📅 Publicado em 11/06/2026 09h06
O mapa econômico do estado acaba de registrar uma inflexão histórica. Em maio de 2026, Marabá atingiu o topo da balança comercial estadual, tornando-se o município que mais exportou no Pará e desbancando a histórica liderança de Parauapebas e o recente protagonismo de Canaã dos Carajás. O feito inédito não é obra do acaso, mas o reflexo direto da diversificação da base produtiva mineradora da região e da consolidação de Marabá como a “Capital do Cobre” no Brasil.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de minérios de cobre e seus concentrados no Pará avançaram expressivos 80% nos primeiros meses do ano, alcançando a marca de US$ 2,7 bilhões e passando a representar mais de um quarto de todas as vendas externas do estado.
Esse salto impulsionou diretamente Marabá, que abriga o complexo minerador de Salobo, a maior reserva de cobre do Brasil e a principal operação desse minério da Vale.
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A trajetória ascendente de Marabá a coloca não apenas como líder nas exportações de maio, mas também a consolida na segunda posição do ranking nacional de produção mineral, atrás apenas de Parauapebas. Essa ascensão representa uma mudança de paradigma: enquanto municípios vizinhos dependem quase exclusivamente do minério de ferro — que registrou leve queda de 2,8% nas exportações estaduais este ano —, Marabá surfa na onda da transição energética global, que tem no cobre um de seus metais mais estratégicos e demandados.
O peso do Salobo
O motor dessa transformação econômica está cravado em território marabaense: o complexo de Salobo. Operando desde 2012, a mina a céu aberto possui reservas estimadas em 1,15 bilhão de toneladas de minério de cobre. O produto final, um concentrado com alto teor de pureza (entre 36% e 40%), é transportado até Parauapebas e, de lá, segue pela Estrada de Ferro Carajás até o porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, de onde ganha o mundo.
A liderança exportadora de Marabá está diretamente ligada ao sucesso do projeto de expansão Salobo III. A Vale concluiu recentemente os testes da primeira fase dessa expansão, um investimento avaliado em US$ 1,1 bilhão.
Com a nova planta operando em conjunto com as linhas I e II, a capacidade de processamento do complexo saltou de 24 milhões para mais de 32 milhões de toneladas anuais, com meta de atingir 36 milhões de toneladas em sua capacidade total.
Essa expansão física se traduziu rapidamente em cifras bilionárias. O aumento no volume processado e exportado catapultou os números de Marabá na balança comercial e engordou de forma inédita os cofres do município.
O salto da CFEM
O reflexo imediato da liderança exportadora é o aumento substancial na arrecadação de impostos e royalties. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que a receita de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) em Marabá apresenta um crescimento vertiginoso.
Nos primeiros meses de 2026, o município chegou a figurar como o maior arrecadador nacional em repasses mensais específicos, recebendo cotas que ultrapassaram a marca de R$ 27 milhões em um único mês — valor superior ao de Parauapebas e Canaã dos Carajás no mesmo período de repasse.
Esse desempenho garantiu à Prefeitura de Marabá o maior aumento de receita líquida entre os aproximadamente 200 municípios brasileiros que possuem orçamentos bilionários. O orçamento municipal de Marabá para 2026 foi estimado em mais de R$ 2,2 bilhões, refletindo a nova realidade de uma cidade que vê seus recursos se multiplicarem.
A arrecadação da Cfem em Marabá só não é ainda maior devido à estrutura tributária do setor mineral. A diferença histórica de arrecadação entre Marabá e Parauapebas está diretamente atrelada às alíquotas: enquanto sobre o minério de ferro (carro-chefe de Parauapebas) incide uma alíquota de 3,5%, o cobre (base de Marabá) é tributado em apenas 2%.
Ainda assim, mesmo com essa desvantagem tributária de 1,5 ponto percentual, a força do volume produzido e o alto valor agregado do cobre no mercado internacional têm sido suficientes para encurtar a distância entre os municípios. A perspectiva é que, com a operação plena de Salobo III, a receita de Cfem de Marabá cresça ainda mais, consolidando a cidade no topo do ranking nacional de arrecadadores.
Contraste regional
O momento de euforia econômica em Marabá contrasta com o cenário de estabilização vivido por Parauapebas. A outrora incontestável “Capital do Minério” enfrenta agora uma fase de maturação de suas reservas.
O foco da Vale no município tem se voltado para projetos de reposição de minas (como N1, N2 e N3), que, segundo análises técnicas do setor, são essenciais para manter o atual patamar de produção e a dinâmica econômica da cidade, mas não tendem a gerar melhorias significativas ou saltos expressivos na receita municipal a curto prazo.
Marabá, por sua vez, vive o início de um novo ciclo. A consolidação como líder nas exportações estaduais e segundo maior produtor mineral do Brasil marca uma nova fase para a economia do município, que já possui um comércio forte, um polo agropecuário expressivo e um setor de serviços em expansão.
