Correio de Carajás

O que acontece no nosso corpo quando beijamos na boca?

Beijar na boca é prática o milenar de demonstração de amor e desejo sexual. Por sua história na humanidade, o beijar vem sendo alvo de pesquisas pela ciência.

Ato de beijar pode movimentar mais de 30 músculos — Foto: Felipe Costa/Pexels

💋 Beijar na boca é bom – e nisso a humanidade toda está de acordo. No entanto, mais do que uma demonstração de amor e desejo sexual, o beijo pode ser revelador, segundo a ciência.

O ato de beijar provoca um turbilhão de hormônios e pode ativar mais de 30 músculos, além de promover a troca de milhões de bactérias pela saliva.

O que pesquisadores que estudam relacionamentos destacam é que ele tem ainda outro propósito: o beijo serve como um termômetro da relação e a falta dele pode ser um sinal de que algo não vai bem. Inclusive, o de que o amor acabou.

Leia mais:

O g1 separou uma lista de perguntas e respostas sobre o beijo na boca. Confira abaixo:

Quando os seres humanos começaram a se beijar?

 

Beijo gera "festa" de hormônios são responsáveis por como nos sentimos ao beijar — Foto: Marlon Alves/Pexels
Beijo gera “festa” de hormônios são responsáveis por como nos sentimos ao beijar — Foto: Marlon Alves/Pexels

A primeira menção ao beijo na boca como demonstração de desejo, com conotação sexual, é de 2.500 a.C. na antiga Mesopotâmia, onde ficam hoje o Iraque e a Síria. A descoberta foi publicada na revista Science — uma das mais renomadas no meio científico.

🔍 Os registros foram encontrados em textos mitológicos sobre deuses. Um deles, descrito no chamado Cilindro de Barton, um artefato de argila da Mesopotâmia com inscrições cuneiformes, conta uma história de envolvimento sexual entre duas divindades, que é selada com um beijo:

“(…) com a deusa Ninhursag, ele teve relações sexuais. Ele a beijou. E preencheu seu ventre com o sêmen de sete gêmeos.

O pós-doutor em psicologia evolucionista Marco Antonio Varella, que já estudou a relação do beijo no comportamento humano, explica que o gesto entre casais pode ter sido uma evolução do cuidado maternal e paternal na evolução humana.

➡️ Nos primórdios, os pais alimentavam os filhos mastigando o alimento e entregando em um encontro de boca com boca.

Isso pode indicar que o amor filial e o beijar para alimentar possam ter sido cooptados ao longo da evolução humana para também funcionar na parceria romântica indicando afeto, comprometimento e disposição para cuidado. Isso pode ter acontecido conforme fomos ficando mais monogâmicos no início do gênero Homo há 2,5 milhões de anos. — Marco Antonio Varella, pós-doutor em psicologia evolucionista

O que acontece no nosso corpo quando beijamos na boca?

 

Primeiro registro de beijo é de 2.500 antes de Cristo — Foto: Cotton Bro Estúdio/Pexels
Primeiro registro de beijo é de 2.500 antes de Cristo — Foto: Cotton Bro Estúdio/Pexels

Palpitação, suor, coração disparado. Essa não é uma descrição romantizada do beijo, mas comprovada cientificamente.

❤️‍🔥 Isso porque, quando duas pessoas se beijam, há uma reação química no corpo que leva a essas sensações. O gesto causa uma “festa” de hormônios no corpo:

  • ❤️‍🔥 A serotonina, que é o hormônio do prazer, fica alta por causa do toque, do cheiro e da sensação gustativa pelo envolvimento dos lábios e da língua.
  • ❤️‍🔥 O cortisol, que ajuda a aliviar o stress, sobe.
  • ❤️‍🔥 A ocitocina, que é o hormônio do amor, também é liberada e ajuda na criação do vínculo entre que se beija.
  • ❤️‍🔥 Além de todos esses, há também a adrenalina, que fica alta, e é responsável pelo aumento da frequência cardíaca.

 

Essa reação química é o que causa o aumento do batimento cardíaco, que, por consequência, torna a respiração profunda e também dilata as pupilas. Ou seja, a sensação de “êxtase” é consequência da mistura de hormônios que são liberados no corpo quando se beija.

