Correio de Carajás

Marabá é mais limpa que cidades do Sul, diz pesquisa

Entre os municípios com mais de 250 mil habitantes, Marabá obteve expressivo desempenho na segunda edição do Índice de Sustentabilidade de Limpeza Urbana (ISLU), elaborado pelo Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur) e pela consultoria PwC Brasil. A sede urbana obteve nota 0,644, ficando à frente de 14 capitais, entre as quais Florianópolis e Goiânia, consideradas cidades de limpeza invejável. No Pará, apenas Ananindeua (36º) aparece acima de Marabá na pesquisa, enquanto Santarém surge em 90º lugar e Belém, em 98º, ocupa a vergonhosa última colocação.

A informação de que o ISLU havia sido publicado no começo da semana foi repassada pelo pesquisador, jornalista e engenheiro de minas André Santos, que atua como consultor de dados para o Portal Correio de Carajás e diversos outros veículos de comunicação da região.

Segundo Santos, a atual posição é muito importante para Marabá, especialmente pelo bom momento de crescimento (finanças locais e mercado de trabalho). Mostra outras face e fase do município: a face de uma área urbana capaz de se recuperar e se livrar do estigma de historicamente “imunda”; e a fase de avançar, conciliando crescimento econômico (a geração de riquezas cresceu e o caixa da prefeitura, idem) com desenvolvimento social (a área de limpeza urbana é essencial para garantir uma sociedade saudável e com bem-estar).

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“É preciso continuar nessa tendência, no quesito limpeza urbana, e começar a prosperar também nos investimentos em capital humano, principalmente na educação, em saúde e segurança, indicadores que insistem em arrastar para baixo a qualidade de vida do município como um todo”.

André Santos reconhece que este ano, com a nova gestão à frente da Prefeitura, a qualidade da limpeza urbana melhorou sobremaneira e isso deve colocar o município em situação mais confortável na próxima edição do ISLU. “Presumo que os indicadores melhoraram por causa da recuperação dos recursos coletados e do impacto ambiental mínimo em 2015. Como a coleta não era regular e em menor escala, era mais fácil trabalhar a recuperação e não agredir tanto o meio ambiente”, diz Santos.

POLÊMICA

Dentro da Prefeitura, há quem avalie que as informações que levaram Marabá ao posto atual possam ter sido maquiadas porque a limpeza urbana em 2015 não estava em cenário muito favorável, havia muitos problemas de lixões e a coleta não era diária como está sendo agora. Santos, contudo, explica que os dados para compor o ISLU são coletados na base de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), esta a qual abastecida com informações das próprias prefeituras. “Quando há indício de fraude nos dados, o município não entra no ranking. Prova disso é que várias sedes municipais paraenses ficaram de fora e até cidades consideradas ‘limpinhas’, como Parauapebas e Paragominas, tiveram desempenho medíocre.”

Procurado pela Reportagem do Correio, o secretário municipal de Serviços Urbanos de Marabá, Múcio Andalécio, avaliou que o resultado do ISLU é bom para Marabá, mas que a gestão atual pretende melhorá-lo ainda mais nas próximas pesquisas. “Sonhamos que nossa realidade seja uma das melhores do País, o que ainda estamos longe de alcançar”, reconhece.

Segundo Múcio, com combustível, locação de veículos e mão de obra, a Prefeitura está gastando agora menos de R$ 1 milhão para executar um serviço que a Limpus fazia por mais de R$ 2 milhões. No valor atual, está incluso até mesmo a gestão do aterro sanitário, que a terceirizada não se responsabilizava no passado e que tem um custo alto. “Nossa coleta de lixo hoje está bem qualificada e recebe elogios em todos os bairros da cidade”, afirma o secretário.

Andalécio reconhece que ainda há gargalos a resolver na coleta de lixo e cita que a comunidade, de forma geral, precisa colaborar, adotando disciplina para colocar o lixo no horário mais próximo possível da passagem do caminhão coletor na porta de casa. “A coleta é diária, exceto aos domingos”, sustenta.

Múcio reconhece, também, que há problemas com bolsões de lixo que se formam em alguns lugares da cidade e não descarta aplicação de multa aos infratores, mas pondera que prefere trabalhar primeiro a conscientização de comerciantes. “O lixo é ruim para as pessoas por questões de saúde e prejudica a imagem da cidade como um todo”, diz.

