Correio de Carajás

Mulheres fazem passeata após vários assassinatos no segundo semestre

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Entidades de proteção às mulheres realizam nesta manhã, quinta-feira (5), uma passeata, na Marabá Pioneira, pedindo um basta à violência contra a mulher. A mobilização ocorre num momento em que medidas como esta – e muitas outras – ganham caráter de urgência. No segundo semestre deste ano, em Marabá e região, pelo menos 14 mulheres foram assassinadas. Os casos são os mais variados possíveis, nem tudo é feminicídio. Mas uma coisa é certa: há tempos não se via tantas mulheres vítimas de morte violenta como se tem visto agora.

A caminhada de hoje, cuja concentração será em frente ao Palacete Augusto Dias, antiga sede do Poder Legislativo Municipal, integra as ações do Outubro Rosa, mês dedicado a ações que tratam da saúde – e da integridade de forma geral – da mulher. O ato tem entre seus participantes Maria de Jesus Moreira de Souza. Ela é mãe de Eliane de Souza Jorge, morta aos 37 anos, pelo ex-companheiro, no dia 20 do mês passado, em Marabá.

O caso de Eliane foi um dos últimos, mas desde julho os casos vêm se intensificando. De acordo com o que foi noticiado pelo Jornal Correio, foram mortas três mulheres naquele mês; em agosto, mais três assassinatos foram registrados; e no mês passado (setembro) – pasme – foram noticiados nada menos de oito execuções de mulheres. São duas mortes por semana, ocorridas em Marabá, São Domingos e Itupiranga.

Leia mais:

E vale dizer que existem casos denunciados, mas que podem não ter chegado ao conhecimento do jornal, assim como existem casos que nunca foram denunciados à polícia.

Vamos aos casos

Em julho, foi encontrada uma ossada humana na cidade de São Domingos do Araguaia, que mais tarde foi identificada como a adolescente Maria de Jesus Silva, de 16 anos, cujos motivos do crime e o autor ainda permanecem um mistério.

No mesmo mês, a jovem Bianca Félix da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta com uma facada no peito, numa grota em um matagal no bairro Nossa Senhora Aparecida, conhecida como “Invasão da Coca-Cola”, na Nova Marabá.

Outro caso foi o de Maria Fernandes da Silva. Ela já tinha 60 anos de idade. Mas o fato de ser uma anciã não impediu que ela e o companheiro (também idoso) fossem crivados de bala por pistoleiros em Itupiranga.

No mês de agosto, Keith Arquisa da Costa, de 30 anos, foi morta com um tiro na nuca, que lhe transfixou o olho. Ela morava nos arredores do terminal rodoviário do Km 6 (Nova Marabá), em área conhecida como Cracolândia, e provavelmente foi morta devido ao tráfico de drogas.

Outro caso de provável envolvimento com drogas – também em agosto – resultou no assassinato de Jéssica Lima Moreira, de apenas 21 anos. Ela foi executada em plena luz do dia no bairro Novo Horizonte, núcleo Cidade Nova. Um ex-namorado traficante pode estar envolvido.

Também em agosto ocorreu um dos casos de maior repercussão no ano: o assassinato de Dara Vitória Alves da Silva, de apenas 16 anos, cujo corpo foi encontrado sem roupa no bairro Amapá, nas margens do Rio Itacaiúnas. O namorado dela chegou a ser preso, acusado do crime, mas num desfecho cinematográfico, o caso tomou outro rumo, quando o vigilante Albert Pereira Mousinho, de 32 anos, tentou fugir com dinheiro da agência do Banco do Brasil do bairro Amapá, mantendo funcionários como reféns. O dinheiro era para fugir de Marabá, já que ele foi quem matou Dara e havia sido filmado pelas câmeras de segurança da cidade.

Setembro: um mês macabro

Numa fazenda no município de São Domingos do Araguaia, foi assassinada junto com o companheiro, Edilene Nunes da Silva, de 42 anos. O acusado é o próprio filho, Júlio Wanderson Santana Nunes da Silva, que foi preso no Estado do Goiás. O rapaz tem problemas mentais.

