Correio de Carajás

Pais de autistas clamam por CAPSi em Marabá

REIVINDICAÇÃO

Rede de Apoio de Mães e Pais Atípicos cresce em Marabá e representantes foram reivindicar ações na Câmara Municipal
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Eles criaram rede de apoio a crianças com espectro autista e pedem implantação de um Centro especializado na área de saúde

O tema autismo está cada vez mais presente no dia a dia dos brasileiros. E um grupo de pais e mães em Marabá resolveu se unir para buscar melhorias no atendimento de quem sofre com essa síndrome. A Rampa (Rede de Apoio de Mães e Pais Atípicos) esteve no plenário da Câmara na sessão de quarta-feira, 29 de setembro, para falar dos problemas que afetam os grupos de pessoas que necessitam de atendimento nessa área e das demandas e necessidades emergenciais que precisam ser encaminhadas ao Executivo sobre os direitos e garantias das crianças com transtorno do espectro do autista.

Uma das representantes do grupo, Liliane Moura, falou aos vereadores sobre as necessidades que os filhos têm. Para fortalecer o grupo, criaram a Rampa e hoje há 88 mães e pais de crianças autistas, portadores de deficiência intelectual e TDH. A maior quantidade é de pais autistas, mas abrangem essas outras síndromes. Ela explicou que o autismo, cientificamente conhecido como Transtorno do Espectro Autista, causa danos no neurodesenvolvimento e compromete a comunicação e interação social da criança, geralmente diagnosticada entre os 2 e 3 anos de idade. “Ainda há pessoas que não conhecem o que é autismo”, lamentou.

De acordo com ela, em Marabá, as crianças não conseguem um diagnóstico, o que dificulta a possibilidade de começar uma intervenção terapêutica de forma precoce, no desenvolvimento da primeira infância. “Hoje, o único local de atendimento sem fins lucrativos já possui 400 crianças no atendimento e uma fila de espera de outras 90. E ainda não há um atendimento psicoterapêutico. Então, além de ser pouco, não é um especializado”.

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Por fim, Liliane disse que a Semed informou que existem 321 crianças matriculadas na zona urbana e 13 na zona rural com TEA. “O público autista é muito grande, mas parece que não somos vistos. É como se não houvesse um olhar mais específico para a dificuldade que é enfrentada”, lamentou.

Jane Bezerra, que é uma das mães que compõem a Rede, apontou que se deve buscar compreender o contexto, a complexidade e vivência das famílias atípicas do município. “É preciso esforços para desconstruir as barreiras burocráticas que limitam e enrijecem os espaços que devem ser de acolhimento”.

Para ela, as leis garantem aos seus filhos o acesso a ações e serviços de saúde com vistas à atenção integral às suas necessidades, que incluem o atendimento multiprofissional, medicamento e informações que auxiliem no tratamento e diagnóstico precoce.

Petronila Rodrigues opinou que há mais de 600 autistas sem atendimento no município. Ela solicitou e encaminhou uma proposta resumida de solução para o problema. Entre elas, a necessidade de criar Centros de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPSi), que são aparelhos destinados ao cuidado de crianças e adolescentes com problemas mentais graves, incluindo transtornos do espectro do autismo. “Deve ser implantado em caráter de urgência esse CAPSI. Marabá já tem quase 300 mil habitantes, e para implantação dessa unidade é preciso que a cidade tenha mais de 125 mil habitantes”, sustentou.

O vereador Ilker Moraes lembrou as dificuldades que os pais enfrentam e que isso comove toda a sociedade. Ele disse que é preciso somar forças no projeto e desenvolvimento de um trabalho visando fortalecer o atendimento às famílias. Moraes também informou que o município está construindo um centro de pedagógico, na Marabá Pioneira, mas que isso ainda não é a suficiente e que é preciso um centro especializado clínico-terapêutico para o atendimento dessas crianças. “Sabemos que há um aumento de diagnóstico. Não temos tratamento especializado e o custo de uma consulta no setor privado é muito alto”.

Ilker finalizou pedindo um compromisso dos parlamentares para adequar ao plano plurianual a inserção do CAPSi, para atendimento pedagógico e centro clínico-terapêutico.

Márcio do São Félix opinou que o grande desafio é encontrar profissionais capacitados para diagnosticar e ofertar tratamento o mais breve possível. Ele afirmou que a Casa tem luta em favor do reconhecimento do direito e necessidades dos portadores do autismo. “É um desafio conviver com familiar portador dessa síndrome e outras patologias nesse sentido”.

Cristina Mutran somou força à fala do vereador Ilker. Ela detalhou que é preciso de um atendimento mais humanizado e eficiente por parte do poder público no tratamento psicopedagogo e medicamentoso dos pacientes. Ela revelou que em Marabá só existe uma neurologista pediátrica e que não atende a rede municipal. “Vamos nos empenhar em oferecer um tratamento efetivo para essas crianças, visto que tem aumentado o número de relatos de mães com filhos com essa patologia”.

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