Correio de Carajás

Mercado imobiliário cresce em Marabá em meio à crise

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Se para muitos comerciantes e empresários esse período é considerado um tempo de crise, recessão e desespero, para outros, essa é uma temporada de oportunidades. Um exemplo disso, é o mercado imobiliário, que registrou um alto volume de compra e venda de imóveis no último ano.

Em Marabá, o setor da construção civil reagiu surpreendentemente bem à crise e transformou expectativas negativas em índices bastantes favoráveis. De acordo com especialistas, dentre as diversas causas desse crescimento ter ocorrido, estão as taxas de juros que ficaram mais baixas e o fator do isolamento social, que acabou trazendo um novo conceito no estilo de vida das pessoas, em especial, o “morar bem”.

Segundo dados da Caixa Econômica Federal (CEF) – banco que mais financia imóveis no país – em 2019 foram financiados R$ 90 bilhões e, em 2020, R$ 116 bilhões. A análise mostra que os financiamentos de imóveis de até R$ 180 mil, realizados através do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) se mantiveram da mesma forma nos últimos dois anos. Já os imóveis considerados de médio e alto padrão, que são vendidos a partir de R$ 180 mil e são financiados através do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), duplicaram no município de Marabá.

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De acordo com Paula Moreira, corretora de imóveis e responsável por uma construtora, a redução das taxas de juros e as várias modalidades de formas de financiamento que foram criadas pelos bancos, facilitaram muito a aquisição de novos imóveis. “Houve um período em que financiávamos imóveis com juros de 14% ao ano. Desde o ano passado, a média está em 7% ao ano e todos os bancos estão trabalhando com esses valores mais baixos. Com isso, o mercado imobiliário de médio e alto padrão foi bastante favorecido”.

Paula explica que as casas chamadas “populares”, que custam até R$180 mil, sempre venderam muito, já que a maior parte da população recebe entre mil e três mil reais. “As pessoas preferem adquirir um imóvel novo e sair do aluguel. Existem financiamentos imobiliários que a parcela da casa fica em torno de quinhentos reais. Então, é muito melhor pagar algo que é seu. As pessoas já perceberam isso”, ressalta.

RELAÇÃO DAS PESSOAS COM SUAS CASAS

O isolamento social causado pela pandemia do coronavírus colocou milhares de trabalhadores de todo o país em home office. As crianças também passaram a ficar mais em casa, com aulas online. E, as famílias, estiveram mais unidas do que nunca, fazendo com que houvesse uma reavaliação em relação às necessidades do espaço que moram, optando por locais mais afastados, com áreas maiores, o que acabou aquecendo o mercado de loteamentos e condomínios fechados.

“As pessoas perceberam que era bom ter uma casa espaçosa, com área verde e piscina, por exemplo. Com a privação de viagens e festas, elas começaram a investir em imóveis. Além do aumento na aquisição de novos imóveis, vimos que as pessoas também aproveitam o período para reformar ou aumentar um espaço”, exemplifica a corretora.

Os imóveis estão ganhando ambientes mais espaçosos e aconchegantes, principalmente os de lazer, como área comum de cozinhas, churrasqueiras, piscinas e salas mais amplas, que acabam promovendo a convivência familiar, o que se tornou é uma nova tendência do mercado imobiliário.

Paula afirma que, a visão do marabaense mudou muito no último ano, em relação à imóveis. “O home office é algo que veio pra ficar. As casas já estão vindo com um espaço definido para o escritório, por exemplo. Outra mudança que percebemos é que antigamente as pessoas reclamavam de casas grandes, hoje as pessoas buscam por isso e não tem”.

Disparada dos preços de materiais de construção

Os construtores de imóveis, no início da pandemia, começaram a identificar um aumento significativo nos preços dos materiais de construção civil. Com várias fábricas paralisadas, os preços foram aumentando consideravelmente e, em alguns casos, a alta foi de mais de 100% do que era praticado no mercado antes da crise sanitária. “Em Marabá, o ferro subiu mais de 150%, o tijolo teve um aumento exorbitante. Quando íamos às lojas comprar material nos assustávamos, os preços aumentavam dia após dia. E a consequência disso foi o reajuste no valor das casas, tanto as populares, como as de médio e alto padrão”, explica Paula Moreira.

Isso fez com que, tanto construtoras como lojistas, precisassem se reinventar o tempo inteiro. “Tivemos de nos adaptar aos novos preços, muitas vezes, foi preciso dar uma freada em algumas demandas. No início de 2020 projetamos uma expectativa X de crescimento, porém, não conseguimos acompanhar o mercado”, afirma Paula, para quem Marabá é um município promissor e não vê momento de crise e, sim, um período um pouco mais complexo.

As razões para o aumento dos preços são variadas. Plínio Alves, gerente de uma loja de materiais de construção há 2 anos, explica que um desses motivos foi a redução na produção das fábricas, já que o volume de mão de obra diminuiu e, com a alta demanda do mercado, faltaram produtos nas lojas. “Com a produção interrompida durante o início da pandemia, quando as atividades foram retomadas, não se conseguiu alcançar a produção que estava sendo demandada. A procura foi muito grande nesse período, tivemos falta de alguns materiais e estamos sentindo esse baque até hoje”, conta o gerente.