Também em São Domingos do Araguaia, só que no perímetro urbano, foi morta com um tiro no rosto Elaine Nascimento, de 35 anos, executada na lanchonete da família dela, seis meses depois que criminosos mataram o marido dela, também em São Domingos.

Também no mês de setembro se registrou um duplo assassinato de mulheres: Ruthilene Albuquerque Paiva e Maria de Nazaré Pinto foram executadas numa “boca de fumo” na Folha 28 (Nova Marabá). Elas eram usuárias de drogas.

Casos marcantes

Daí em diante, no mês de setembro, ocorreram quatro casos de extrema repercussão. O primeiro deles foi o assassinato de Francisca Cunha Morgado, de 53 anos, morta dentro da própria casa, no Núcleo Morada Nova. Até hoje não se sabe se a morte dela foi um feminicídio, um femicídio ou um latrocínio.

No dia 20, outro caso emblemático, este sim devidamente caracterizado como feminicídio. Eliane de Sousa Jorge, de 37 anos, foi morta asfixiada pelo ex-companheiro Márcio Basílio Furtado, com quem a vítima ainda se relacionava. A morte dela acabou se configurando como dispositivo mobilizador do protesto desta quinta-feira (5).

No longínquo município de São Félix do Xingu, outro caso escabroso. A advogada Edilamar Martins Silva foi morta a golpes de enxada pelo funcionário da fazenda dela, Kenny Müller Barbosa Neves, de 18 anos (preso em flagrante). Além de matar, ele ainda ateou fogo no corpo da advogada.

Por último, no dia 27 de setembro, uma cena de arrepiar chocou os viajantes que trafegavam pela Rodovia Transamazônica, à altura da Vila Santana, município de São Domingos do Araguaia: um carro parado na beira da pista abrigava uma mulher morta com um tiro na cabeça e ao seu lado sua filhinha, de apenas três anos de idade, chorando, em estado de choque diante do corpo da mãe sem vida. A morte dela pode estar ligada com o assassinato do ex-namorado, Jair Pedroso, morto em março e cujo corpo foi encontrado na mesma rodovia, mas bem distante dali.

(Chagas Filho)

 

 

Entidades de proteção às mulheres realizam nesta manhã, quinta-feira (5), uma passeata, na Marabá Pioneira, pedindo um basta à violência contra a mulher. A mobilização ocorre num momento em que medidas como esta – e muitas outras – ganham caráter de urgência. No segundo semestre deste ano, em Marabá e região, pelo menos 14 mulheres foram assassinadas. Os casos são os mais variados possíveis, nem tudo é feminicídio. Mas uma coisa é certa: há tempos não se via tantas mulheres vítimas de morte violenta como se tem visto agora.

A caminhada de hoje, cuja concentração será em frente ao Palacete Augusto Dias, antiga sede do Poder Legislativo Municipal, integra as ações do Outubro Rosa, mês dedicado a ações que tratam da saúde – e da integridade de forma geral – da mulher. O ato tem entre seus participantes Maria de Jesus Moreira de Souza. Ela é mãe de Eliane de Souza Jorge, morta aos 37 anos, pelo ex-companheiro, no dia 20 do mês passado, em Marabá.

O caso de Eliane foi um dos últimos, mas desde julho os casos vêm se intensificando. De acordo com o que foi noticiado pelo Jornal Correio, foram mortas três mulheres naquele mês; em agosto, mais três assassinatos foram registrados; e no mês passado (setembro) – pasme – foram noticiados nada menos de oito execuções de mulheres. São duas mortes por semana, ocorridas em Marabá, São Domingos e Itupiranga.

E vale dizer que existem casos denunciados, mas que podem não ter chegado ao conhecimento do jornal, assim como existem casos que nunca foram denunciados à polícia.

Vamos aos casos

Em julho, foi encontrada uma ossada humana na cidade de São Domingos do Araguaia, que mais tarde foi identificada como a adolescente Maria de Jesus Silva, de 16 anos, cujos motivos do crime e o autor ainda permanecem um mistério.

No mesmo mês, a jovem Bianca Félix da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta com uma facada no peito, numa grota em um matagal no bairro Nossa Senhora Aparecida, conhecida como “Invasão da Coca-Cola”, na Nova Marabá.

