📅 Publicado em 15/10/2026 16h24✏️ Atualizado em 15/10/2026 16h28
Natural de Marabá, Viviane Vivaz Milhomem Spieldenner ingressou no Exército dos Estados Unidos (EUA) em outubro de 2025, após sete anos de serviço no Exército Brasileiro (EB), servindo no 1º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). Atualmente, ela realiza o treinamento individual avançado em Fort Lee, na Virgínia, depois de concluir a formação básica militar em Fort Jackson, na Carolina do Sul.
Para a menina que cresceu franzina na Velha Marabá, a mudança de país não significou apenas atravessar fronteiras, mas reconstruir uma carreira em uma instituição com regras próprias. Apesar da experiência adquirida no Brasil, Viviane conta que precisou passar por todas as etapas de seleção e formação exigidas nos EUA, como qualquer outra pessoa que deseja ingressar na corporação.
“Eu acredito que a experiência de ter servido no Exército Brasileiro me ajudou de alguma forma, mas ela não me transfere, ela apenas me prepara”.
Leia mais:A explicação de Viviane foi publicada em um vídeo no Instagram, onde ela acumula mais de 51 mil seguidores. Na gravação, ela esclarece uma das dúvidas mais frequentes entre as pessoas que acompanham seu conteúdo nas redes sociais.
Em um quadro batizado de “ViviFlix”, ela compartilha com seguidores aspectos de sua trajetória pessoal e profissional. Para quem vive a milhares de quilômetros de casa, essa também é uma maneira de manter conterrâneos, amigos e familiares por dentro do que acontece em sua vida.

DE MARABÁ PARA O MUNDO
Filha de Vivaldino Milhomem e Tânia Silvia, Viviane é formada em Engenharia Civil e Ciências Contábeis e possui pós-graduação em Direito Público, com ênfase em contratos e licitações. Antes de iniciar a nova etapa profissional, ela passou sete anos no Exército Brasileiro, entre 2017 e 2024, período em que atuou em diferentes áreas.
Nos primeiros cinco anos, trabalhou com licitações e contratos, inclusive como pregoeira, participando de processos de contratação de empresas responsáveis pelo fornecimento de produtos e serviços à instituição. Nos dois últimos anos, passou a atuar no setor de engenharia, colocando em prática a formação em Engenharia Civil.
A experiência militar também envolveu atividades fora dos ambientes administrativos. Na 23ª Brigada de Infantaria de Selva, em Marabá, Viviane participou de treinamentos de adaptação à selva amazônica. Durante a formação, enfrentou dias de imersão na floresta e aprendeu técnicas de sobrevivência, orientação, navegação, construção de abrigos e obtenção de água e alimentos.
Após deixar o EB, em 2024, Viviane abriu caminho para ingressar em uma nova fase de sua carreira militar.
Com a mudança de país, Viviane precisou se adaptar a outra cultura, a um novo idioma e à distância da família. Embora a decisão esteja ligada à busca por uma vida melhor para si e para os seus, a realização de seus sonhos também exige enfrentar os desafios de construir uma nova vida longe de casa.

DO EB AO ARMY
Em seus relatos nas redes sociais, Viviane explica que não existe transferência direta entre as duas instituições militares. Após deixar o Exército Brasileiro, ela se mudou para os Estados Unidos, obteve o Green Card, documento de residência permanente no país, e iniciou um novo processo de ingresso no Army (como é conhecido o Exército Americano).
A experiência anterior, segundo ela, ajudou a enfrentar os desafios da nova formação, mas não dispensou nenhuma das etapas exigidas pela instituição americana. Como são forças armadas de países diferentes, com regras próprias, Viviane precisou recomeçar a preparação militar.
De acordo com o site oficial do Exército dos Estados Unidos, estrangeiros precisam ter residência permanente legal no país, comprovada pelo Green Card, ou cidadania americana para se alistar. O documento de residência não é concedido pelo Exército, e o ingresso na instituição não pode ser usado como caminho para obtê-lo.
O processo começa com o contato com um recrutador, que orienta o candidato sobre as etapas de seleção. É necessário apresentar documentos, comprovar domínio do inglês e atender aos critérios de idade, escolaridade e aptidão física e médica. Os candidatos também fazem o teste de aptidão vocacional ASVAB, que avalia conhecimentos e ajuda a determinar as funções para as quais estão qualificados.
Após a aprovação e a assinatura do contrato de alistamento, o recruta presta juramento e segue para o treinamento militar básico. A experiência anterior em outra força armada pode contribuir para a preparação do candidato, mas não garante ingresso automático nem dispensa o cumprimento das exigências americanas.

NAS REDES SOCIAIS
Além da carreira militar, Viviane também construiu uma presença expressiva nas redes sociais. Ela reúne mais de 50 mil seguidores no Instagram e mais de 125 mil no TikTok, plataformas nas quais compartilha a rotina de uma brasileira que vive nos Estados Unidos.
Os conteúdos mostram viagens, experiências cotidianas e desafios da vida militar. Entre os temas que despertam a curiosidade do público está justamente o processo de ingresso no Army, assunto sobre o qual ela publica explicações para esclarecer dúvidas de brasileiros interessados em conhecer essa possibilidade.
Ao falar sobre sua trajetória, Viviane também procura mostrar que existem diferentes caminhos para alcançar objetivos profissionais, mesmo quando eles parecem distantes da realidade de quem começa. Para ela, compartilhar a própria experiência é uma forma de incentivar especialmente outras mulheres a conhecerem possibilidades que talvez ainda não considerem viáveis.
“Eu tenho muito orgulho das minhas raízes, da minha história e de poder levar o nome de Marabá comigo por onde eu passo”, afirma.
A construção de uma nova vida profissional, no entanto, também tem um lado que nem sempre aparece nos registros publicados na internet. Em um desabafo sobre o tempo longe de casa, Viviane contou que estava perto de completar dois anos sem visitar o Brasil. A distância a fez perceber as mudanças acumuladas desde a última vez em que esteve com a família e os amigos.
Ela relata que amadureceu, enfrentou situações que não imaginava e continuou trabalhando para construir a vida que desejava. Ao mesmo tempo, reconhece o custo pessoal de perseguir objetivos longe das pessoas e dos lugares que fazem parte de sua história.

“Porque realizar um sonho também tem um preço, e nem sempre a gente fala sobre ele. Existem conquistas que acontecem longe dos olhos de quem a gente ama, abraços que ficam adiados e momentos que não voltam”, escreveu.
A saudade, segundo o relato, aparece mesmo quando a escolha de permanecer no exterior continua fazendo sentido. Para Viviane, seguir em frente não significa deixar de sentir falta da família, dos amigos ou dos momentos simples que compõem a vida em sua cidade natal.
“Ser forte não é não sentir saudade, é continuar mesmo quando tudo o que a gente queria era estar perto. Saudades do meu Brasil, do meu povo, do meu Marabá”, concluiu.
