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Parauapebas: Facções atraem menores de 18 anos para o crime

Parauapebas: Facções atraem menores de 18 anos para o crime
Foto: Ronaldo Modesto
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“Essas pessoas acostumadas à vida do crime vêm chamando adolescentes para participar e eles (menores) já acham que são faccionados, começam a fazer parte de grupo de whatsapp, falam que são faccionados, fazem juramentos e, por isso, precisam cometer crimes, executar pessoas diversas”.

A declaração é do delegado Gabriel Henrique Alves Costa, diretor da 20ª Seccional Urbana de Polícia Civil, em Parauapebas, em entrevista ao radialista Beto Rodrigues, na manhã de hoje, segunda-feira (16), no estúdio da Rádio Correio FM 99,1.

Dentre outros assuntos, a autoridade policial tratou do tema que tem tomado o noticiário policial do sudeste paraense, principalmente no município, onde é cada vez mais comum adultos presos e adolescentes apreendidos se declarem membros de facções. No município em que o delegado atua, inclusive, crimes atribuídos às facções têm sido constantemente filmados e divulgados por redes sociais.

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“Eles estão indo para cima e levando a pior até porque não tivemos até o momento nenhum delito cometido por facção que não tenha sido solucionado. Todos que a gente acha que podem se despontar como líderes de facções aqui estão sendo presos ou já possuem mandados de prisão expedidos”, garante, acrescentando não haver nenhum que não esteja sendo monitorado. “Sem dúvida serão presos ou terão confronto com as polícias e eu gostaria que eles levassem a pior”, afirma.

Em relação ao envolvimento dos adolescentes, ele destaca que o combate às infrações seria mais eficaz caso o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fosse levado à risca, porém em Parauapebas, por exemplo, não há centro de internação para casos graves e os adolescentes envolvidos nestas situações precisam ser encaminhados para Marabá, no caso do gênero masculino, ou Belém, no caso do gênero feminino.

“Ocorre, ainda, que muitos dos crimes não são mediante violência ou grave ameaça e a lei afirma que só podem ser internados nestes casos ou se forem reincidentes, como exemplo o tráfico de drogas. O menor é apreendido pelo crime e na primeira vez não é submetido à internação, a gente tem que fazer o procedimento e entregar aos responsáveis”, explica.

Em Parauapebas, para tentar conter a onda de criminalidade, segundo o delegado, a Polícia Civil está montando um banco de dados dos adolescentes e em parceria com o Poder Judiciário tentando manter a internação nos casos de reincidência, mesmo em crimes sem violência. “Estamos fazendo o auto de apreensão e o judiciário têm deferido. O MP (Ministério Público) também vem representando pela internação. O que acontece é que a criminalidade está vendo que o menor tem privilégios e buscando colocar essas pessoas no crime”.

HOMICÍDIOS

De acordo com o delegado, apesar de ter havido grande redução no número de homicídios – 23% segundo o governo estadual – este ainda é um crime frequente em Parauapebas e um dos que mais dão dor de cabeça à Polícia Civil. O trabalho de combate neste sentido, entretanto, tem produzido frutos, garante Gabriel Henrique. “Estamos conseguindo, através do Departamento de Homicídios, ter resolutividade boa, 84% de resolutividade”.

Na luta para redução do número de homicídios, o combate ao tráfico de drogas também está sendo priorizado. “Temos combatido o tráfico de drogas, juntamente com a PM. Temos feito operações e diligências, sabemos que ele fomenta não apenas o crime contra o patrimônio, mas também outros tipos de delitos como execuções. A PM tem apresentado vários traficantes para os procedimentos e acho que estamos, dentro do possível, combatendo o tráfico de drogas dentro do Estado do Pará”.

ESTELIONATO

Outro crime com grande incidência na cidade, destaca o delegado, é o estelionato por meio da internet, principalmente em sites de vendas como a OLX. “Gostaria de comunicar que a OLX deixou de ser uma ferramenta apenas de pessoas de fé, tem muita gente de má fé usando a OLX e tome muito cuidado quando for comprar um objeto, um veículo, para que não caia na lábia do estelionatário que usa o site para cometer crime”, orienta.

O diretor da Seccional explica que o golpe mais comum é o que o estelionatário enrola tanto o vendedor de um objeto quanto o potencial comprador. “Uma recomendação é sempre depositar o dinheiro no nome do proprietário do veículo e não de terceiros”. Sobre as investigações neste sentido, ele confirma que são complexas.

“As contas não são de agências da cidade e a legislação afirma que tem que ser investigado onde o dinheiro foi depositado, então fica sempre em Fortaleza, Mato Grosso, outros estados. É difícil, fazemos a ocorrência e encaminhamos com ofício para estes locais, solicitando a abertura de inquérito policial, mas a gente não tem contato com o que é realizado depois disso”, lamenta.

EFETIVO

O trabalho é feito dentro do que permite o efetivo disponível atualmente. Em Parauapebas, com quase 300 mil habitantes, a equipe é formada por seis delegados, 13 investigadores e seis escrivães. “Não é suficiente, mas a falta de efetivo não ocorre apenas em Parauapebas, é no estado todo. Por enquanto, o governo já está realizando concurso, já foi aprovado para mais 1.500 policiais, estamos aguardando a escolha da banca examinadora”, diz.

Para Gabriel Henrique, no entanto, o cenário não desmotiva o trabalho policial. “Para uma investigação precisamos no máximo de dois policiais, fazem todo o levantamento e quando vamos fazer a deflagração de operação a gente tem o apoio da Superintendência (Marabá). A gente entra em contato e quantas equipes quisermos são disponibilizadas. Também apoiamos as (operações) de Marabá e dependendo da operação vem policiais da região e, se for o caso, até de Belém”, revela. (Luciana Marschall)

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