O secretário lembrou que o município de Marabá ganhou um caminhão compactador de lixo do Ministério da Integração Nacional e recuperou outro que estava em comodato com a Limpus Ambiental. O Governo do Estado prometeu fornecimento de outros nove, mas o processo de aquisição passa por licitação atualmente.

SOBRE O ISLU

As cidades que contam com planos de gestão integrada de limpeza urbana também apresentam desempenho melhor. Segundo o ISLU, 75% dos munícipios com esse tipo de plano e arrecadação específica dispõem o lixo em aterros sanitários, ante 24% daqueles sem arrecadação e planejamento de sustentabilidade. “Os dados apresentados revelam a importância da sustentabilidade operacional e financeira para a viabilização da destinação adequada dos resíduos sólidos”, diz Marcio Matheus, presidente do Selur.

O ISLU também traz uma série de análises e parâmetros para que gestores públicos e privados de limpeza urbana possam tornar o ambiente das cidades mais adequado e sustentável.

O estudo tem como objetivo mapear o cumprimento das recomendações da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Os dados utilizados foram coletados na última base disponibilizada pelo SNIS referente ao ano de 2015. O ISLU avalia a limpeza urbana nos municípios e o grau de cumprimento das normas estabelecidas pelo PNRS, com pontuação que varia de 0 a 1.

Para chegar aos resultados, quatro dimensões são levadas em consideração: Engajamento do Município (população atendida versus população total); Sustentabilidade Financeira (impacto da arrecadação específica); Recuperação dos Recursos Coletados (material reciclável recuperado sobre total coletado); e, por fim, Impacto Ambiental (quantidade destinada incorretamente sobre a população atendida).

Os municípios da Região Norte ocupam algumas das piores posições do ranking do ISLU entre os com mais de 250 mil habitantes. Capitais como Belém (Pará), Manaus (Amazonas), Rio Branco (Acre) e Porto Velho (Rondônia) obtiveram pontuações vergonhosas. Um dos principais motivos é a coleta de resíduos. “O estudo revela tanto os avanços realizados pelas cidades no que diz respeito à limpeza urbana e sustentabilidade quanto lança luz sobre o caminho que ainda precisa ser percorrido”, diz Matheus. (Ulisses Pompeu)

Entre os municípios com mais de 250 mil habitantes, Marabá obteve expressivo desempenho na segunda edição do Índice de Sustentabilidade de Limpeza Urbana (ISLU), elaborado pelo Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur) e pela consultoria PwC Brasil. A sede urbana obteve nota 0,644, ficando à frente de 14 capitais, entre as quais Florianópolis e Goiânia, consideradas cidades de limpeza invejável. No Pará, apenas Ananindeua (36º) aparece acima de Marabá na pesquisa, enquanto Santarém surge em 90º lugar e Belém, em 98º, ocupa a vergonhosa última colocação.

A informação de que o ISLU havia sido publicado no começo da semana foi repassada pelo pesquisador, jornalista e engenheiro de minas André Santos, que atua como consultor de dados para o Portal Correio de Carajás e diversos outros veículos de comunicação da região.

Segundo Santos, a atual posição é muito importante para Marabá, especialmente pelo bom momento de crescimento (finanças locais e mercado de trabalho). Mostra outras face e fase do município: a face de uma área urbana capaz de se recuperar e se livrar do estigma de historicamente “imunda”; e a fase de avançar, conciliando crescimento econômico (a geração de riquezas cresceu e o caixa da prefeitura, idem) com desenvolvimento social (a área de limpeza urbana é essencial para garantir uma sociedade saudável e com bem-estar).

“É preciso continuar nessa tendência, no quesito limpeza urbana, e começar a prosperar também nos investimentos em capital humano, principalmente na educação, em saúde e segurança, indicadores que insistem em arrastar para baixo a qualidade de vida do município como um todo”.

André Santos reconhece que este ano, com a nova gestão à frente da Prefeitura, a qualidade da limpeza urbana melhorou sobremaneira e isso deve colocar o município em situação mais confortável na próxima edição do ISLU. “Presumo que os indicadores melhoraram por causa da recuperação dos recursos coletados e do impacto ambiental mínimo em 2015. Como a coleta não era regular e em menor escala, era mais fácil trabalhar a recuperação e não agredir tanto o meio ambiente”, diz Santos.

