Correio de Carajás

Não é de Aldo Rebelo áudio que culpa Lula por alta de combustíveis

Falso
É falso o áudio que atribui ao ex-ministro Aldo Rebelo críticas ao PT em relação à corrupção na Petrobras e sugestão para que a estatal seja dividida “para acabar com o monopólio”. Não há nenhum registro de que o político tenha gravado tais afirmações, e ele próprio nega ser o autor.
Conteúdo investigadoÁudio com imagem estática do ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo (PDT) com a legenda “Urgente – Vaza áudio de Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma”. Na gravação, a voz diz que “nenhum presidente tem a possibilidade de controlar os preços da Petrobras” porque “os governos do PT roubaram” a estatal e, com isso, o também ex-presidente Michel Temer (MDB) teria sido obrigado a fazer acordos que incluíam manter a política de preços. Por fim, o criador do áudio sugere fatiar a Petrobras para “acabar com o monopólio”.

Onde foi publicado: Facebook e YouTube. Na primeira rede, o conteúdo foi classificado como falso.

Conclusão do Comprova: É falso um áudio que circula nas redes sociais atribuindo críticas ao PT em relação à Petrobras ao ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo. A postagem usa uma imagem estática do ex-ministro com a legenda “Urgente – Vaza áudio de Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma”. O próprio Rebelo negou a autoria do áudio. Em resposta ao Comprova, afirmou que o material utiliza expressões que ele não usa e um conteúdo que não defende.

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Entre outras coisas, no áudio, que não teve a origem identificada, a pessoa que se passa pelo ex-ministro diz que “ninguém tem a possibilidade de controlar os preços da Petrobras, por um simples motivo: acordos zilionários foram feitos por Michel Temer na Justiça americana”. Afirma ainda que a estatal teria sido “vendida por Lula” e “pelo PT”, o que não é verdade. Como mostra o site da Petrobras, o governo brasileiro é o acionista majoritário.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos de maior alcance nas redes sociais. O post verificado aqui teve ao menos 9,6 mil visualizações e 6,6 mil compartilhamentos no Facebook.

O que diz o autor da publicação: Dois perfis que postaram o conteúdo falso no Facebook foram procurados pela reportagem, mas não responderam. Em suas páginas, ambos defendem pautas bolsonaristas – um deles afirma ser a favor de intervenção militar.

Como verificamos: O primeiro passo foi fazer uma busca no Google por termos como “Aldo Rebelo” e “Petrobras”, o que resultou em um tuíte do político negando a autoria do áudio e em verificações de agências como Aos Fatos e Boatos.org. Paralelamente, o Comprova também entrou em contato com o ex-ministro por meio de mensagem pelo WhatsApp para que ele comentasse a gravação.

A equipe pesquisou ainda informações sobre a alta do preço dos combustíveis em reportagens e no site da Petrobras.

Aldo Rebelo nega ser autor do áudio

Procurado pelo Comprova, Aldo Rebelo enviou um vídeo e negou ser o autor do áudio. “É uma imitação grosseira da minha voz, do meu sotaque, como quem ouviu pode perceber”, disse ele. Aldo Rebelo atribuiu a falsificação “ao temor dos autores do impacto que o preço dos combustíveis está tendo sobre o preço dos alimentos e das passagens”, que “ajudam a jogar uma inflação elevada nas costas, principalmente, dos trabalhadores, dos desempregados e da classe média”.

“O desespero levou à produção desse áudio, em linguagem que não costumo utilizar”, afirmou Aldo Rebelo ao Comprova. Ele disse ainda que está procurando identificar “os autores e os difusores para o devido processo legal”.

O ex-ministro também se pronunciou no Twitter. Na rede social, publicou: “Há um áudio apócrifo circulando e a mim atribuído sobre a Petrobras, com expressões que não uso e conteúdo que não defendo. A minha conclusão é que os autores do áudio fake estão muito preocupados com o impacto dos preços dos combustíveis no preço dos alimentos e nas eleições”.

Alta dos combustíveis

“Bolsonaro nem ninguém, nenhum presidente da República, seja de esquerda ou de direita, pode ser de qualquer coisa, tem a possibilidade de controlar os preços da Petrobras.” Assim começa a peça de desinformação que circula nas redes, que procura tirar qualquer responsabilidade do chefe do Executivo sobre a alta do preço dos combustíveis, que, desde o ano passado, é “a principal preocupação do governo e tornou-se também a da campanha de reeleição do presidente”, como informa a Folha.

Embora a gravação diga não ser possível controlar os preços da estatal, durante o governo Dilma Rousseff (PT), de 2011 a 2016, a Petrobras conteve o aumento de preços para segurar a inflação, o que a endividou ainda mais.

O áudio falso segue comentários feitos por Bolsonaro, que já afirmou ter vontade de privatizar a Petrobras. “Aumentou a gasolina? Culpa do Bolsonaro! Eu já tenho vontade de privatizar a Petrobras, tenho vontade. Vou ver com a equipe econômica o que a gente pode fazer”, disse ele, em outubro de 2021.

A alta é reflexo de aumentos promovidos pela Petrobras em suas refinarias – só a gasolina, em 2021, sofreu reajustes de mais de 70% e, em 2022, 24,5% –, motivada, entre outros pontos, pela alta do preço internacional do barril de petróleo e do dólar. Em seu site, a estatal afirma que “o preço é definido pelos movimentos de oferta e demanda no mercado global” e que o valor “da gasolina segue referências do mercado” e é impactado, principalmente, pelo preço do petróleo.

A política atual de preços, chamada Preço de Paridade Internacional (PPI), que segue a cotação mundial do barril em dólar, foi implementada em 2016, durante o governo Temer, como informa o Estado de Minas.

Ainda em sua página, a Petrobras explica a formação do preço do litro da gasolina dando o exemplo do preço médio no país. Em 9 de junho, era de R$ 7,22, composto da seguinte maneira:

  • R$ 0,99 (13,7%): distribuição e revenda
  • R$ 0,98 (13,6%): custo etanol anidro
  • R$ 1,75 (24,2): imposto estadual
  • R$ 0,69 (9,6%): impostos federais
  • R$ 2,81 (38,9%): parcela Petrobras

Por que investigamos: O Comprova investiga conteúdos suspeitos que viralizaram nas redes sociais sobre a pandemia, políticas públicas do governo federal e eleições presidenciais. Conteúdos falsos que envolvem atores políticos, como o verificado aqui, trazem prejuízos ao processo democrático e atrapalham a decisão do eleitor, que deve ser tomada com base em informações verdadeiras.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova verificou recentemente outros conteúdos falsos envolvendo o nome de Lula, como o que afirmava que a revista Veja cortou a mão do ex-presidente em foto, o de post que usa áudio com imitação do petista para confundir sobre acusações de corrupção e o que desinforma ao dizer que Lula roubou 350 mil toneladas de ouro de Serra Pelada e deu dinheiro para Venezuela.

Desde 2020 o Correio de Carajás integra o Projeto Comprova, que reúne jornalistas de 41 diferentes veículos de comunicação brasileiros para investigar conteúdos enganosos, inventados e deliberadamente falsos sobre políticas públicas, eleições e a pandemia de covid-19 compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.