Correio de Carajás

Mais de 60 famílias estão sendo retiradas de área de risco do Bairro Infraero

Moradores e SDU conversam sobre a realocação das casas da área de proteção/ Fotos: Evangelista Rocha

DECISÃO JUDICIAL

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Dando cumprimento a uma decisão judicial, a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) iniciou na manhã desta quarta-feira (21), o processo de realocação de 63 famílias que ocupam uma área chamada de cone de proteção aeroportuária, no Bairro da Infraero, em Marabá.

Com o apoio da Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, agentes do SDU deram início à desocupação.

O cone de proteção é uma área delimitada onde é expressamente proibida a moradia por conta de segurança do aeroporto.

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Mancipor Oliveira Lopes, que está frente da SDU em Marabá, foi categórico ao afirmar que se as famílias não saírem do local o aeroporto corre o risco de fechar. “O dilema é esse: remove-se as famílias para permanecer o aeroporto ou mantém as famílias e fecha o aeroporto”.

“Remove-se as famílias para permanecer o aeroporto ou mantém as famílias e fecha o aeroporto”, diz Mancipor Lopes

A determinação da Justiça Federal é que a situação seja resolvida em menor tempo possível. O órgão municipal pretende, até a próxima sexta-feira (23), equacionar a situação.

A área da Infraero foi ocupada em meados de 2014 com a justificativa que seria para moradia. Contudo, ainda há muitos espaços demarcados e vazios e será para lá que as famílias serão encaminhadas, como afirma Mancipor.

“São terrenos vazios que ficam próximos do ‘cone’. Por que esses lotes estão vazios se foram ocupados para moradia há mais de 6 anos?”, questiona.

Muitos conflitos, entre moradores e autoridades, já foram registrados na área e, nesse momento de realocação, Mancipor explica que é natural alguns embates, mas tudo está sendo resolvido de forma pacífica.

“Na época da ocupação existiu muita enganação, ilusão, mentira e uso político. A maioria das pessoas que estão aqui foram enganadas, foi dito a elas que essa área era possível de ocupação e que estava tudo resolvido, quando na verdade nunca foi resolvido”.

Questionado pelo Correio de Carajás sobre a quantidade de famílias na área, Mancipor afirma que após um cadastramento detalhado foram identificadas 98, sendo que 63 delas precisam sair das áreas que estão ocupando.

Pretendendo concluir a realocação, Mancipor finaliza afirmando que a SDU está resolvendo uma situação que não tem nada a ver com o município. “Esse assunto é Infraero, Justiça Federal e Ministério Público Federal. Mas o ônus sobra para o município. E quem recebeu ameaça formal fui eu. Olharam pra mim e falaram ‘vou lhe matar, isso é só enganação porque você e a liderança estão querendo comercializar lotes aqui na área’. Afirmaram que tenho lotes aqui dentro, o que é mentira”, finaliza.

DESAPROPRIAÇÃO

Com um lote há mais de 7 anos, há dois Maria Edna, de 52 anos, mora no terreno que fica na área intitulada Cone de Proteção.

Segundo ela, a autodenominada presidente da Associação dos Moradores — conhecida no local como Mara – não queria que os moradores assinassem nenhum tipo de documento e que era para eles baterem de frente com os órgãos responsáveis.

Maria Edna decidiu acatar a decisão e vai sair da área

“Não vou lutar contra a Justiça. Já tem muitos anos essa área e as pessoas que estão morando aqui é porque precisam e não têm pra onde ir. Recebi R$ 3 mil para ser removida e já estou desmanchando a minha casa. Vou para a casa da minha nora”, explica.

A nora tem uma casa próxima ao muro do terreno da Infraero, área que não sofrerá desapropriação.

Sem ciência de que morava em uma área de risco, Maria Edna afirma que se soubesse não teria investido dinheiro na casa. “Eu não sabia. Mas quando veio a primeira liminar a gente achou por bem tirar a madeira para não pegar tanto prejuízo e aí desmanchamos a casa”. (Ana Mangas)

 

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