POLÊMICA

Dentro da Prefeitura, há quem avalie que as informações que levaram Marabá ao posto atual possam ter sido maquiadas porque a limpeza urbana em 2015 não estava em cenário muito favorável, havia muitos problemas de lixões e a coleta não era diária como está sendo agora. Santos, contudo, explica que os dados para compor o ISLU são coletados na base de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), esta a qual abastecida com informações das próprias prefeituras. “Quando há indício de fraude nos dados, o município não entra no ranking. Prova disso é que várias sedes municipais paraenses ficaram de fora e até cidades consideradas ‘limpinhas’, como Parauapebas e Paragominas, tiveram desempenho medíocre.”

Procurado pela Reportagem do Correio, o secretário municipal de Serviços Urbanos de Marabá, Múcio Andalécio, avaliou que o resultado do ISLU é bom para Marabá, mas que a gestão atual pretende melhorá-lo ainda mais nas próximas pesquisas. “Sonhamos que nossa realidade seja uma das melhores do País, o que ainda estamos longe de alcançar”, reconhece.

Segundo Múcio, com combustível, locação de veículos e mão de obra, a Prefeitura está gastando agora menos de R$ 1 milhão para executar um serviço que a Limpus fazia por mais de R$ 2 milhões. No valor atual, está incluso até mesmo a gestão do aterro sanitário, que a terceirizada não se responsabilizava no passado e que tem um custo alto. “Nossa coleta de lixo hoje está bem qualificada e recebe elogios em todos os bairros da cidade”, afirma o secretário.

Andalécio reconhece que ainda há gargalos a resolver na coleta de lixo e cita que a comunidade, de forma geral, precisa colaborar, adotando disciplina para colocar o lixo no horário mais próximo possível da passagem do caminhão coletor na porta de casa. “A coleta é diária, exceto aos domingos”, sustenta.

Múcio reconhece, também, que há problemas com bolsões de lixo que se formam em alguns lugares da cidade e não descarta aplicação de multa aos infratores, mas pondera que prefere trabalhar primeiro a conscientização de comerciantes. “O lixo é ruim para as pessoas por questões de saúde e prejudica a imagem da cidade como um todo”, diz.

O secretário lembrou que o município de Marabá ganhou um caminhão compactador de lixo do Ministério da Integração Nacional e recuperou outro que estava em comodato com a Limpus Ambiental. O Governo do Estado prometeu fornecimento de outros nove, mas o processo de aquisição passa por licitação atualmente.

SOBRE O ISLU

As cidades que contam com planos de gestão integrada de limpeza urbana também apresentam desempenho melhor. Segundo o ISLU, 75% dos munícipios com esse tipo de plano e arrecadação específica dispõem o lixo em aterros sanitários, ante 24% daqueles sem arrecadação e planejamento de sustentabilidade. “Os dados apresentados revelam a importância da sustentabilidade operacional e financeira para a viabilização da destinação adequada dos resíduos sólidos”, diz Marcio Matheus, presidente do Selur.

O ISLU também traz uma série de análises e parâmetros para que gestores públicos e privados de limpeza urbana possam tornar o ambiente das cidades mais adequado e sustentável.

O estudo tem como objetivo mapear o cumprimento das recomendações da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Os dados utilizados foram coletados na última base disponibilizada pelo SNIS referente ao ano de 2015. O ISLU avalia a limpeza urbana nos municípios e o grau de cumprimento das normas estabelecidas pelo PNRS, com pontuação que varia de 0 a 1.

Para chegar aos resultados, quatro dimensões são levadas em consideração: Engajamento do Município (população atendida versus população total); Sustentabilidade Financeira (impacto da arrecadação específica); Recuperação dos Recursos Coletados (material reciclável recuperado sobre total coletado); e, por fim, Impacto Ambiental (quantidade destinada incorretamente sobre a população atendida).

Os municípios da Região Norte ocupam algumas das piores posições do ranking do ISLU entre os com mais de 250 mil habitantes. Capitais como Belém (Pará), Manaus (Amazonas), Rio Branco (Acre) e Porto Velho (Rondônia) obtiveram pontuações vergonhosas. Um dos principais motivos é a coleta de resíduos. “O estudo revela tanto os avanços realizados pelas cidades no que diz respeito à limpeza urbana e sustentabilidade quanto lança luz sobre o caminho que ainda precisa ser percorrido”, diz Matheus. (Ulisses Pompeu)

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