Correio de Carajás

Adesão do Pará : História salpicada de sangue

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

A estrela solitária no círculo no azul acima da faixa branca com a inscrição positivista “Ordem e progresso” na bandeira Nacional é uma referência à adesão do Estado à Independência do Brasil em 15 de agosto de 1823. Para muitos, a data não tem um significado, mas se trata de um dos eventos históricos mais importantes e com consequências trágicas como o massacre do “Brigue Palhaço” e uma série de revoltas que culminaram com a Cabanagem, em 1835.

O historiador e mestrando em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), David Salomão, afirma que, na época, início do século XIX, tanto a província do Pará quanto a do Maranhão tinham suas elites locais mais atreladas à Portugal do que ao resto da colônia.

Ele comenta ainda que o episódio da “adesão” remete a um pacto pacífico entre os militares mandados por D. Pedro I e os que mandavam no Pará, quase todos de origem europeia. “Mas, não foi bem assim. A ‘adesão’ não foi pacífica e levou a revoltas sangrentas, inclusive à tragédia do ‘Brigue Palhaço’, que poucos comentam, mas teve consequências terríveis, com protestos por várias cidades até outubro de 1823”, assinala.

Leia mais:

O Pará esteve por quase um ano depois do grito às margens do rio Ipiranga sem grandes mudanças em relações à Coroa Portuguesa e só se integrou ao novo modelo depois da chegada do militar John Pascoe Greenfell. De imediato, um conselho com os ilustres da época foi convocado para deliberar sobre o assunto e horas depois ficou acertado que o Pará era parte do Brasil independente.

Ao contrário do que se pode pensar, a adesão do Pará à Independência do Brasil foi muito mais um movimento de manutenção da conjuntura da época: os portugueses que compunham a elite local permaneceram em seus cargos e privilégios. A manutenção do status desagradou grupos de nacionalistas. Dentre eles, o jornalista Felipe Patroni e o cônego e advogado Batista Campos, ambos fundadores de “O Paraense”, no qual divulgavam suas posições políticas.

Revoltados com a composição da junta provisória de governo, após a adesão, os paraenses mandaram um documento aos donos do poder exigindo a demissão de todos os portugueses, militares e civis, a fim de inaugurar um novo momento político com maior participação de brasileiros em decisões importantes da província.

Depois do aviso, o grupo partiu para tomar o poder e desbancar os portugueses e uma coluna militar contrária à adesão exigiu a abertura das portas do depósito de armas portuguesas. Temendo consequências piores, os portões foram abertos. Assim foi feita a “limpeza” nos cargos públicos ocupados pelos lusos e Batista Campos foi colocado como novo presidente da junta governativa.

Na mesma noite do dia 16 de agosto, o militar Greenfell ordenou a prisão de todas os suspeitos de participar da revolta, sem distinguir classe social. Na manhã seguinte, para dar exemplo, escolheu cinco prisioneiros e mandou fuzilá-los no Largo do Palácio do Governo. Batista Campos foi capturado e colocado na boca de um canhão, que só não foi disparado por interferência de portugueses ligados ao poder local.

Os poucos sobreviventes do episódio contaram que o espaço mínimo jogou no desespero os quase 300 condenados e o calor insuportável os obrigou a pedir água. Quatro dias depois das prisões, os militares jogaram água direto da baía de Guajará dentro de um recipiente do porão, o que provocou mais tumulto. (com informações do blog do bordalo)

Foto:Divulgação

 

A estrela solitária no círculo no azul acima da faixa branca com a inscrição positivista “Ordem e progresso” na bandeira Nacional é uma referência à adesão do Estado à Independência do Brasil em 15 de agosto de 1823. Para muitos, a data não tem um significado, mas se trata de um dos eventos históricos mais importantes e com consequências trágicas como o massacre do “Brigue Palhaço” e uma série de revoltas que culminaram com a Cabanagem, em 1835.

O historiador e mestrando em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), David Salomão, afirma que, na época, início do século XIX, tanto a província do Pará quanto a do Maranhão tinham suas elites locais mais atreladas à Portugal do que ao resto da colônia.

Ele comenta ainda que o episódio da “adesão” remete a um pacto pacífico entre os militares mandados por D. Pedro I e os que mandavam no Pará, quase todos de origem europeia. “Mas, não foi bem assim. A ‘adesão’ não foi pacífica e levou a revoltas sangrentas, inclusive à tragédia do ‘Brigue Palhaço’, que poucos comentam, mas teve consequências terríveis, com protestos por várias cidades até outubro de 1823”, assinala.

