15%). Houve registro, ainda, de atendimentos psiquiátricos (94), por outros motivos (87), oriundos de quedas (72), para a obstetrícia (33), por agressões (16), óbitos (13), afogamentos (12), perfurações por arma branca (9) e intoxicações (9), perfurações por arma de fogo (7), trotes (4) e queimaduras (3).

“Nos últimos anos houve mudanças no cenário. Há um tempo acidentes de trânsito eram correspondentes a 45% dos casos, mas houve redução considerável nisso. No total, juntando as duas equipes, os atendimentos aos acidentes reduziram para a média de 31%”, contextualizou Manoel Ilson, acrescentando que a redução está intimamente ligada à atuação do órgão de trânsito da cidade. “A gente atribui isso à parceria com o DMTT, com colocação de radares e fiscalização mais intensa. Essas ações têm contribuído muito para a redução dos acidentes e, consequentemente, para salvar vidas”, destacou.

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Foto: Ronaldo Modesto

A maior parte das pessoas socorrida foi homens, totalizando 834 casos. Foram atendidas, ainda, 641 mulheres e em 125 casos não foi informado o sexo do paciente, que, na maioria das vezes, exatamente 331 delas, tinham idade entre 21 e 30 anos. A maioria dos atendimentos ocorreu entre 8 horas e 22 horas, atingindo picos entre 18 e 20 horas, quando foram realizados 201 socorros. Os domingos são os dias mais movimentados para os socorristas, embora haja equilíbrio nos números em comparação aos demais dias da semana. “Sempre aos finais de semana tende a aumentar os agravos, as causas externas estão relacionadas a este cenário”, comentou Manoel.

O tempo resposta do Samu de Parauapebas– a tecla em que os usuários desta modalidade de serviço mais batem em qualquer lugar – costuma variar entre 16 e 20 minutos em grande parte das vezes que as ambulâncias vão às ruas, pelo menos 30% dos casos. “O ideal é que seja o menor tempo possível, mas lidamos com os mais variados casos. Eventualmente somos acionados para um tipo de atendimento e no decorrer surge algo mais grave e é redirecionado, mas o atendimento inicial não deixa de continuar contando o tempo, não vai parar o relógio. Entretanto, a regulação liga para o solicitante, informa o quadro e o motivo de ser preciso fazer isso, mas depois retorna para esse atendimento”, explica o coordenador.

A importância da regulação feita por médicos 24 horas

Manoel explica que o órgão está vinculado às três esferas, recebendo recursos federais, estaduais e municipais, e que o Samu de Parauapebas está vinculado à Central de Regulação Carajás, que fica sediada em Marabá. Ou seja, sempre que um usuário aciona o número 192 – única maneira de solicitar o serviço – é atendido a 170 quilômetros de onde está a ocorrência. Isso é necessário, destaca o coordenador, porque um médico precisa decidir o tipo de unidade que será encaminhada ao atendimento e custa caro manter uma central desta natureza, já que ela opera ininterruptamente.

“Esta central hoje é responsável por 17 municípios e por que o Ministério da Saúde adotou essa regionalização? Porque é caro manter uma central destas já que nela tem que haver médicos num quantitativo suficiente para atender 24 horas. Hoje há três médicos de dia e dois atuando de noite”, diz.

Assim que um destes médicos atende à ligação tem início uma série de perguntas sobre a ocorrência. “É feita uma entrevista detalhada, primeiro para ser descartada a possibilidade de ser um trote e segundo para o médico determinar o perfil de equipe necessária para atender à ocorrência”.  As USB, por exemplo, atendem com equipe formada por um técnico em enfermagem e um motorista, enquanto as USA atendem com médico, enfermeiro e motorista, para casos de maior gravidade.

