Correio de Carajás

Mais uma morte no Hospital Materno Infantil de Marabá

Francisco Hélio e Ana Lucia denunciaram, na polícia, a morte do filho no HMI/ Foto: Josseli Carvalho
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Nesta sexta-feira (15), o casal Ana Lucia Pereira Soares e Francisco Hélio Soares Souza procurou a delegacia de Polícia Civil para denunciar mais uma morte no Hospital Materno Infantil (HMI). O filho deles nasceu prematuro e, segundo os pais, o parto aconteceu no corredor da casa de saúde. Ele ainda chegou a chorar e poucos instantes depois, morreu. Ana Lucia e Francisco registraram Boletim de Ocorrência Policial e aguarda uma resposta das autoridades.

Segundo relato feito por Ana Lucia, o caso aconteceu na madrugada do último dia 6, quando ela sentiu fortes dores e teve de ser levada às pressas ao HMI. Lá, ela conta que recebeu duas doses de medicamento na veia, sendo a primeira de Buscopan e a segunda de um remédio que ela não soube dizer o que era.

Ana Lucia disse que foi até o banheiro e no caminho, no meio do corredor, sentiu fortes contrações, e o filho começou a nascer ali mesmo, embora ela estivesse grávida de apenas seis meses e sete dias.

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O que revolta a mulher e seu marido é que, nessa hora, não havia nenhum funcionário por perto para prestar atendimento. Só depois de algum tempo é que duas enfermeiras apareceram, mas não havia maca e ela teve de ser colocada em uma cadeira de rodas e levada para a sala de cirurgia, mas o bebê á tinha nascido, ainda segundo a versão dela.

Instantes depois, o bebê parou de chorar e as enfermeiras tentaram massageá-lo no peito, mas ele morreu logo em seguida. Ana Lúcia diz também que quando o cordão umbilical foi cortado, o bebê ficou sangrando bastante, antes de falecer.

Já o pai da criança, Francisco Hélio reclama que o atendimento foi “desumano” no HIM. “O ser humano deveria ser tratado melhor num lugar desses”, resume, ao acrescentar que só foi ao hospital porque precisava de atendimento com urgência.

Francisco diz que ver a esposa agachada no corredor, com a criança saindo e se mexendo, sem nenhum médico para atender, foi uma cena que lhe causou profundo trauma. “Essa imagem vai ficar marcada pra sempre na minha memória”, reflete.

Procurado ainda na delegacia, o delegado plantonista Lênio Duarte, da Polícia Civil, não quis se alongar sobre o caso, posto que ele havia acabado de receber a denúncia. O policial disse apenas que irá pedir o laudo do HMI para depois definir quais procedimentos serão tomados.

Parto não foi no corredor, diz HMI

Para o CORREIO, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura explicou que o HMI informou que a criança era prematura (a gravidez tinha entre 23 e 25 semanas) e que, em função da superlotação da unidade hospitalar, a mãe aguardou atendimento no Centro de Acolhimento, como outras mães também, esperando o momento para ser levada ao Centro Obstétrico.

Ainda de acordo com a versão oficial, assim que Ana Lúcia entrou em trabalho de parto, foi levada para a segunda sala de cirurgia, onde o nenê nasceu. Ou seja, segundo a prefeitura, o parto não ocorreu no corredor, diferente da versão contada pela mãe.

A informação repassada pelo HMI para a Secom é de que Ana Lúcia apresentava uma dilatação de 2 a 3 centímetros, mas poucas horas depois teve uma dilatação maior e ela foi conduzida rapidamente para a sala de cirurgia. O HMI não pode afirmar se a criança nasceu em óbito. Apenas o laudo do Instituto Médico Legal (IML) poderá dizer. Por fim, a Secom informa que o HMI investigará o caso com todo o rigor. (Chagas Filho e Josseli Carvalho)

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