Correio de Carajás

Muitas mãos, um único sonho

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Um projeto que começou como forma de estimular a produção de mandioca já começa a render emprego e renda para a comunidade de Palmares, que surgiu de assentamentos da reforma agrária. A produção de farinha que já começa a ganhar mercados de municípios vizinhos, é feita pela Cooperativa de Produtores da Palmares (Coopa), criada em 2013 para tentar fortalecer os produtores, que buscavam conseguir contratos com a prefeitura para fornecer produtos da merenda escolar. Aos poucos, a cooperativa vem se fortalecendo, ampliando sua comercialização e se destacando pela qualidade da farinha que produz.

Boa parte da produção abastece o mercado interno de Parauapebas, sendo vendido em feiras e comércios da cidade. O investimento em tecnologia para melhorar a produção de mandioca da cooperativa – e também a qualidade da farinha e seus derivados – está levando a produção para outros mercados da região.

Para mostrar um pouco do trabalho realizado pela cooperativa foi feita, na manhã desta segunda-feira (14), uma demonstração das etapas de beneficiamento da mandioca, da colheita até a fabricação da farinha, bolos, beiju e tucupi. Em média, a cooperativa produz 25 sacos de farinha por dia.

Leia mais:

A entidade, no entanto, planeja ampliar a produção e investir mais na fabricação de derivados da mandioca, como tapioca, tucupi e ração animal, além de iniciar o beneficiamento da folha de maniva, usada para fazer a maniçoba, prato tradicional da culinária paraense, escolhida recentemente, em pesquisa de opinião realizada com turistas de várias parte do mundo, como a melhor do País.

O projeto é um dos que deve ganhar incentivo da Secretária Municipal de Produção Rural (Sempror). O secretário da pasta, Eurival Martins, o Totô, destaca que é meta do governo municipal abrir o mercado para que os produtores da agricultura familiar sigam produzindo mais e melhor.

Ele enfatiza que ainda este ano deve ser implementado um projeto ampliando em 500 hectares o plantio de mandioca no município, com previsão de que seja expandido no ano que vem. O secretário observa que a diversificação da cadeia de produção garante geração de emprego renda para os agricultores e fortalece o homem do campo.

Parcerias

De acordo com o secretário, visando melhorar a técnica de cultivo e de produção de farinha e de derivados da mandioca, a Sempror está articulando junto a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Embrapa e Emater parceria técnica visando a realização de cursos de qualificação para agricultores.

“Ainda é preciso melhorar muito essa área e vamos buscar essas parcerias, que irão garantir produtos de melhor qualidade e, consequentemente, expandir o mercado local para outros centros comerciais da região e quem sabe de outros estados”, destaca Totô.

Farinha de tapioca brasileira já é produto de exportação                  

A farinha de mandioca é um dos componentes essenciais da dieta da população brasileira, notadamente das regiões Norte e Nordeste. A partir da raiz da mandioca (Manihot esculenta), o produto assume várias versões: farinha seca, d’água e mista; goma ou fécula; tucupi; e farinha de tapioca.

O processamento da raiz da mandioca é, frequentemente, realizado segundo métodos tradicionais, herdados dos indígenas, que foram os primeiros a cultivar a espécie. Embora ainda seja esse o modo de produção que prevalece em muitas comunidades rurais, a transformação industrial vem aumentando.

Na comunidade de Palmares, por exemplo, já é quase todo industrial. A colheita e o descascamento da mandioca ainda é feito artesanalmente e  emprega mão de obra de cooperados e não cooperados. Depois de descascada a mandioca é colocada na água.

Dependendo do tipo de raiz, esse processo leva mais de duas horas. Depois, é colocada no triturador. Em seguida, a massa resultante desse processo passa pela prensagem para a retirada do líquido. A etapa posterior ocorre com a retirada do bagaço através de uma peneira.

De lá, é lavada ao forno para a fabricação da farinha. O líquido que sai da raiz triturada passa por um processo de decantação, de onde é extraído o tucupi e a fécula, popularmente conhecida como massa de tapioca, alimento que a cada dia ganha mais o mercado nacional e até internacional por não conter glúten e é bastante usado por quem pratica academia.

Processo

A tecnologia de fabricação da farinha é simples, mas exige alguns cuidados no seu desenvolvimento. A seleção da matéria-prima adequada, a higiene e os cuidados durante todo o processo de fabricação são fatores fundamentais para garantir um produto de qualidade, ressalvadas as garantias de condições ideais de trabalho e a proteção ao meio ambiente.

Em diversas cores e texturas, a farinha é companhia obrigatória do feijão, peixe, churrasco e outros alimentos, como o açaí, que é indispensável na mesa do paraense.