➡️ A reação desses hormônios que envolvem os casais promove uma mudança de comportamento diferente no cérebro de cada um. Essa diferença é o que pode fazer com que cada pessoa tenha uma reação diversa da outra.

🏋️ O ato de beijar pode movimentar até 34 músculos. A palavra é “até” porque tudo depende do “match”, que muda a intensidade do beijo.

Um beijo apaixonado pode movimentar de 23 a 34 músculos faciais, enquanto um mais simples pode usar apenas dois músculos.

Beijo na boca envolve milhões de bactérias. Existe algum risco?

 

Beijar na boca envolve milhões de bactérias.

🔍 Um estudo feito por pesquisadores de Amsterdã, publicado em 2014, colocou casais para se beijarem em laboratório. A ideia era analisar quantas bactérias eram trocadas.

Para isso, eles reuniram 21 casais e deram a um deles um iogurte com bifidobactérias e lactobacilos marcados. Depois, os casais deram um beijo de língua de dez segundos e passaram pela análise.

🔍 O que os pesquisadores descobriram é que os casais trocaram 80 milhões de bactérias. Além disso, elas permaneceram durante horas na saliva do parceiro.

Apesar do volume, na maioria dos casos, este intercâmbio não representa risco, desde que as pessoas mantenham uma boa higiene e tenham saúde oral e geral.

No entanto, existem diversas doenças infecciosas que podem ser transmitidas pelo beijo. Algumas delas são o herpes e a mononucleose infecciosa.

O beijo é o termômetro das relações

 

Especialista explica que falta de beijo pode ser sinal de desinteresse na relação — Foto: Edward Eyer/Pexels
Especialista explica que falta de beijo pode ser sinal de desinteresse na relação — Foto: Edward Eyer/Pexels

Estudos recentes mostram que o beijo é um ponto importante nas relações entre casais.

🔍 Uma pesquisa feita pelo departamento de psicologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido, entrevistou casais pelo mundo e descobriu que a maioria classificou o gesto como um ponto importante no relacionamento.

🔍 Na pesquisa, as mulheres ainda pontuaram que o primeiro beijo é um importante indicador de continuidade na relação. Ou seja, a primeira impressão é a que vale.

💋 Os autores Rafael Wlodarski e Robin Dunbar ainda disseram que os casais que participaram do estudo apontaram que a satisfação no relacionamento estava ligada à frequência com que beijavam na boca em suas rotinas.

A médica psiquiatra e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, Carmita Abdo, diz que é fato que o gesto é um termômetro nas relações e que ele vai sumindo conforme a relação se esfria.

O beijo, acima de tudo, tem um caráter afetivo, que demonstra carinho, proximidade, afetividade e uma ligação mais intensa. A primeira coisa que se perde quando um relacionamento não vai bem é a vontade de beijar. Quando você começa a perceber que já não tem mais interesse em beijar a pessoa, é porque algo mudou e você está se afastando.— Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria da USP

Ela explica que é preciso analisar além do beijo por si só, mas qual o tipo e intensidade.

“O beijo tem diferentes intensidades. Tem selinho, de língua, que pode ser curto ou prolongado. O tipo diz muito sobre como a pessoa se sente com e pela outra. A falta de entusiasmo em beijar é um sinal, porque o casal pode seguir beijando só por conveniência”, explica Abdo.

➡️ O comportamento humano, no entanto, é complexo. Com isso, Carmita, que também é membro da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana, explica que, apesar dos dados, pesquisas e análises, o gesto pode ser um sinal de mudança de conduta, mas não de término e isso tem a ver com a maneira como as pessoas encaram as relações.

Segundo Abdo, isso acontece porque há casais que, mesmo sem o beijo e uma conexão física forte, permanecem juntos por outros pontos, como a companhia, e são felizes assim. Além disso, há quem por hábito tenha dado ao sexo mais importância que o gesto na rotina e também é feliz assim.

A relação entre o casal precisa ser de diálogo e de transparência. É preciso também ter autocuidado, para não nos perdemos de nós e do que é importante para cada indivíduo. E, a partir disso, fazermos escolhas conscientes para sermos felizes. — Carmita Abdo, psiquiatra e membro da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.
(Fonte:G1/Poliana Casemiro)