Outro caso foi o de Maria Fernandes da Silva. Ela já tinha 60 anos de idade. Mas o fato de ser uma anciã não impediu que ela e o companheiro (também idoso) fossem crivados de bala por pistoleiros em Itupiranga.

No mês de agosto, Keith Arquisa da Costa, de 30 anos, foi morta com um tiro na nuca, que lhe transfixou o olho. Ela morava nos arredores do terminal rodoviário do Km 6 (Nova Marabá), em área conhecida como Cracolândia, e provavelmente foi morta devido ao tráfico de drogas.

Outro caso de provável envolvimento com drogas – também em agosto – resultou no assassinato de Jéssica Lima Moreira, de apenas 21 anos. Ela foi executada em plena luz do dia no bairro Novo Horizonte, núcleo Cidade Nova. Um ex-namorado traficante pode estar envolvido.

Também em agosto ocorreu um dos casos de maior repercussão no ano: o assassinato de Dara Vitória Alves da Silva, de apenas 16 anos, cujo corpo foi encontrado sem roupa no bairro Amapá, nas margens do Rio Itacaiúnas. O namorado dela chegou a ser preso, acusado do crime, mas num desfecho cinematográfico, o caso tomou outro rumo, quando o vigilante Albert Pereira Mousinho, de 32 anos, tentou fugir com dinheiro da agência do Banco do Brasil do bairro Amapá, mantendo funcionários como reféns. O dinheiro era para fugir de Marabá, já que ele foi quem matou Dara e havia sido filmado pelas câmeras de segurança da cidade.

Setembro: um mês macabro

Numa fazenda no município de São Domingos do Araguaia, foi assassinada junto com o companheiro, Edilene Nunes da Silva, de 42 anos. O acusado é o próprio filho, Júlio Wanderson Santana Nunes da Silva, que foi preso no Estado do Goiás. O rapaz tem problemas mentais.

Também em São Domingos do Araguaia, só que no perímetro urbano, foi morta com um tiro no rosto Elaine Nascimento, de 35 anos, executada na lanchonete da família dela, seis meses depois que criminosos mataram o marido dela, também em São Domingos.

Também no mês de setembro se registrou um duplo assassinato de mulheres: Ruthilene Albuquerque Paiva e Maria de Nazaré Pinto foram executadas numa “boca de fumo” na Folha 28 (Nova Marabá). Elas eram usuárias de drogas.

Casos marcantes

Daí em diante, no mês de setembro, ocorreram quatro casos de extrema repercussão. O primeiro deles foi o assassinato de Francisca Cunha Morgado, de 53 anos, morta dentro da própria casa, no Núcleo Morada Nova. Até hoje não se sabe se a morte dela foi um feminicídio, um femicídio ou um latrocínio.

No dia 20, outro caso emblemático, este sim devidamente caracterizado como feminicídio. Eliane de Sousa Jorge, de 37 anos, foi morta asfixiada pelo ex-companheiro Márcio Basílio Furtado, com quem a vítima ainda se relacionava. A morte dela acabou se configurando como dispositivo mobilizador do protesto desta quinta-feira (5).

No longínquo município de São Félix do Xingu, outro caso escabroso. A advogada Edilamar Martins Silva foi morta a golpes de enxada pelo funcionário da fazenda dela, Kenny Müller Barbosa Neves, de 18 anos (preso em flagrante). Além de matar, ele ainda ateou fogo no corpo da advogada.

Por último, no dia 27 de setembro, uma cena de arrepiar chocou os viajantes que trafegavam pela Rodovia Transamazônica, à altura da Vila Santana, município de São Domingos do Araguaia: um carro parado na beira da pista abrigava uma mulher morta com um tiro na cabeça e ao seu lado sua filhinha, de apenas três anos de idade, chorando, em estado de choque diante do corpo da mãe sem vida. A morte dela pode estar ligada com o assassinato do ex-namorado, Jair Pedroso, morto em março e cujo corpo foi encontrado na mesma rodovia, mas bem distante dali.

(Chagas Filho)

 

 

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