📅 Publicado em 31/07/2026 17h02✏️ Atualizado em 31/07/2026 17h03
Começa a valer neste domingo (2) a interdição do principal acesso ao bairro Nossa Senhora Aparecida, conhecido como Coca-Cola, na Nova Marabá. A mudança integra mais uma etapa do projeto Novas Pontes, executado pela mineradora Vale, e exigirá que motoristas alterem a rota utilizada diariamente para entrar e sair da comunidade. Com o bloqueio, os veículos deverão acessar o bairro exclusivamente pelo viaduto do Km 7, enquanto pedestres e ciclistas continuarão utilizando um corredor sinalizado para realizar a travessia em segurança.
Segundo a Vale, a medida é temporária e necessária para possibilitar a construção da alça viária que fará a integração entre a Rodovia PA-150, o bairro São Félix e a nova ponte rodoviária sobre o Rio Tocantins.
A empresa afirma que a intervenção busca aumentar a segurança viária e permitir o avanço das obras sem riscos para trabalhadores e moradores. O planejamento do desvio foi elaborado em conjunto com os órgãos de trânsito competentes, incluindo alterações no sentido de algumas vias, com o objetivo de manter a fluidez do tráfego durante o período de interdição.
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Na manhã desta sexta-feira (31), a reportagem do Correio de Carajás esteve no bairro para conversar com moradores e comerciantes que vivem e trabalham nas proximidades do túnel de acesso. Embora haja reconhecimento quanto à importância da obra para a mobilidade da cidade, os impactos imediatos provocados pelo bloqueio dividem opiniões.
Moradora da Coca-Cola desde 2007, a costureira Domingas Zélia acredita que o fechamento tornará o deslocamento mais difícil para quem depende diariamente da via. Na avaliação dela, a interdição poderia ocorrer de forma parcial, reduzindo os transtornos enfrentados pelos moradores. “Eu acho muito difícil, porque a gente vai ter que dar uma volta enorme para atravessar. Entendo que faz parte da obra, mas poderiam fechar só um lado e deixar o outro funcionando. Desse jeito vai complicar muito a vida de quem mora aqui.”

Já o vendedor Maurício Brito, que trabalha às margens da via que será interditada, reconhece que haverá mudanças na rotina de quem circula pela região, principalmente nos horários de pico, mas acredita que os benefícios futuros compensarão os transtornos temporários. Para ele, além de melhorar o fluxo de veículos quando concluída, a obra poderá impulsionar o comércio instalado no bairro.
“No começo vai diminuir a mobilidade e muita gente vai precisar sair mais cedo de casa, mas acredito que seja algo passageiro. Depois o trânsito deve melhorar e o movimento maior também pode dar mais visibilidade para os comércios daqui.”

A autônoma Jainy Cruz, moradora do recente bairro Ferrovia – nas proximidades da entrada da Coca-Cola – também considera a interdição necessária. Ela relata que recebeu orientações da Vale sobre as mudanças e acredita que a circulação de máquinas pesadas durante as obras exige maior controle do tráfego, embora reconheça que alguns comerciantes possam sentir reflexos financeiros durante o período de bloqueio.
“Vai passar muita máquina pesada por aqui e muita gente não respeita a sinalização. Acho que o fechamento é importante para evitar acidentes. Alguns comerciantes podem sentir esse impacto, mas acredito que seja por pouco tempo.”

Em nota encaminhada ao Correio, a Vale reiterou que o desvio temporário é indispensável para a execução da nova alça viária, responsável por integrar a PA-150 e o bairro São Félix à nova ponte rodoviária. A empresa destacou que a interdição será restrita ao tráfego de veículos, mantendo uma passagem segura para pedestres e ciclistas, e informou que todo o planejamento operacional foi desenvolvido em conjunto com os órgãos responsáveis pelo trânsito.
A mineradora também se manifestou sobre questionamentos envolvendo a região do Morro Alto, informando que as intervenções seguem critérios técnicos relacionados à drenagem, às características do terreno e à segurança das comunidades vizinhas. Segundo a empresa, as obras são realizadas em área de sua propriedade e não interferem nos acessos atualmente utilizados pela população para deslocamento.