Ele acredita que com o mercado aquecido, as pessoas que não foram impactadas por reduções salariais e que passaram a gastar menos durante a pandemia, acabaram investindo em melhorias em suas residências. Até mesmo o pagamento do benefício emergencial, que alguns trabalhadores informais receberam, estimulou o consumo e aqueceu o mercado.

“No início de 2020, por conta da pandemia e devido ao receio e ao medo da doença, as vendas caíram muito. Porém, logo em seguida houve um “boom”, e acreditamos que foi por conta do auxílio emergencial concedido pelo governo, ou então, foi por conta de a população ter dado menos importância para a pandemia como ela merecia”.

Plínio explica que o comércio teve de se readaptar a esse momento e avalia que estão sendo apresentadas alternativas para que o cliente não desista da compra. “Percebemos que as pessoas estão fazendo mais pesquisas de preço e comparação nas lojas. Uma das opções que encontramos foi esticar um pouco mais a forma de pagamento, parcelando em um número maior de vezes, dando uma condição de desconto diferenciada, além de não passar todo esse reajuste de preço para os clientes”, garante o gerente.

Para o comércio de materiais de construção, o ano passado foi excelente em vendas, e só não foi melhor pela falta de produtos no mercado. “Conseguimos passar pelo ano de 2020 muito bem. Mesmo com a pandemia, alta nos preços e falta de material, nossa loja conseguiu manter todos os colaboradores, sem demissões e, com o volume de vendas elevado”, finaliza.

“Não paramos nenhum segundo em 2020”

Em meio a tijolos, cimento, ferro, cerâmicas e poeira, conhecemos o mestre de obras Nei Batista, 44 anos. Questionado há quanto tempo trabalha nessa área, ele afirma “a vida toda”, já que foi nascido e criado em canteiros de obras e construções.

Ele afirma que em um curto período – logo no início da pandemia – o trabalho sofreu uma queda, mas que durante o ano todo foi constante. “Não faltou serviço. Graças a Deus trabalhamos o tempo todo. 2020 foi um ano que não paramos nem um segundo”.

Apesar de praticamente todos os setores terem sofrido reajustes nos preços, Nei afirma que os trabalhadores autônomos da construção civil mantiveram o valor das diárias do serviço. “Nosso preço ficou estabilizado. Estamos trabalhando com o mesmo valor de dois anos atrás. A diária está variando entre R$90 e R$120, mas é muito difícil encontrar quem pague o valor mais alto. Trabalhar com revestimento, por exemplo, dá muito trabalho e tem gente que não valoriza nosso serviço”, lamenta Nei, que também atua como pedreiro.

Ele destaca que, com esse valor, em anos anteriores, conseguia manter os alimentos em casa de três a quatro dias. Mas, atualmente trabalha um dia e mal consegue comprar 2 quilos de carne. “Tá tudo caro né? Alimentos, material de construção, roupas. E o combustível? Olha o valor que está! A gente que trabalha e tem moto, até pra vir para a obra tá difícil”, indigna-se.

Questionado sobre as expectativas para 2021, o pedreiro é enfático. “As coisas vão melhorar”.

Parada para reformar a sala de estar de casa

A vontade de reformar a sala de casa já vinha sendo pensada e analisada com muito carinho pela engenheira ambiental Junimara Chaves. O lar, que no período da pandemia virou local de lazer e trabalho, motivou ainda mais para que esse sonho se tornasse realidade e saísse do papel.

A sala da casa de Junimara foi radicalmente modificada com ajuda de uma arquiteta

“Eu já tinha pesquisado várias ideias e comecei a seguir Instragrams de arquitetura para ter algumas ideias. Com a pandemia, passando mais tempo em casa com a família reunida, essa vontade de reformar a sala e transformá-la num ambiente mais acolhedor foi só aumentando”.

Com a certeza da reforma, Junimara resolveu colocar em prática a ideia. O primeiro passo foi contratar um escritório de arquitetura – um daqueles que ela já vinha acompanhando pelas redes sociais.

“Na primeira conversa, a arquiteta já fez uma avaliação do nosso ritmo familiar, com duas crianças, ponderando assim, o modelo de sofá e o tipo de revestimento. Depois, fomos avaliar as paletas de cores que mais se adequavam ao nosso estilo”, relembra a engenheira, que afirma que assim que o projeto da arquiteta ficou pronto, ela aceitou na hora.

Começou, então, a saga dos orçamentos. “Já percebi uma dificuldade logo no início, quanto aos valores e prazos de entrega. Sabíamos que com a pandemia muitas fábricas paralisaram e, as que estavam trabalhando, os valores haviam aumentado consideravelmente”.

Porém, as negociações foram feitas e o projeto saiu do papel. Hoje, a sala é o ponto de encontro das reuniões familiares, com aconchego, conforto e requinte. Se valeu a pena? Junimara responde. “Claro, que sim. Nossa casa ganhou uma cara nova. Estamos inclusive mais conectados. Nos reunimos e ficamos mais tempo juntos, aproveitando nossa nova sala”, finaliza.

(Ana Mangas)

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