Uma pergunta sobre a expressão do motorista João Nunes de Carvalho, de 58 anos, teria iniciado a discussão que terminou com sua morte na portaria do frigorífico JBS, em Marabá, na noite desta quarta-feira (4). Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, o responsável pelo controle de acesso questionou por que João olhava para ele com a “cara ruim”. Mesmo depois de deixar a portaria, o motorista teria sido seguido e atingido por disparos de arma de fogo.
A polícia identificou o suspeito como Janio Ribeiro de Sousa Urias, de 43 anos. João trabalhava como motorista de caminhão de uma prestadora de serviços. O crime ocorreu por volta das 18h50, nas dependências da indústria, nas margens da BR-155, no Distrito Industrial de Marabá.

João Nunes Carvalho era filho do saudoso Reizim Pintor, da Folha 28, que tem outros filhos, os quais lamentaram muito a perda do irmão nesta quarta-feira.
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Conforme os depoimentos registrados pela polícia, Janio havia saído do posto de trabalho para jantar e, ao retornar, demonstrava estar aborrecido, tratando de maneira grosseira as pessoas que passavam pela portaria.
Durante a liberação da passagem, ele teria questionado a expressão de João, que respondeu que aquela era sua aparência habitual. Os dois discutiram e, em seguida, o motorista atravessou a área de controle e continuou seu caminho.
Ainda segundo as testemunhas, quando João já estava a aproximadamente 20 metros da portaria, Janio foi atrás dele, exigiu seu documento de identificação e afirmou que adotaria providências contra o motorista.
João interrompeu a caminhada. Nesse momento, o suspeito teria tentado desferir um soco contra ele. O relato registrado no boletim informa que a vítima caiu desorientada e, na sequência, Janio sacou uma arma e efetuou os disparos. Ferido, o motorista ainda caminhou alguns metros antes de cair novamente.
Acionada inicialmente para atender a uma ocorrência de tiros, a Polícia Militar encontrou João no pátio externo da empresa, ainda com sinais vitais. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital Regional de Marabá, onde morreu.
Janio já havia sido imobilizado por pessoas que estavam no local quando os policiais chegaram. Ele apresentava uma lesão no rosto, atribuída no boletim à contenção. Populares entregaram à guarnição um revólver calibre .38, descarregado e sem munições no tambor.
Na primeira reportagem deste Correio, na noite de ontem, uma fonte da indústria identificou Janio como agente de portaria e afirmou que a arma era pessoal, pois os funcionários dessa função não trabalhavam armados. No boletim de ocorrência, ele é descrito como vigilante.
O caso foi registrado no plantão da 21ª Seccional Urbana de Marabá. Segundo o boletim, foram requisitadas perícias e estão em andamento outras providências para esclarecer as circunstâncias do homicídio.
NOTA DA JBS
Tão logo a primeira notícia foi publicada pelo CORREIO DE CARAJÁS, um assessor da JBS entrou em contato com a Reportagem e enviou uma nota minúscula sobre o assunto, mas sem responder às questões relevantes sobre a tragédia na empresa em Marabá, como, por exemplo, se estava dando assistência à família da vítima, se a arma usada era da empresa ou não.
A seguir, leia a nota:
“A JBS lamenta o ocorrido nesta quarta-feira (4), em sua unidade de Marabá (PA). A investigação está a cargo da Polícia Civil
