Correio de Carajás

Mulheres desafiam o topo da Serra das Andorinhas

Milene, a mais experiente da equipe feminina, conta como superar o medo de altura no highline
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Caminhar sobre linhas a um metro de altura já é desafiador para qualquer pessoa. Agora, imagine a 40 metros, no alto da Serra das Andorinhas, tendo abaixo apenas árvores e rochas? Foi isso que aconteceu durante uma semana, com uma equipe composta por seis mulheres e um homem.

Eles fazem parte da High.pa, uma equipe paraense que pratica o slackline e também o highline. Seis meninas ficaram no topo da Casa de Pedra, um dos pontos mais altos da Serra das Andorinhas, a mais de 400 metros acima do nível do mar.

Slackline é um esporte de equilíbrio que utiliza uma fita de nylon esticada entre dois pontos fixos, permitindo ao praticante andar e fazer manobras. Geralmente, isso acontece a uma baixa altitude. Já o highline O highline é considerada a modalidade mais radical e perigosa do slackline, que vem ganhando espaço em todo o Brasil e seduzindo pessoas cada vez mais jovens. Para quem gosta de aventura, o highline é o esporte da vez, exigindo muito equilíbrio e coragem dos atletas.

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A equipe feminina no topo da Casa de Pedra, na Serra das Andorinhas

Foi o que aconteceu durante uma semana na Serra das Andorinhas. Com aval prévio das autoridades competentes, o grupo High.pa encerrou sua temporada de 2020 na Serra das Andorinhas na última terça-feira, dia 4, com participação de seis mulheres e um homem.

Para chegar à Casa de Pedra, o próprio caminho já é uma aventura: uma trilha de aproximadamente 6km de nível intermediário, que sobe a serra e passa por cachoeiras, pedras de formatos peculiares, lagos, riachos e uma mostra da diversidade biológica do Parque. Além dessas trilhas, existem outros trajetos, tanto terrestres quanto fluviais – pelo rio Araguaia e seus afluentes – que exploram os atributos do Parque, como algumas de suas mais de 300 cavernas.

Milene Figueira, uma das mais experientes da equipe, revela que pratica slackline há cinco anos e começou na modalidade estática, mas em três meses já estava praticando highline e iniciando trickline. Mas hoje em dia o highline é a modalidade que eu mais gosto dentro do slackline”, confessa.

Ela conta que a primeira vez que o grupo veio a Serra das Andorinhas, em 2018, havia doze pessoas, incluindo o guia e ela era a única mulher na equipe. “A gente tinha a meta de incentivar as mulheres à prática esportiva para sentir a experiência de um lugar assim, alto, conhecendo um pouco mais do esporte. Queremos cada vez mais mulheres virando atletas e em contato com a natureza”.

Elas montaram fitas embaixo da Casa de Pedra para ensinar movimentos que seriam necessários, porque muitas delas nunca entraram no highline em uma serra. “Já fizeram isso numa via, venceram a barreira do medo da altura e da própria segurança, por que quando a gente entra ali, passa um monte de coisa na nossa cabeça e a gente só imagina que a corda vai romper, que a fita vai…” Enfim, são “enes” possibilidades que colocam a gente a acreditar que vai cair, não vai conseguir. Então, hoje eu já percebi que muitas delas já estão de novo e estão entrando mais confiantes pra tentar um drop, ficar em cima da fita, dar um passo, dois passos e seguir em frente”.

É preciso muito controle mental para praticar o highline, principalmente com vetos de 40 km/h na Serra

Maila Santos, uma das jovens aprendizes de highline, diz que pratica slackline há cinco anos, mas teve a primeira convivência de imersão no highline numa serra nos últimos dias, na Casa de Pedras. “É uma sensação muito boa, só que ao mesmo tempo que a gente sente essa sensação de liberdade, vem também uma adrenalina muito grande e o medo é enorme”, confessa.

Ela conta que a primeira vez que viu uma mulher na fita foi a Milene, que a inspirou muito. “Vejo a garra dela e como é uma mulher no meio de tantos homens, mas bastante respeitada. Ela me faz tentar superar sempre os desafios”, afirma.

Douglas Costa, gerente da Região Administrativa do Araguaia do Ideflor-Bio, que faz a gestão do Pesam (Parque Estadual Serra das Andorinhas) e APA Araguaia, do planejamento de retomada da visitação do uso público do parque faz parte o apoio à expedição do pessoal do highline, que são parceiros do parque e ajudam a divulgá-lo de forma positiva no Pará e em outras partes do País. “Eles vêm aqui, produzem vídeo institucional para orientar as pessoas que procuram o parque, porque esta é uma unidade de conservação de proteção integral, então pra visitar, para vim como pesquisador, como turista, requer primeiro uma autorização prévia do Ideflor-bio com termo de responsabilidade, com as normas que têm de ser tomadas para visitação e também precisam estar acompanhados de um condutor de trilha credenciado pelo Ideflor”, ressalta.

SAIBA MAIS

A Casa de Pedras tem aproximadamente 30 metros de altura e guarda, além de beleza dos seus entornos, uma história mística de mais de 60 anos, a qual remonta ao início da devoção ao Divino Espírito Santo na região do Araguaia.

Serra das Andorinhas continuará fechada

A Cachoeira Três Quedas, na Serra das Andorinhas, alvo de polêmica há cerca de 10 dias pela aglomeração de centenas de pessoas, permanece fechada em sem data para retornar.

Quem confirma a informação à Reportagem do CORREIO é o gestor do Ideflor-Bio em São Geraldo do Araguaia, Douglas Costa. Ele lembra que a área da Três Quedas fica dentro de uma propriedade privada, a qual está na APA (Área de Proteção Ambiental), uma espécie de zona de amortecimento do Pesam (Parque Estadual Serra das Andorinhas).

Douglas Costa diz que situação é avaliada semana a semana antes da reabertura da Serra das Andorinhas

Muitos turistas vão por motivos diferentes, mas a maioria é para desfrutar das cachoeiras que estão na APA e no Pesam. “O Pesam que é o Parque Serra das Andorinhas, que é uma unidade de conservação de proteção integral. Existem medidas para que a gente utilize essa unidade de conservação de forma que não venha degradar o meio ambiente, que é um dos eixos que nós trabalhamos, de uso público através do turismo. Estamos num plano de trabalho agora de retomada de todas as atividades. O governo do Pará como um todo, lançou o projeto “Retoma Pará” e nós estamos inseridos. O nosso planejamento é começar as estratégias para que, com a reabertura do parque, possamos receber e apoiar os atletas, jornalistas, turistas, pesquisadores e todas as pessoas que queiram utilizar e conhecer o nosso parque”, conta.

Douglas observa que ainda não há uma data específica para reabertura, e que isso deverá acontecer de forma planejada e oportuna. Não temos data, mas a gente vai avaliando a situação de semana em semana. Na medida que o vírus vai diminuindo a força e a transmissão, aí o Estado vai retomando as atividades”, observa. (Ulisses Pompeu)

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