Correio de Carajás

“Não tem como não se emocionar”, diz devota de Nossa Senhora de Nazaré

AMOR E DEVOÇÃO

Jacira tem um altar na sala de casa e uma grande imagem de Nossa Senhora - Fotos: Evangelista Rocha
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Se tem um mês que certamente é o mais amado pelos paraenses é outubro, quando é celebrado o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Apesar da festa ser originalmente católica, com o passar dos anos homenagens e manifestações de amor, fé e respeito de outras religiões ganharam espaço no evento, emocionando até mesmo quem não é católico.

No período que antecede o terceiro domingo de outubro, em Marabá, as casas começam a ser enfeitadas com flores e fitas coloridas, além de pequenos altares particulares, que vão tomando espaço nas salas e varandas.

Durante o Círio, um verdadeiro espetáculo de devoção, amor e caridade pode ser visto e sentido entre os fiéis da “Nazinha”, como é carinhosamente chamada por seus devotos.

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Jacira conversou com a reportagem do Portal Correio de Carajás e falou sobre fé e emoção

Jacira Gurgel, 69 anos, nasceu em Cametá e foi criada na cidade de Tucuruí. Estudou em colégio católico e cresceu em uma família devota de Nossa Senhora. Praticante e assídua na igreja desde muito nova, dona Jacira acredita na importância de conservar a fé.

“A fé move montanhas. Acreditamos que Maria é a intercessora de Jesus. Se você tem um filho e alguém fizer alguma coisa com seu filho ele vai recorrer a você. E se você for pedir para o seu filho ela não vai dizer não”, acredita.

Atualmente, Jacira é ministra de eucaristia na Catedral na Velha Marabá. Contudo, gosta de ressaltar que já participou da renovação carismática e já foi coordenadora de grupo “Não é a religião que salva. É Deus. Eu sou praticante e tenho muita fé em Deus e em Nossa Senhora”.

Ao Correio de Carajás, a devota afirma que passou todos seus ensinamentos cristãos aos três filhos, que consequentemente repassaram aos seus netos. “Nossa família é muito católica”.

Com a pandemia, ela passou a fazer três terços todos os dias. Um deles é às 3 horas da manhã. Jacira afirma que mesmo cansada, quando o relógio marca 2h55 ela levanta para rezar o terço e fazer a novena da Divina Misericórdia.

Relação com o Círio

“Eu sempre gostei de Nossa Senhora das Graças, tenho até uma medalha que uma amiga me deu ano atrás. Maria é uma só. Mas o Círio é algo inexplicável”.

Dona Jacira conta que desde que chegou à Marabá, acompanha a passagem da Santa na porta de casa. Na calçada, sempre fez um arranjo de flores e um pequeno altar.

A cada ano, os arranjos aumentavam, o altar se tornava algo maior e a emoção de ver Nossa Senhora de Nazaré passar continua a mesma por todos os anos.

O altar, aliás, foi uma promessa da devota.

“Prometi que enquanto eu estiver viva vou montar um altar. E eu sempre quero fazer o melhor aqui na frente. Todo ano faço alguma coisa diferente. É uma emoção muito grande. Todo mundo se emociona, não tem como. Muitas coisas que conseguimos nessa vida, tenho certeza que foi por causa da benção divina de Maria. Maria é tudo pra mim”.

Todo os anos, quando a imagem vai se aproximando, Jacira desce as escadas e acompanha a passagem da Santa da calçada. “Nunca vi da varanda. Comecei vendo o Círio lá de baixo e eu continuo indo lá pra baixo. Na varanda ficam os amigos”, referindo-se à varanda da casa, localizada no andar superior.

Com um arsenal de mais de 200 imagens de santos, ela afirma que a maioria delas ganhou de amigos

Tradicional café da manhã

Conhecida por seu delicioso e farto café da manhã, servido no domingo de Círio para romeiros e promesseiros que acompanham o trajeto da romaria, Dona Jacira ressalta que não é uma promessa.

Segundo ela, o café da manhã surgiu devido ao fato de que muitas pessoas vêm de lugares distantes, saem de casa de madrugada e nem chegam a tomar café. “Foi uma forma de ajudar. Na verdade, começou a família que se reunia aqui para ver a imagem passar. Aí um acaba trazendo um amigo, o amigo traz outro amigo… e o café da manhã foi crescendo”, relembra.

No início eram apenas dois bolos. No último café da manhã, dona Jacira nem lembra a quantidade de bolos produzidos e doados, mas sabe quem mais só a equipe responsável por isso gira em torno de 20 pessoas.

“É muita gente. Mais de setenta pessoas ajudam direta e indiretamente na produção do café da manhã do Círio”.

À reportagem, Jacira confirma que muita gente passa por sua casa durante a manhã do terceiro domingo de outubro. “Fazemos café da manhã para quase duas mil pessoas. E sabe a única coisa que eu compro? 50 litros de leite. Mas o vendedor já me disse que na próxima vez é pra eu avisar que ele vai doar 25 litros. As pessoas sentem prazer em ajudar”.

Após toda a procissão passar e algumas pessoas já terem passado pela sua casa, é a vez dos garis. Dona Jacira sabe da importância que eles têm na limpeza na cidade após a manifestação religiosa.

“Eles são os últimos que vem tomar café. Chamo pra subir e eles comem a vontade”.

Círio 2021

Assim como no ano de 2020, o Círio dessa vez não será da forma tradicional que os fiéis estão acostumados. Por conta da pandemia, muita coisa teve que ser ajustada, inclusive a romaria, que dessa vez será feita em um carro, sem a procissão dos romeiros caminhando atrás da santa.

Mas a devota relembra a emoção dos Círios anteriores. “Fico elétrica. Não consigo comer, não consigo dormir. Fico nervosa. Quinze dias antes já começo a encher minha casa de arranjos, flores e deixo tudo enfeitado. Mas assim como no ano passado, que não terá procissão e nem encontros, vou somente ver Nossa Senhora passar da calçada”.

Questionada sobre seu pedido neste Círio, ela é enfática. “Desejo paz no mundo, a cura da pandemia e a união nas famílias. Família unida é uma benção”. (Ana Mangas)

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