Para o médico que atende à ligação, deve ser repassado o quadro geral do paciente, o número de vítimas e outros dados solicitados. Além disso, frisa Manoel, repassar informações corretas acerca do endereço é primordial. “A gente sente dificuldade aqui com a questão do endereço porque às vezes o solicitante não passa o endereço correto ou não passa ponto de referência de forma adequada para a gente chegar mais rápido. Às vezes, a gente procura às cegas. Nem consideramos trote porque muitas vezes andando mais uma ou duas ruas a gente já encontra o local”.

Em relação à questão dos trotes, ressalta que o número de registros é pequeno. “A regulação conseguiu mapear o perfil do trote em Parauapebas então nem chega até a gente. Eles (trotes) partem de crianças no horário de saída da escola, então é simples de identificar”, diz. Manoel Ilson lembra que muita gente se incomoda com o excesso de critérios na hora de solicitar a remoção de urgência, mas o protocolo é o que garante o atendimento especializado.

“É justamente para se determinar qual veículo deverá ser enviado, se é necessária uma equipe completa, com médico, ou uma básica”. Em Parauapebas, há uma ambulância de cada modalidade e ambas fazem o atendimento mais variado possível, desde que enquadrado em urgência.

“Às vezes as pessoas confundem o serviço como táxi. Quem vai determinar a saída da ambulância daqui é o médico regulador, ela não sai nem para abastecer sem a equipe ser autorizada pela regulação, o que é um fator positivo porque temos total controle dos KM dos veículos, é anotado o Km do carro na entrada e na saída do plantão”.

Telefonia problemática pode atrapalhar os atendimentos

Ainda tratando da Central de Regulação, Manoel informa que o serviço é padronizado a nível nacional e só tem um número – o 192 – para ser acionado, o que pode ser um problema uma vez que o sistema de telefonia em Parauapebas nem sempre funciona a contento. “Dentro do município há pontos cegos em relação à telefonia celular. Às vezes a própria equipe tenta ligar para a regulação para passar informações sobre atendimento e temos dificuldade. Questiona-se se melhoraria caso houvesse regulação aqui, mas eu sinceramente tenho minhas dúvidas. Temos que batalhar para que melhore a qualidade de telefonia de forma geral”, declara.

Atendimentos na zona rural são comprometidos

Questionado sobre a quantidade de ambulâncias que servem Parauapebas frente à demanda, o coordenador do serviço, Manoel Ilson revelou um problema que as equipes do Samu enfrentam: atender ocorrências na zona rural do município. “A princípio necessitaríamos mais uma ambulância pra gente poder avaliar o quadro atual e depois, havendo a necessidade de ampliação, solicitar novamente. Estamos tendo problema grande com a questão da zona rural por conta do perfil das estradas”, sustenta.

De acordo com ele, os caminhos são essencialmente estradas de chão e repletas de ladeiras, relevo para o qual os furgões utilizados como ambulâncias são totalmente inadequados. “Os veículos não têm estabilidade para esse tipo de estrada, então estamos desenvolvendo um projeto para fazer a solicitação de ambulância 4×4, que atenda essa necessidade. Temos que ampliar para garantir o atendimento à zona rural que é muito grande, ainda vamos fazer o projeto, que vai passar em vários órgãos para chegar ao MS e ter ele aprovado”, explica, justificando que o atual cenário coloca as equipes e pacientes em risco de sofrerem acidentes.

Diferença entre Samu e Corpo de Bombeiros

Por fim, Manoel Ilson esclareceu algumas dúvidas sobre quem chamar quando há uma emergência: Samu ou Corpo de Bombeiros, que também possui ambulância para resgates. “A gente conta muito com a parceria dele. Por exemplo, quando há acidente de trânsito em que o paciente fica preso nas ferragens, contamos com eles porque apenas eles têm equipamentos para fazer desencarceramento. Eles tiram a vítima e a gente assume fazendo a imobilização e transporte”. Outra situação, diz, é em casos de tragédias envolvendo mais de uma vítima, cujo atendimento mobiliza as duas ambulâncias do Samu e a do Corpo de Bombeiros. (Luciana Marschall)

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