Correio de Carajás

Oito são presos por exploração sexual de menores em Marabá e Bom Jesus

Entre os presos, segundo a polícia, estão empresários, produtor rural e até advogado que ofereciam compensação financeira para vítimas com idades entre 11 e 13 anos

Além das prisões, mais de 500 munições e 16 armas de fogo foram apreendidas/ Fotos: Divulgação
Por: Kauã Fhillipe

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), a operação “Child Protection”, que resultou na prisão de oito pessoas investigadas por envolvimento em crimes sexuais contra crianças e adolescentes nos municípios de Bom Jesus do Tocantins e Marabá.

A ação cumpriu quatro mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão domiciliar. Durante as diligências, mais quatro pessoas foram presas em flagrante por posse irregular de arma de fogo.

Segundo a Polícia Civil, a investigação apura a atuação de uma associação criminosa voltada à exploração sexual de menores, incluindo os crimes de estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição infantil, com vítimas entre 11 e 13 anos de idade.

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De acordo com o titular da Superintendência Regional do Sudeste do Pará, delegado Antônio Mororó, os investigados utilizavam promessas de bens materiais e dinheiro para aliciar as vítimas.

– Os delegados Mororó e Luz detalham a operação em Marabá e Bom Jesus

“Essa associação criminosa explorava sexualmente crianças, com promessa de celulares, pagavam através de dinheiro em espécie, transferência via Pix e até entrega de motocicleta do tipo Biz”, declara. Ainda conforme o superintendente, os suspeitos se aproveitavam da vulnerabilidade social das vítimas para consumar os abusos.

 “Muitas vezes, em virtude de serem pessoas com alguma vantagem econômica, se aproveitavam da hipossuficiência das vítimas para obter favorecimento sexual”, afirma Mororó.

As investigações são conduzidas pela Delegacia de Bom Jesus do Tocantins, sob presidência do delegado Lucas Luz, e começaram ainda no ano passado após denúncias encaminhadas ao Conselho Tutelar, Ministério Público e Polícia Civil. Inicialmente, quatro vítimas foram identificadas, mas a polícia acredita que o número pode ser maior.

O delegado Luz informou que o inquérito segue sob sigilo e fez um apelo para que possíveis vítimas procurem as autoridades. “Se houver mais vítimas, podem comparecer à Delegacia de Bom Jesus ou à Seccional de Marabá. Tudo será tratado sob sigilo, sem exposição”.

Entre os presos, segundo a polícia, estão pessoas consideradas de influência econômica e social em Bom Jesus do Tocantins, como produtor rural, dono de supermercado, proprietário de farmácia e até advogado. “É importante ressaltar ainda a repugnância do caso. São pessoas já com idade avançada, sendo que o principal alvo possui mais de 70 anos de idade”, destaca Mororó.

Armas apreendidas

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam pelo menos 16 armas de fogo, além de mais de 500 munições. Entre os armamentos estão espingardas, carabinas, revólveres e pistolas de diversos calibres. As apreensões ocorreram em diferentes endereços ligados aos investigados, tanto em Bom Jesus do Tocantins quanto em Marabá.

Equipes integradas deflagraram a operação em endereços localizados nas duas cidades

Do total de oito prisões realizadas, sete ocorreram em Bom Jesus – sendo três temporárias e quatro em flagrante – enquanto a quarta prisão temporária, apontada pela Polícia Civil como sendo de um dos principais investigados, ocorreu em Marabá.

A Polícia Civil informou que os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, favorecimento à prostituição de menores e estupro de vulnerável. Os dois últimos são classificados como crimes hediondos pela legislação brasileira.

Segundo os delegados, as penas podem ultrapassar décadas de prisão em razão do concurso material dos crimes investigados.