Foto: Reprodução
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Na quinta-feira (22), em um evento transmitido no YouTube, Taylor Swift disse que a ideia de seu sétimo álbum era celebrar o amor.

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Só se for o amor pela própria carreira (o que faz dela uma das melhores do ramo). “Lover” parece estrategicamente concebido para ser vários recomeços em um só disco.

É uma volta ao country, ao falatório recalcado, às letras descritivas meio Bruce Springsteen (ela cita o cantor em uma letra e fica receosa de rirem dela por isso).

E pode ser uma volta aos tempos em que tinha uma turnê mais lucrativa, mais músicas nas paradas, mais álbuns vendidos, após ela mudar de gravadora.

Calma, você vai encontrar uma Tay que você goste. E o desespero em fazer este disco ser relevante talvez tenha a ver com o fato de o anterior ser o menos vendido de sua carreira (“meros” 4,5 milhões de cópias em todo mundo).

Quem quiser uma Taylor mais careta, em uma quase volta às raízes country, vai encontrá-la:

  • Ela tira a poeira de seu banjo em “Soon You’ll Get Better”, com o trio Dixie Chicks, pioneiras do country pop, e letra em que suspira ao cantar sobre sua mãe se recuperando de um câncer;
  • E descreve o amor de um casal fofo formado por amigos dela na balada rádio AM que dá nome ao disco.

Mas mesmo com momentos de ternura em pouco mais de uma hora e 18 músicas, “Lover” mostra a cantora americana de 29 anos no melhor de sua forma quando ela mira no ódio (sentido pelos outros), no recalque, nos ex-namorados, em Donald Trump ou em Kanye West.

  • “Miss Americana & The Heartbreak Prince” é uma das mais politizadas da carreira: “A glória americana desapareceu diante de mim / Estou me sentindo sem esperança, rasguei meu vestido de formatura”;
  • “I Forgot That You Existed” abre o disco com arranjo leve e fofo, mas letra que pode ser para qualquer dos caras que ela tenha tretado;
  • “You Need to Calm Down” poderia ser o hino da internet, se ela fosse um país. Ela se mostra impaciente com haters, mas pede paz e calma.

“Controle seus impulsos para gritar sobre todas as pessoas que você odeia / Até porque shade nunca fez ninguém menos gay”, explica ela na música, citando a gíria para indiretas maldosas.

Faça o que ela diz, não o que ela faz. Taylor ainda é a cantora que mais dá indiretas. E isso é parte do charme dela.

Taylor Swift lança ‘You Need to Calm Down’

Sai pop sueco, entra pop de playlist

O disco anterior (o soturno “Reputation”, de arranjos mais sujos) era uma ida ao bar para reclamar da vida. Muito mais leve, “1989” era sobre o amor nos tempos do Tinder.

Tinha mais autoajuda, mais autozoação (algo aqui só ouvido em “ME”, primeiro single). Tinha também um time de produtores suecos que não estão mais com ela após ajudarem a migrar do country pop para o pop dançante de sintetizadores.

Os produtores anteriores eram os mesmos de Britney Spears, Pink, Backstreet Boys, Maroon 5, Ed Sheeran. Agora, dá as mãos para Jack Antonoff, com quem já havia trabalhado e de currículo mais alternativo que passa por Lorde e Lana Del Rey.

Esse pop mais descolado e menos “escandinavamente” radiofônico aparece mais nos arranjos retrô futuristas de “London Boy” (Charlie XCX patricinha), “Paper Rings” (girl group sessentista versão 2010) e “The Man” (indie pop californiano tipo Haim).

Mas até a parceria dos dois tem um quê de retorno a uma era anterior da cantora. “I think he knows” é pop suingado sobre relacionamentos, com letra até bobinha: “Ele tem aquele look de garoto que eu gosto em homens… É como se eu tivesse 17 anos, ninguém entende”.

O pop de playlist, feito para ser encaixado no maior número de listas de gêneros diferentes no Spotify e YouTube, é quase revolucionado por Taylor e seu time.

Se você pensou que Ed Sheeran tinha chegado ao limite, repense. Dá para fazer isso e dar forma a um bom álbum.

(Fonte:G1)

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