Fonte de renda

Em muitas comunidades, a farinha não só é base da alimentação, mas também a principal fonte de renda. Na comunidade de Palmares, por exemplo, há grandes e pequenas plantações de mandioca. O cultivo do tubérculo, para muitos, faz parte da sua história de vida. Esse é o caso do agricultor Raimundo Rodrigues Trindade, que desde a infância cultiva mandioca e fabrica farinha. Ofício que aprendeu com o pai, também farinheiro.

Tesoureiro da Coopa, ele lembra que desde 2008 eles começaram o projeto de implantar a cooperativa, que se tornou realidade em 2013. Através dela, os colonos estão conseguindo fomentar a produção agrícola da localidade, centrada basicamente na fabricação de farinha. Ele diz que o sonho é tornar a produção industrial, inclusive com fiscalização da Vigilância Sanitária, atestando a qualidade do produto.

“Nós já solicitamos a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) que venha fazer uma vistoria na nossa fábrica de farinha, porque queremos nos adequar a todas as exigências de higiene, para termos um produto de excelente qualidade”, planeja Raimundo.

O agricultor ressalta que os produtores ainda têm dificuldades para fazer o transporte da mandioca até a cooperativa, da mesma forma que fazer a escoação do produto para a venda, porque ainda não contam com transporte próprio. Eles teriam apoio de parceiros nesse processo, mas a meta é conseguir superar essas dificuldades e já buscaram apoio do município.

 Assistência técnica ainda é gargalo para a produção

 A cooperativa conta atualmente com 30 associados, mas indiretamente geram emprego e rende para outras 30 pessoas. Raimundo afirma que por mês, a cooperativa fatura R$ 60 mil, resultado dividido com os cooperados. Outra dificuldade ainda é assistência técnica. Mas, Raimundo, diz que esperança está nos filhos dos agricultores que estão fazendo faculdade de agronomia e que devem depois ajudar a comunidade. Raimundo destaca que o projeto é fazer uma pesquisa com as variedades de mandioca, para saber qual é melhor para a produção de farinha em escala industrial. Com esse objetivo, eles estão tentando parcerias com a Ufra e a Universidade Federal do Maranhão.

Presidente da cooperativa, Cleonice Alves dos Santos, também espera que em breve a produção de Palmares ganhe mais espaço no mercado local. O novo passo a ser dado vai ser a fabricação de ração animal (com os resíduos da mandioca) e do tucupi em escala industrial. 

(Tina Santos)

Um projeto que começou como forma de estimular a produção de mandioca já começa a render emprego e renda para a comunidade de Palmares, que surgiu de assentamentos da reforma agrária. A produção de farinha que já começa a ganhar mercados de municípios vizinhos, é feita pela Cooperativa de Produtores da Palmares (Coopa), criada em 2013 para tentar fortalecer os produtores, que buscavam conseguir contratos com a prefeitura para fornecer produtos da merenda escolar. Aos poucos, a cooperativa vem se fortalecendo, ampliando sua comercialização e se destacando pela qualidade da farinha que produz.

Boa parte da produção abastece o mercado interno de Parauapebas, sendo vendido em feiras e comércios da cidade. O investimento em tecnologia para melhorar a produção de mandioca da cooperativa – e também a qualidade da farinha e seus derivados – está levando a produção para outros mercados da região.

Para mostrar um pouco do trabalho realizado pela cooperativa foi feita, na manhã desta segunda-feira (14), uma demonstração das etapas de beneficiamento da mandioca, da colheita até a fabricação da farinha, bolos, beiju e tucupi. Em média, a cooperativa produz 25 sacos de farinha por dia.

A entidade, no entanto, planeja ampliar a produção e investir mais na fabricação de derivados da mandioca, como tapioca, tucupi e ração animal, além de iniciar o beneficiamento da folha de maniva, usada para fazer a maniçoba, prato tradicional da culinária paraense, escolhida recentemente, em pesquisa de opinião realizada com turistas de várias parte do mundo, como a melhor do País.

O projeto é um dos que deve ganhar incentivo da Secretária Municipal de Produção Rural (Sempror). O secretário da pasta, Eurival Martins, o Totô, destaca que é meta do governo municipal abrir o mercado para que os produtores da agricultura familiar sigam produzindo mais e melhor.

Ele enfatiza que ainda este ano deve ser implementado um projeto ampliando em 500 hectares o plantio de mandioca no município, com previsão de que seja expandido no ano que vem. O secretário observa que a diversificação da cadeia de produção garante geração de emprego renda para os agricultores e fortalece o homem do campo.

Parcerias

De acordo com o secretário, visando melhorar a técnica de cultivo e de produção de farinha e de derivados da mandioca, a Sempror está articulando junto a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Embrapa e Emater parceria técnica visando a realização de cursos de qualificação para agricultores.

