O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram, na quarta-feira (5), os resultados do IDEB 2025, o principal indicador de qualidade da educação básica do país. Os dados mostram avanço no ensino médio de Marabá, que consolidou escolas entre as melhores da Diretoria Regional de Ensino (DRE) e registrou crescimento consistente ao longo da última década.
A Escola Estadual Rio Tocantins (CMRIO) é o grande destaque. A instituição saltou de 3,2 pontos em 2017 para 5,1 em 2025 — avanço de 1,9 ponto que a coloca no topo do ranking da DRE Marabá, acima da média nacional da etapa (4,5) e da média estadual (4,4). Na sequência aparecem as escolas O Pequeno Príncipe e Prof. Anísio Teixeira, ambas com 4,8, seguidas por Plínio Pinheiro (4,6), Dr. Gaspar Vianna e Prof. Paulo Freire (4,5). O ranking regional, que considera os empates, reúne ainda unidades de municípios vizinhos, como Maria Sylvia dos Santos (Bom Jesus do Tocantins) e Albertina Barreiros (Itupiranga).
O desempenho acompanha a trajetória estadual. Segundo o MEC, o Pará elevou o IDEB do ensino médio de 2,8 para 4,4 entre 2017 e 2025, o maior avanço do Brasil no período. A nota paraense fica ligeiramente abaixo da média nacional (4,5), mas acima da média das redes públicas do país (4,3). O resultado é o melhor da série histórica iniciada em 2005, embora nenhuma rede estadual tenha atingido a meta de 5,2 prevista para a etapa, apenas seis estados superaram a média do país.
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O avanço, porém, merece leitura cautelosa. Especialistas apontam que parte da melhora foi puxada pelo aumento das taxas de aprovação, e não necessariamente por ganho real de aprendizagem em português e matemática. No Pará, o desafio agora é transformar a consolidação do fluxo escolar em aprendizado efetivo, o próximo salto dependerá da qualidade do ensino, não apenas da aprovação.
Em Marabá, o cenário é de desigualdade entre as unidades. Enquanto a Rio Tocantins supera as médias nacional e estadual, escolas como a Dr. Gabriel Sales Pimenta (3,8), a Liberdade (3,8) e o anexo da Dr. Gaspar Vianna em Nova Marabá (3,5) seguem abaixo da média paraense. Ainda assim, a maioria das instituições evoluiu: a Luzia Nunes Fernandes subiu de 3,4 (2023) para 4,4 (2025), e a Plínio Pinheiro avançou de 2,9 (2019) para 4,6.
Procurado pela Reportagem do CORREIO DE CARAJÁS, o diretor da Diretoria Regional de Educação (DRE), Magno Barros, observa que, ao analisar os resultados do IDEB de 2023 e 2025, percebeu um movimento positivo e mais amplo entre as escolas estaduais atendidas pela equipe liderada por ele. Das 43 unidades que possuem notas nos dois ciclos e podem ser comparadas, 25 avançaram, seis mantiveram o resultado e 12 apresentaram redução. “O crescimento médio foi de 0,15 ponto, um resultado moderado, mas que precisa ser compreendido junto com a evolução individual das escolas e com a aproximação entre elas nos níveis mais altos de desempenho”, justifica ele.

Ainda segundo Magno, algumas escolas tiveram avanços bastante expressivos. A Escola Luzia Nunes Fernandes, em Marabá, passou de 3,4 para 4,4, crescendo um ponto no índice. A Escola Professora Elza Maria Corrêa Dantas, em São Domingos do Araguaia, avançou de 3,6 para 4,5. Já a Escola Dr. Abel Figueiredo, em São João do Araguaia, passou de 3,6 para 4,4. Também merecem destaque escolas de São Geraldo do Araguaia, Abel Figueiredo, Itupiranga, Brejo Grande do Araguaia e Nova Ipixuna, demonstrando que o crescimento não está concentrado em apenas um município.
“Outro aspecto importante é que estamos observando uma rede mais equilibrada. Há um número maior de escolas alcançando notas próximas e ocupando a parte superior dos resultados. Essa maior homogeneidade é positiva porque indica que a melhoria da qualidade não está restrita a poucas unidades, mas começa a se espalhar pelo território da DRE. Nosso objetivo não é ter apenas algumas escolas em destaque, mas criar condições para que todas avancem e para que as diferenças de aprendizagem sejam progressivamente reduzidas”, sustenta.
Para Magno, é necessário lembrar que o IDEB não é apenas um número ou uma posição em um ranking. Ele reúne indicadores de aprendizagem e de fluxo escolar e, por isso, ajuda a mostrar se os estudantes estão aprendendo e avançando em sua trajetória educacional. “Por trás de cada décimo conquistado estão o planejamento dos gestores, a atuação dos professores, o acompanhamento das equipes pedagógicas, o trabalho dos servidores e, principalmente, o esforço de milhares de estudantes”.
Finalmente, o diretor da DRE Marabá pondera que os resultados falam de escolas públicas que enfrentam desafios reais, mas que continuam evoluindo. Quando uma escola melhora sua aprendizagem, amplia também as perspectivas de seus estudantes. “Estamos falando de jovens que passam a ter mais oportunidades, mais autonomia e melhores condições para construir seus projetos de vida. Por isso, celebramos os avanços, reconhecemos o trabalho realizado e, ao mesmo tempo, mantemos o compromisso de apoiar as escolas que ainda precisam avançar”, conclui.

