O estabelecimento onde os três homens conviviam e que sediou a tragédia/ Foto: Evangelista Rocha
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Até agora os familiares e amigos das três vítimas da tragédia ocorrida ontem em Marabá, tentam entender o que aconteceu. Ex-funcionário da casa de poker, Raimundo Santos Cabral, o Kim Brown, atirou no ex-patrão, Rafael Torelli, e também no ex-colega de trabalho Ricardo Farias da Silva, o “Quaresma”, de 25 anos, depois se afastou do local e atirou contra a própria cabeça. Tudo isso aconteceu por volta das 16h30 entre a Avenida 2000 e a Rua Araguaia, uma das áreas mais movimentadas no Novo Horizonte, núcleo Cidade Nova.

“Kim Brow” teve um momento de fúria incontrolável e causou tragédia/ Foto: reprodução
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Kim Brown e Quaresma morreram ainda no local, onde os corpos foram removidos pelo Instituto Médico Legal (IML) minutos depois. Rafael, proprietário do estabelecimento, foi socorrido e encaminhado em estado grave para atendimento médico, mas morreu pouco tempo depois em uma clínica particular. O tiro atingiu a cabeça de Rafael, que além de empresário era servidor do Tribunal Regional Federal (TRT-8).

Uma das primeiras autoridades a chegar ao sítio do acontecimento criminoso, o sargento Isaías, da Polícia Militar, coletou a informação de que Kim Brown tinha sido demitido da casa de poker, havia pouco tempo, acusado de roubo na empresa. Desde então, ele ficou revoltado, pois sempre alegou inocência. A angústia dele se transformou em ódio contra o patrão Rafael e contra o colega “Quaresma” que teria feito a acusação para o patrão, causando sua demissão.

Ricardo, conhecido como “Quaresma”, deixa uma filha pequena órfã de pai/ Foto: reprodução

“O Quaresma ‘derrubou’ ele para o Rafael, que é o dono. O Rafael demitiu o Kim Brown e esse ficou sem saber o que fazer da vida, arrumou um (revólver) 38, veio, matou o Quaresma e atirou no patrão, que foi com vida ainda para o hospital. Depois se afastou uns 150 metros e atirou na própria cabeça”, relatou o sargento para a reportagem.

“Kim Brown” caiu morto quase por cima da arma utilizada no crime, que foi apreendida pela Polícia Militar e entregue ao Departamento de Homicídios da Polícia Civil, que deve investigar o caso. Testemunhas foram conduzidas para a 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil para prestarem os primeiros depoimentos.

Rafael Torelli morreu em uma clínica particular com um tiro na cabeça/ Foto: reprodução

FAMÍLIAS FALAM

A irmã mais velha de Quaresma, Izoete Farias da Costa, foi ao local onde ele foi morto assim que soube do caso. Segundo ela, a vítima morava no Bairro Novo Planalto e deixa uma filha de três anos. O bombeiro militar José Santos Barreto, tio de Kim Brown, também conversou com o Correio de Carajás e informou que o sobrinho dele morava no bairro Francisco Coelho, o “Cabelo Seco”, na Velha Marabá, tinha como profissão segurança e atualmente estava trabalhando na casa de poker.

Mas sobre o acontecido, o tio dele diz que todos foram pegos de surpresa. “Hoje eu soube que houve os tiros e que ele acabou atirando em si depois. A família não sabe nada dos motivos, foi uma tragédia inesperada”, lamentou.

OAB Marabá emite nota de pesar pela tragédia

A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Subseção Marabá emitiu nota de pesar no início da noite, manifestando seu mais profundo pesar pelo trágico falecimento de Rafael Torelli, que era servidor da 4ª Vara da Justiça do Trabalho (TRT8) de Marabá.

“A OAB Subseção Marabá lamenta profundamente o ocorrido, e reafirma seu compromisso na luta no combate à violência e no aumento da segurança pública na sociedade marabaense, para que casos como este não mais ocorram em nossa região”, diz trecho da nota da entidade.

Ainda de acordo com o documento oficial da OAB, Rafael Torelli sempre contribuiu para o bom e célere andamento da justiça trabalhista em Marabá, especialmente na 4ª Vara do Trabalho, colaborando com os demais servidores, juízes e advogados para entregar de forma efetiva a justiça almejada pelos jurisdicionados.

“O presidente da OAB Subseção Marabá, Ismael Gaia, expressa a mais profunda solidariedade aos familiares, colegas servidores da Justiça do Trabalho e amigos. E pede a Deus que dê a Rafael Torelli, o merecido repouso eterno em seu reino. Muito respeitosamente, prestamos as nossas condolências e deixamos os nossos mais sinceros pêsames”, diz a parte final da nota pública.

(Chagas Filho, Luciana Marschall com informações de Evangelista Rocha e Josseli Carvalho)

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