“Ainda é preciso melhorar muito essa área e vamos buscar essas parcerias, que irão garantir produtos de melhor qualidade e, consequentemente, expandir o mercado local para outros centros comerciais da região e quem sabe de outros estados”, destaca Totô.

Farinha de tapioca brasileira já é produto de exportação                  

A farinha de mandioca é um dos componentes essenciais da dieta da população brasileira, notadamente das regiões Norte e Nordeste. A partir da raiz da mandioca (Manihot esculenta), o produto assume várias versões: farinha seca, d’água e mista; goma ou fécula; tucupi; e farinha de tapioca.

O processamento da raiz da mandioca é, frequentemente, realizado segundo métodos tradicionais, herdados dos indígenas, que foram os primeiros a cultivar a espécie. Embora ainda seja esse o modo de produção que prevalece em muitas comunidades rurais, a transformação industrial vem aumentando.

Na comunidade de Palmares, por exemplo, já é quase todo industrial. A colheita e o descascamento da mandioca ainda é feito artesanalmente e  emprega mão de obra de cooperados e não cooperados. Depois de descascada a mandioca é colocada na água.

Dependendo do tipo de raiz, esse processo leva mais de duas horas. Depois, é colocada no triturador. Em seguida, a massa resultante desse processo passa pela prensagem para a retirada do líquido. A etapa posterior ocorre com a retirada do bagaço através de uma peneira.

De lá, é lavada ao forno para a fabricação da farinha. O líquido que sai da raiz triturada passa por um processo de decantação, de onde é extraído o tucupi e a fécula, popularmente conhecida como massa de tapioca, alimento que a cada dia ganha mais o mercado nacional e até internacional por não conter glúten e é bastante usado por quem pratica academia.

Processo

A tecnologia de fabricação da farinha é simples, mas exige alguns cuidados no seu desenvolvimento. A seleção da matéria-prima adequada, a higiene e os cuidados durante todo o processo de fabricação são fatores fundamentais para garantir um produto de qualidade, ressalvadas as garantias de condições ideais de trabalho e a proteção ao meio ambiente.

Em diversas cores e texturas, a farinha é companhia obrigatória do feijão, peixe, churrasco e outros alimentos, como o açaí, que é indispensável na mesa do paraense.

Fonte de renda

Em muitas comunidades, a farinha não só é base da alimentação, mas também a principal fonte de renda. Na comunidade de Palmares, por exemplo, há grandes e pequenas plantações de mandioca. O cultivo do tubérculo, para muitos, faz parte da sua história de vida. Esse é o caso do agricultor Raimundo Rodrigues Trindade, que desde a infância cultiva mandioca e fabrica farinha. Ofício que aprendeu com o pai, também farinheiro.

Tesoureiro da Coopa, ele lembra que desde 2008 eles começaram o projeto de implantar a cooperativa, que se tornou realidade em 2013. Através dela, os colonos estão conseguindo fomentar a produção agrícola da localidade, centrada basicamente na fabricação de farinha. Ele diz que o sonho é tornar a produção industrial, inclusive com fiscalização da Vigilância Sanitária, atestando a qualidade do produto.

“Nós já solicitamos a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) que venha fazer uma vistoria na nossa fábrica de farinha, porque queremos nos adequar a todas as exigências de higiene, para termos um produto de excelente qualidade”, planeja Raimundo.

O agricultor ressalta que os produtores ainda têm dificuldades para fazer o transporte da mandioca até a cooperativa, da mesma forma que fazer a escoação do produto para a venda, porque ainda não contam com transporte próprio. Eles teriam apoio de parceiros nesse processo, mas a meta é conseguir superar essas dificuldades e já buscaram apoio do município.

 Assistência técnica ainda é gargalo para a produção

 A cooperativa conta atualmente com 30 associados, mas indiretamente geram emprego e rende para outras 30 pessoas. Raimundo afirma que por mês, a cooperativa fatura R$ 60 mil, resultado dividido com os cooperados. Outra dificuldade ainda é assistência técnica. Mas, Raimundo, diz que esperança está nos filhos dos agricultores que estão fazendo faculdade de agronomia e que devem depois ajudar a comunidade. Raimundo destaca que o projeto é fazer uma pesquisa com as variedades de mandioca, para saber qual é melhor para a produção de farinha em escala industrial. Com esse objetivo, eles estão tentando parcerias com a Ufra e a Universidade Federal do Maranhão.

Presidente da cooperativa, Cleonice Alves dos Santos, também espera que em breve a produção de Palmares ganhe mais espaço no mercado local. O novo passo a ser dado vai ser a fabricação de ração animal (com os resíduos da mandioca) e do tucupi em escala industrial. 

(Tina Santos)

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