Correio de Carajás

Nutricionista alerta quanto ao uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento

Em entrevista à rádio Correio FM 92,1, a especialista Laisla Bonfati destacou os riscos da automedicação, a importância da mudança de hábitos e os perigos de produtos falsificados no mercado de emagrecimento

Mulher em estúdio de rádio com fones de ouvido e microfone da 92.1 Correio.
Por: Da Redação
✏️ Atualizado em 17/04/2026 15h33

A busca pelo corpo ideal e a promessa de resultados rápidos tem impulsionado um fenômeno preocupante na área da saúde: o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras sem a devida prescrição e acompanhamento médico. O alerta foi feito pela nutricionista Laisla Bonfati, especialista em nutrição esportiva, emagrecimento e bariátrica, durante entrevista concedida aos comunicadores Leverson Oliveira e Patrick Roberto, na rádio Correio FM 92,1.

As canetas emagrecedoras, que originalmente surgiram por volta de 2010 para o tratamento do diabetes tipo 2, ganharam popularidade quando se notou que os pacientes apresentavam perda de peso significativa. Em 2016, a medicação foi liberada no Brasil especificamente para o tratamento da obesidade. No entanto, a realidade atual nos consultórios revela um desvio de finalidade preocupante.

“Hoje em dia, a gente já passa por outra realidade. A galera está usando a caneta de maneira estética”, alerta Laisla Bonfati. A especialista fez questão de esclarecer que os profissionais de saúde não são contra o uso de medicamentos, desde que aplicados corretamente. “O medicamento está aí para somar. O que parecia impossível, hoje se tornou uma realidade.”

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A ilusão do milagre

Um dos principais problemas apontados pela nutricionista é a crença de que a medicação, por si só, resolverá a questão do sobrepeso, dispensando a necessidade de mudanças no estilo de vida. Muitos pacientes chegam ao consultório focados apenas em bater metas de proteína para não perder massa muscular, mas negligenciam outros nutrientes essenciais, como carboidratos e fibras.

“Sem carboidrato, ele não vai conseguir fazer esse exercício físico. E muito mais, cadê a fibra? Você já reparou que muitas pessoas que fazem uso dessa caneta reclamam do intestino preso?”, questionou a especialista. Ela enfatizou que a caneta é uma ferramenta auxiliar, não uma solução mágica. “A caneta não vai te levar para a academia. A caneta não vai te levar ao mercado, a caneta não vai cozinhar para você.”

O uso da medicação sem acompanhamento nutricional e sem a prática de exercícios físicos resulta, invariavelmente, na perda de massa muscular. Isso gera um efeito cascata prejudicial: com menos músculos, o metabolismo torna-se mais lento. Consequentemente, quando o paciente interrompe o uso da caneta — muitas vezes devido ao alto custo do tratamento —, o reganho de peso é quase certo, e frequentemente em proporções maiores.

“Se você para de usar o medicamento, você perde o efeito do medicamento. Você não mudou o seu comportamento, você vai voltar a comer o que você já comia”, explicou Laisla.

Riscos da automedicação

A realidade em Marabá, segundo a nutricionista, reflete um problema nacional: pessoas adquirindo as canetas sem prescrição médica, muitas vezes de fontes duvidosas, como contrabandos do Paraguai. Essa prática de automedicação expõe os usuários a riscos severos.

“A caneta é um medicamento, tem as suas contraindicações, recomendações e tudo mais. E quem vai te responder em relação à contraindicação, à dosagem e o tempo que você vai utilizar, vai ser o médico”, ressaltou.

O uso de dosagens incorretas e a manutenção de hábitos alimentares inadequados — como a ingestão de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados — têm levado pacientes a internações hospitalares, frequentemente com quadros de pancreatite. “Geralmente esse paciente chega lá negando o uso da caneta. Por quê? Ele fez o uso por conta própria. E fez o uso da dosagem incorreta”, relatou a nutricionista.

A importância da procedência

Durante a entrevista, os comunicadores levantaram a questão sobre como identificar a procedência segura das canetas emagrecedoras e de outros suplementos, como a creatina, que frequentemente são alvos de falsificação.

A orientação de Laisla Bonfati foi categórica: a compra deve ser feita exclusivamente em drogarias de confiança, mediante apresentação de receita médica. “Você tem que comprar na drogaria, na farmácia, não é na mão do seu vizinho, do seu amigo da academia, da sua tia que vende ali escondido”, alertou.

A especialista também chamou a atenção para a desconfiança necessária diante de preços muito abaixo do mercado. “Uma marca muito estranha que você nunca viu, um valor muito acessível. Desconfia, pula fora. É preferível você não comprar.”

Prevenção

Ao final da entrevista, a nutricionista reforçou que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz e econômica para a manutenção da saúde. A obesidade não é apenas uma questão estética, mas uma doença crônica que atua como gatilho para diversas outras comorbidades, como diabetes, colesterol alto e hipertensão.

“Quando você busca a prevenção, não é que você esteja procurando doença, mas é uma forma de olhar para o futuro e tentar entender se você tem algo, e se você tiver, de que forma que você pode cuidar daquilo”, concluiu Laisla Bonfati, lembrando que práticas erradas são cumulativas e que a mudança de hábitos é o único caminho sustentável para a saúde a longo prazo.