O Pará esteve por quase um ano depois do grito às margens do rio Ipiranga sem grandes mudanças em relações à Coroa Portuguesa e só se integrou ao novo modelo depois da chegada do militar John Pascoe Greenfell. De imediato, um conselho com os ilustres da época foi convocado para deliberar sobre o assunto e horas depois ficou acertado que o Pará era parte do Brasil independente.

Ao contrário do que se pode pensar, a adesão do Pará à Independência do Brasil foi muito mais um movimento de manutenção da conjuntura da época: os portugueses que compunham a elite local permaneceram em seus cargos e privilégios. A manutenção do status desagradou grupos de nacionalistas. Dentre eles, o jornalista Felipe Patroni e o cônego e advogado Batista Campos, ambos fundadores de “O Paraense”, no qual divulgavam suas posições políticas.

Revoltados com a composição da junta provisória de governo, após a adesão, os paraenses mandaram um documento aos donos do poder exigindo a demissão de todos os portugueses, militares e civis, a fim de inaugurar um novo momento político com maior participação de brasileiros em decisões importantes da província.

Depois do aviso, o grupo partiu para tomar o poder e desbancar os portugueses e uma coluna militar contrária à adesão exigiu a abertura das portas do depósito de armas portuguesas. Temendo consequências piores, os portões foram abertos. Assim foi feita a “limpeza” nos cargos públicos ocupados pelos lusos e Batista Campos foi colocado como novo presidente da junta governativa.

Na mesma noite do dia 16 de agosto, o militar Greenfell ordenou a prisão de todas os suspeitos de participar da revolta, sem distinguir classe social. Na manhã seguinte, para dar exemplo, escolheu cinco prisioneiros e mandou fuzilá-los no Largo do Palácio do Governo. Batista Campos foi capturado e colocado na boca de um canhão, que só não foi disparado por interferência de portugueses ligados ao poder local.

Os poucos sobreviventes do episódio contaram que o espaço mínimo jogou no desespero os quase 300 condenados e o calor insuportável os obrigou a pedir água. Quatro dias depois das prisões, os militares jogaram água direto da baía de Guajará dentro de um recipiente do porão, o que provocou mais tumulto. (com informações do blog do bordalo)

Foto:Divulgação

 

Comentários
Joelma lança clipe sobre força e libertação feminina: ‘Cheguei ao fundo do poço algumas vezes’

Joelma lança clipe sobre força e libertação feminina: ‘Cheguei ao fundo do poço algumas vezes’

O nome dela é Joelma, mas pode chamar de Fênix. Ou libélula, como a cantora se mostrará a partir desta quinta-feira…
Mick Jagger lança 'Eazy Sleazy' em parceria com Dave Grohl para celebrar fim do lockdown na Inglaterra

Mick Jagger lança 'Eazy Sleazy' em parceria com Dave Grohl para celebrar fim do lockdown na Inglaterra

Mick Jagger lançou, de surpresa, uma música nesta terça-feira (13), “Eazy Sleazy”, que comemora o fim do lockdown na Inglaterra…
Virada Digital 2021 abre inscrições para workshops gratuitos

Virada Digital 2021 abre inscrições para workshops gratuitos

A Virada Digital 2021 abre, na segunda-feira (12), as inscrições para quatro workshops gratuitos sobre comunicação, escrita poética, cinema e…
Ulda Wambergue lança “Amor Líquido” nesta sexta (9)

Ulda Wambergue lança “Amor Líquido” nesta sexta (9)

O amor pode até ser efêmero, mas, isso não quer dizer que ele não exista. É dessa premissa que nasce…
Movimenta Pebas inscreve para curso de cinema com Cavi Borges

Movimenta Pebas inscreve para curso de cinema com Cavi Borges

Estão abertas as inscrições para o curso on-line sobre História do Cinema de Baixíssimo Orçamento. Esta é a primeira atividade…
Óticas Hellena promovem reality com influencers

Óticas Hellena promovem reality com influencers

Elas estão chegando lá! Em uma divertida competição de likes, comentários e respostas em enquetes, 10 jovens influenciadoras digitais estão…