Correio de Carajás

“O racismo existe, mas ninguém acha que é racista”, diz mulher negra

Thaynara coleciona situações que foi discriminada por ser negra/Foto: Arquivo Pessoal
Thaynara coleciona situações que foi discriminada por ser negra/Foto: Arquivo Pessoal
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

O Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro, comemorado nesta sexta-feira, celebra e busca conscientizar sobre o que representa a data, desde que a população negra foi colonizada no Brasil.

A educadora física Thaynara Paz, 32 anos, que atua em Parauapebas, em entrevista ao Correio de Carajás, disse colecionar situações em que foi discriminada por ser negra. Há quatro anos conseguiu medida protetiva contra uma mulher que a chamou de macaca.

“As pessoas usam o racismo velado, como se fosse uma opinião, para justificar o injustificável, argumentando serem amigos de negros, mas que essas pessoas guardem o que acham para elas”, fala Thaynara.

Leia mais:

Thaynara relembra que antes de ser personal trainer trabalhava como cabeleireira e uma cliente do salão se recusava a ser atendida por ela, argumentando que jamais tocaria em seu cabelo e que não gostava de negros.

“No Dia da Consciência Negra a gente pede respeito. Não queremos ser vítimas ou tratamento preferencial, pois somo todos iguais”, decreta ela, afirmando que os brasileiros permanecem com a mesma mentalidade da época da escravidão, como se apenas pudessem desempenhar funções de faxineira, babá. Conforme ela, se o negro tem um bom carro ou é motorista ou segurança.

Atualmente, Thaynara até consegue rir de situações constrangedoras que passou, como o dia que passeava com uma sobrinha que é loira e perguntaram se ela era a babá.

“Quando eu era nova chorava muito, ficava muito triste, depressiva, não me achava bonita por não conseguir me encaixar em um padrão de beleza imposto pela sociedade. Já fui chamada de negra nojenta, diziam que todo negro é fedorento”, relembra, mas hoje garante que situações como essa não a abalam.

Outro momento de racismo vivido por ela foi ao entrar em uma loja, onde separou três peças de roupa e uma sandália para experimentar. Em seguida foi abordada por uma vendedora avisando que as roupas eram caras e, caso Thaynara não tivesse condições de pagar, não deveria experimentar. “Só havia eu de negra na loja, mas respondi que podia pagar e no dinheiro”. Após ser constrangida, não voltou mais na loja.

A escolha do dia 20 de novembro para marcar a resistência se deu por ser a data de morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Zumbi foi o maior líder do Quilombo dos Palmares. Os quilombos eram comunidades formadas por negros escravizados que fugiam da tirania e escondiam-se em lugares de difícil acesso no meio das matas.

Estima-se que a sua formação tenha durado cerca de 100 anos e abrigado entre 20 mil e 30 mil habitantes. A localização territorial do Quilombo dos Palmares era na região da Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. (Theíza Cristhine)

Comentários

Mais

Covid-19: Anvisa diz que não há estudo conclusivo sobre 3ª dose

Covid-19: Anvisa diz que não há estudo conclusivo sobre 3ª dose

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou em comunicado hoje (23) que ainda não há evidências suficientes para uma…
ONS prevê cenário energético "sensível" até novembro

ONS prevê cenário energético "sensível" até novembro

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou as previsões para o atendimento de energia ao Brasil até novembro e…
DJ Ivis pede perdão a Pamella Holanda em suposta carta lida pelo advogado do cantor

DJ Ivis pede perdão a Pamella Holanda em suposta carta lida pelo advogado do cantor

A cearense Pamella Holanda, vítima de agressões de DJ Ivis, revelou que o cantor enviou uma suposta carta, por meio do advogado, com um pedido de perdão.…
Rede estadual retoma aulas no início de agosto

Rede estadual retoma aulas no início de agosto

A redução do número de novos casos e de óbitos por Covid-19, bem como a adesão à vacinação contra o…
Clarice, a jovem que anda nua em Parauapebas, não está abandonada

Clarice, a jovem que anda nua em Parauapebas, não está abandonada

Uma cena comum em Parauapebas e que choca muita gente é a de uma mulher andando sem roupas pelas ruas…
Mãe pede ajuda para comprar cadeira de banho para o filho

Mãe pede ajuda para comprar cadeira de banho para o filho

Com grande parte do corpo atrofiado, conseguindo movimentar apenas uma das mãos e a cabeça, o jovem Handriw Rafael Vasconcelos…