Parte das casas fica sobre palafitas, sustentadas em barrancos/ Fotos: Evangelista Rocha
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A equipe do Departamento de Postura da Prefeitura Municipal de Marabá iniciou o trabalho de remoção de várias moradias existentes à margem da rampa do São Félix Pioneiro. Segundo o setor, ainda na época da gestão passada os moradores foram avisados sobre a remoção e de que estavam em área de risco.

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A desocupação começou na manhã de ontem, dia 29, e o objetivo é pavimentar, iluminar, instalar drenagem fluvial e construir uma nova rampa até a beira do Rio Tocantins. De acordo com o coordenador do Departamento de Postura, Túlio Rosemiro Pereira, outro motivo da retirada dos moradores é a precariedade das construções que, em sua maioria, são de palafitas e foram construídas há mais de 30 anos.

A Reportagem procurou o gestor na manhã de ontem, que afirmou que as casas foram condenadas pela Defesa Civil por conta de vários desabamentos corriqueiros. “Para não ocorrer um mal maior, notificamos essas pessoas dando prazo para eles saírem. Praticamente todas as casas estão muito precárias, elas são de madeira e eles estão morando irregularmente, sem salubridade alguma, sequer fossa eles têm, além dos riscos que correm delas caírem”, respondeu Túlio ao CORREIO.

De acordo com o coordenador, o aluguel social está sendo disponibilizado aos moradores que estão sendo retirados. “Eles não ficarão desamparados de forma alguma”, afirmou. Questionado a respeito de uma possível indenização aos habitantes que se negarem a sair, Túlio respondeu que essa é uma decisão que não cabe ao departamento. “Não podemos negociar esse tipo de coisa, então, o que podemos fazer é disponibilizar o aluguel social e cadastrá-los no “Minha Casa, Minha Vida” para poder doar uma casa no residencial no próprio São Félix”, replicou.

Chegada de homens da postura teve cartaz com pedido dos moradores

Moradores

A dona de casa Noelice Tavares da Silva (47) colocou, como forma de evitar ou comover os servidores do Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM), cartazes na casa que suplicavam que a residência não fosse derrubada. Neles estava escrito: “Por favor, não desmanche minha casa, vamos conversar”. Em entrevista ao CORREIO, a moradora explicou que doou a casa para a filha, Gliciane da Silva Melo, que possui problemas de desenvolvimento cognitivo e déficit de aprendizagem. “Como ela é especial, não pode morar sozinha, está aqui o laudo médico. Por isso ela está morando agora com a irmã dela, que reside no bairro Coca-cola. Falei para eles que precisarão pagar aluguel social para ela”, respondeu ao Jornal.

Noelice confirmou que foi oferecido aluguel social para ela por parte da Prefeitura, mas afirmou que prefere que o valor seja dado em dinheiro para ajudar a filha especial já que ela está morando e sendo cuidada pela irmã. “Dessa forma vai dar para comprar mantimentos para elas, porque a renda é pouca”, disse.

Morador da rampa há mais de 15 anos, o aposentado Raimundo Alves dos Santos (75) afirmou que não recebeu a visita de nenhum representante da Prefeitura de Marabá que tratasse a respeito da retirada dele do local. “Falaram só que eu preciso recuar minha casa, mas se eu fizer isso, vai encher tudo com a época que o rio sobre. Fica tudo cheio de agua esse terreno aqui, a enchente toma isso aqui”, contou.

A aposentada Maria Conceição Pessoa reside com uma filha e dois netos na pequena palafita. Com o quintal cheio das mais diversas plantações, como frutas, pimentas e ervas, a idosa pede que, caso sejam retirados do local, que não sejam levados para tão longe, pois sua maior preocupação é de os netos ficarem longe da escola. “Eles estudam no Colégio Maria Luzia, o melhor daqui do São Félix. Vai ficar muito difícil se ficarmos longe”, pediu.

(Karine Sued)

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