Correio de Carajás

Marabá: Estudante consegue condenação de padrasto que a estuprou há 21 anos

Marabá: Estudante consegue condenação de padrasto que a estuprou há 21 anos
Foto: Divulgação
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Em março deste ano, Sara Regina, de 32 anos, viu finalmente uma luz no fim de um túnel que percorreu por mais de 20 anos. Em março deste ano, após localizar Herriberto Silvio Rodrigues de Andrade em Altamira, acusado de ter estuprado ela e a irmã em 1.998, quando tinham 11 e 14 anos, Sara conseguiu apoio da Polícia Civil de Marabá para prendê-lo em uma propriedade na zona rural.

Agora, o ponto final foi colocado na história com o julgamento e condenação do homem, 21 anos após o crime. A sentença foi expedida pela 2ª Vara Criminal de Marabá e condenou Herriberto ao cumprimento da alta pena de 39 anos e sete meses de reclusão, inicialmente em regime fechado e sem direito de recorrer em liberdade.

Sara Regina é acadêmica do curso de Direito e diz ter ficado impressionada com o resultado, já que as expectativas que mantinha pela condenação eram baixas. “Eu sabia que ele seria condenado, lógico, mas nunca imaginei que a pena fosse máxima pelo fato de ter passado tantos anos e não estar com aquele clamor da sociedade”, disse.

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Como relatou anteriormente em reportagem publicada no Correio de Carajás à época da prisão, Herriberto foi companheiro da mãe das duas meninas por oito anos, ou seja, praticamente criou as vítimas. Silvio, como era conhecido em Marabá, vivia em Morada Nova quando começou a administrar o medicamento Dormonid em Sara, para sedá-la e, então, praticar abusos sexuais.

A substância é utilizada para tratamento de quadros graves de insônia, além de ser sedativo utilizado antes de procedimentos cirúrgicos. Dentre as contraindicações está justamente administrá-la em crianças. A irmã dela, alguns anos mais velha, sofria com os abusos e ameaças, já que ele dizia que mataria a família se ela contasse para alguém.

Em uma noite, a mãe das meninas acordou e encontrou o homem com roupas íntimas e segurando Sara desacordada. No dia seguinte, questionou as filhas. A mais nova informou que não lembrava do que tinha ocorrido na noite anterior e a mais velha contou que vinha sofrendo abusos. Ao perceber que havia sido descoberto, o homem fugiu de Marabá.

BUSCA E LOCALIZAÇÃO

Passadas duas décadas, Sara começou a cursar Direito e descobriu estudando que quando o crime é cometido contra menor de 18 anos o tempo de prescrição passa a ser contado apenas após a maioridade ser atingida. Ao perceber que poderia ainda conseguir a condenação do homem passou a vasculhar a interne atrás do nome dele.

Junto à Justiça Trabalhista em Altamira, localizou diversos processos e soube onde começar as buscas. Em Marabá, a acionou a delegada Ana Paula Fernandes, à época titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e juntas descobriram que ainda havia mandado de prisão aberto contra o agressor. Pouco depois se deparou com uma nova pista, um processo no qual o homem havia sido intimado e em cuja audiência compareceu. Depois disso, foi fácil identificar o endereço do foragido.

CONDENAÇÃO

Após a prisão do homem, o processo correu de forma rápida. Sara diz que ela e a irmã nunca mais estiveram cara a cara com o estuprador. “Ninguém nos disse que ele estava em Marabá. No dia das audiências ele estava no Fórum, mas só soubemos porque uma testemunha nos informou. Disseram que não era pra eu saber, pois já tinha sofrido demais”. Para Sara, a notícia, recebida no último dia 4, foi um momento de alívio e sente que agora está livre de um peso.

“O que sentimos é que Deus é fiel e não nos abandonou. Gritamos, choramos, nos ajoelhamos. Minha mãe gritava dizendo que nunca se perdoou por isso ter acontecido conosco, mas que enfim a justiça tinha sido feita. Acho que agora posso seguir a vida, a justiça demorou, mas felizmente foi feita”, declarou. Silvio está recolhido no sistema prisional de Altamira, a 487 km de Marabá. (Luciana Marschall)

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