Correio de Carajás

Marabá: Guarda Municipal será julgado por morte de mulher torturada

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Quase um ano e dois meses após a morte de Nayara Vieira Ribeiro, assassinada a tiros, o agente da Guarda Municipal de Marabá, Romulo Soares Passos, foi pronunciado pelo juiz Alexandre Hiroshi Arakaki, titular da 3ª Vara Criminal, e deverá sentar no banco dos réus para ser submetido ao júri popular em decorrência do homicídio.

Além dele, o guarda municipal Alexsandro Caldas Pó também responde pela morte, mas está foragido desde agosto deste ano e os processos acabaram desmembrados. Segundo a sentença de pronúncia, a acusação sustenta que em 13 de outubro do ano passado, por volta das 22h30, Romulo conduzia uma motocicleta e transportava na carona Alexsandro Caldas Pó.

Ao encontrarem Nayara às proximidades de um hotel, na Folha 34, Nova Marabá, se aproximaram e pararam. Alexsandro então desceu e efetuou aproximadamente seis disparos contra a vítima, que morreu no local.

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TORTURA

O crime de homicídio não teria sido o único cometido pela dupla e a motivação pode ter sido queima de arquivo, isso porque, dias antes, em 9 de outubro, Nayara e os amigos Wanderson Bruno de Sousa Pinheiro e Alex Amaral Azevedo foram torturados pelos agentes e mais um homem, até o momento não identificado. Os três sofreram, inclusive, abusos sexuais.

O caso acabou chegando ao conhecimento da Polícia Civil e as três vítimas identificaram Romulo como um dos torturadores. Durante a instrução processual, uma testemunha relatou ter presenciado os fatos e visto Romulo e Alex Caldas se aproximarem de Nayara e um deles efetuar os disparos, inclusive sem capacete. Alex Amaral também acabou assassinado posteriormente, mas o caso ainda não está elucidado.

Conforme a pronúncia, a testemunha afirma que “mataram Nayara porque pegaram ela com droga, levaram para uma quebrada e abusaram dela, tendo Nayara ido para a delegacia e denunciado”.  A decisão judicial aponta, ainda, que no dia da tortura, o sinal de celular do agente estava no Bairro Cidade Jardim, onde o crime aconteceu. No dia da morte, foi identificada a localização dele próxima ao local onde Nayara foi assassinada.

DEFESA

Ao ser interrogado, Romulo Soares Passos negou que tenha conduzido a motocicleta que transportava Alexsandro no momento da morte de Nayara. Afirmou que no dia dos fatos fazia a segurança do presidente da Câmara Municipal de Marabá, mas não se recorda se estava fardado. Informou, ainda, que conhecia Nayara somente de vista e negou ter participado da sessão de tortura, acrescentando que sequer esteve com Caldas nos dois dias de crime.

ENTENDIMENTO

Para o magistrado, os relatos das duas principais testemunhas do caso confirmam os indícios suficientes de autoria que pairam sobre Romulo, sendo que os álibis por si apresentados não descartam de maneira absoluta a suposta participação na morte de Nayara, uma vez que se confrontam com a informação de que o sinal de seu aparelho celular pessoal foi localizado próximo de uma estação rádio-base (ERB), em localidade próxima de onde Nayara foi morta, em horário em que supostamente estaria jantando com amigos.

Em depoimento, Romulo informou que não foi até a sede da Guarda Municipal neste dia. No mais, destaca o juiz, consta que o crime ocorreu por volta das 23h00/00h00, horário em que as pessoas que visitavam Romulo supostamente poderiam já ter ido embora. “Assim, não é possível de plano afastar eventual participação de Romulo no evento apurado; deixando para os jurados apreciarem as provas e dirimirem tais controvérsias”, sustentou o magistrado.

FUGA

Em agosto deste ano, Alex Caldas Pó foi trazido do Centro de Recuperação Especial Anastácio das Neves (Crecan), localizado em Santa Izabel do Pará, na Região Metropolitana de Belém, para Marabá para participar de uma audiência do caso. O agente, no entanto, simplesmente pulou um muro e fugiu poucas horas após chegar.

Na ocasião, a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) determinou que o grupo ficasse alojado na base da Guarda Municipal de Marabá, na Folha 31, ao lado da Delegacia da Polícia Federal. O local, no entanto, não possuía condições de segurança. Desde então, Alex Caldas não foi mais localizado. (Luciana Marschall)

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