📅 Publicado em 15/10/2026 16h13✏️ Atualizado em 15/10/2026 16h30
O caminho até a Justiça pode ser longo para quem perdeu um familiar vítima da violência. Mesmo quando há uma condenação, permanecem dúvidas sobre o andamento do processo, o cumprimento da pena e a possibilidade de reparação. Para abrir espaço a essas angústias e aproximar essas famílias do sistema de Justiça, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) realiza, na próxima terça-feira (20), em Marabá, o encontro “Mães que choram e lutam por Justiça”.
Em entrevista ao Correio de Carajás, a promotora de Justiça Cristine Magela, titular da 5ª Promotoria de Justiça Criminal de Marabá, explica que a proposta vai além de uma reunião institucional. A intenção é ouvir familiares, compreender as dificuldades enfrentadas por eles e identificar formas de atuação do Ministério Público diante das demandas apresentadas.
“Eu gostaria que realmente as famílias participassem. Não vai ser um momento formal, vai ser um momento realmente para nós ouvirmos as famílias das vítimas e poder entender”, afirma a representante do MPPA.
Leia mais:O encontro será realizado das 8h30 às 12h, no auditório das Promotorias de Justiça de Marabá, no núcleo Cidade Nova. A programação prevê uma roda de conversa com a participação de Cristine, da presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Pará (AMPEP) Ana Maria Magalhães, de psicólogas e de representantes da rede de atendimento envolvida na defesa dos direitos das mulheres. Foram convidados cerca de 50 familiares de vítimas de diferentes casos de violência.
Uma das preocupações da iniciativa é lidar com a falta de informações que pode aumentar o sofrimento de quem espera por respostas. Segundo Cristine, a equipe já fez uma triagem dos processos relacionados às famílias convidadas. Durante a atividade, serão distribuídos cartões com contatos para que os participantes possam buscar informações sobre a fase em que cada procedimento se encontra.
A promotora ressalta que a espera não termina necessariamente com uma decisão judicial. Há diferentes etapas até a conclusão de um caso, e a percepção de que a resposta foi insuficiente também pode gerar frustração entre os familiares.
“Após sair uma condenação, ainda tem a angústia da pena. Muitas vezes, a família sente que não foi totalmente reparada, que a pena foi muito baixa. Então, a gente precisa explicar toda essa situação, como é que ocorre”, pontua.

Iniciativa
A iniciativa surgiu de uma sugestão da promotora Ana Maria Magalhães, a partir de experiências realizadas em outros municípios, como Castanhal e Altamira. Cristine, que também integra a Diretoria da Mulher, considera importante trazer a proposta para Marabá, cidade que atende uma extensa região e concentra demandas relacionadas à violência.
A atividade não se restringe a mães que perderam filhos. A proposta também contempla pais e outros familiares de pessoas mortas em decorrência da violência, além de situações envolvendo vítimas que sobreviveram, como casos de lesão e tentativas de feminicídio.
Questionada pela reportagem quais são os principais desafios enfrentados pela sociedade em relação ao tempo de espera judicial, Cristine destaca que “às vezes, as famílias das vítimas procuram advogados, procuram a Defensoria Pública, sem saber que o Ministério Público está aqui justamente para fazer o seu papel, de tutelar a vítima, os familiares”.
A ideia é permitir que as famílias apresentem não apenas dúvidas processuais, mas também medos, preocupações e dificuldades que nem sempre encontram espaço para serem ouvidos.
Serviço: Encontro “Mães que choram e lutam por Justiça”
Data: 20 de outubro de 2026
Horário: das 8h30 às 12h
Local: Auditório das Promotorias de Justiça de Marabá, núcleo Cidade Nova
