Momento da chegada dos homens da Força Tática de Intervenção Penitenciária ao Pará/ Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará
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O governo do Estado está tomando medidas estratégicas para evitar novos confrontos entre facções criminosas em presídios estaduais. A Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) anunciou que, até o fim do ano, mais cinco unidades prisionais serão entregues no Pará.

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A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) reforçou que terão novas casas penais na região de Altamira (Vitória do Xingu), Parauapebas, Redenção, Abaetetuba e Tucuruí. “Serão mais de 2 mil vagas abertas. E neste sábado, quase 500 agentes concursados tomam posse, algo que não existia. Com essas medidas conseguimos melhorar o quadro e o sistema”, enfatizou o titular da pasta, Ualame Machado.

NOMEAÇÕES

O Governo do Pará dará posse a 485 agentes aprovados no último concurso (C-199) da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), já no sábado (3). O anúncio foi feito na noite desta segunda-feira (29), após reunião do governador Helder Barbalho com a cúpula da Segurança Pública.

A nomeação dos agentes penitenciários integra as ações imediatas destinadas a melhorar a gestão e a segurança nos presídios estaduais, determinadas pelo Executivo após o confronto entre duas facções criminosas no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no oeste paraense, na manhã desta segunda-feira, que resultou na morte de 58 detentos.

MAIS PROVIDÊNCIAS

O governador também solicitou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o deslocamento de pelo menos 40 integrantes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), do Departamento Penitenciário Nacional, para atuação operacional no Estado, diante do ocorrido no presídio de Altamira. Na conversa com o governador, o ministro lamentou as mortes e determinou a intensificação das ações de inteligência e prontidão da Força Nacional.

O presidente do TJPA, desembargador Leonardo Noronha Tavares, disse que o órgão já convocou uma reunião entre os juízes auxiliares da presidência e da Corregedoria. “Estamos fazendo o levantamento de processos dos réus presos que estão condenados, e também dos provisórios”, assegurou. (Agência Pará)

SAIBA MAIS

O massacre de Altamira, mesmo sem contabilizar os quatro mortos no trajeto até Marabá, é o segundo maior registrado no Brasil, ficando atrás apenas de Carandiru (SP), quando morreram 111 detentos no ano de 1992.

 

DNA vai identificar 31 detentos

Nesta quarta-feira (31) o Instituto Médico Legal (IML) informou ter encerrado a necropsia dos 58 corpos de vítimas do massacre no Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRAL), sudoeste do Pará. De acordo com as informações prestadas pelo instituto, 27 corpos foram liberados às famílias e os 31 restantes precisarão passar por exames de DNA para terem o reconhecimento concluído de forma oficial.

Ainda de acordo com o IML, as necropsias foram feitas por peritos criminais e peritos médico legistas da própria Unidade Regional de Altamira; um perito odontologista forense, que foi deslocado de Belém; e uma equipe de peritos criminais do Laboratório de Genética Forense, do Instituto de Criminalística (IC), que realiza os exames de DNA.

Segundo informação da Agência Pará, uma equipe multidisciplinar, formada por cinco médicos, quatro psicólogos, cinco assistentes sociais e quatro enfermeiros, além de profissionais auxiliares, “está garantindo atendimento e acolhimento às famílias, 24 horas, por tempo indeterminado”, diz a agência oficial do governo.

Segundo relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Centro de Recuperação de Altamira está superlotado e tem péssimas condições para custódia dos detentos. No dia do massacre, havia 311 presos custodiados ali, mas a capacidade máxima é de 200 internos. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Pará, dos 311 presos, 145 ainda aguardavam julgamento.

 

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