Correio de Carajás

LIPOASPIRAÇÃO II

Antes da anestesia o paciente deve ser marcado com canetas especiais em posição ortostática, de forma estática e dinâmica. Essa marcação deve ser usada como referência durante o ato operatório. O paciente deve ser posicionado na mesa cirúrgica de maneira que o cirurgião tenha livre acesso às áreas tratadas, podendo haver mudança de decúbito durante o ato operatório.

O procedimento operatório inicia-se com a seleção da técnica anestésica, que pode ser anestesia geral, bloqueios regionais ou anestesia local. Por ser boa opção para pacientes tratados em caráter ambulatorial, destaca-se, neste capítulo, a anestesia local, que pode ser associada à sedação venosa ou oral, dependendo da disponibilidade de um anestesista.

Na execução do ato operatório, o cirurgião deve preservar ao máximo as conexões da pele com os planos profundos, respeitando vasos sanguíneos e linfáticos e as terminações nervosas da área tratada. Acessórios como vibrolipoaspiradores e cânulas associadas a um dispositivo de ultrassom podem ser usados dependendo da experiência do cirurgião.

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O uso de instrumentos adequados é de fundamental importância. Inicialmente, as cânulas de lipoaspiração tinham de 4 mm a 12 mm de diâmetro; atualmente, elas variam de 2 mm a 5 mm. O uso de cânulas mais finas diminuiu a incidência de irregularidades nas áreas tratadas. As cânulas são de ponta romba, retas e com orifícios ventrais e/ou laterais.

Existem ainda cânulas curvas e com acabamentos específicos, recebendo diferentes denominações, como as cânulas de Pontes, Mercedes, Toledo, Ewaldo, Pitanguy e outras. As cânulas são conectadas a um sistema de pressão negativa, podendo este ser lipoaspirador ou seringas.

Os túneis devem ser realizados na massa gordurosa em diferentes níveis de profundidade, evitando-se excessiva aspiração da camada areolar. Esses túneis devem, classicamente, ser realizados de forma cruzada, mas trabalhos recentes sugerem que sejam feitos paralelos as fibras musculares encontradas na profundidade da área tratada.

Deve-se evitar traumatismo excessivo à pele da área tratada, preferindo-se manter a mão espalmada sobre a pele ao pinçamento e tração dos tecidos. O respeito ao volume máximo aspirado de 5% a 7% do peso corporal é de fundamental importância.

Quando necessário, o tecido adiposo aspirado pode ser preparado e injetado na forma de enxerto gorduroso em áreas onde se pretende promover aumento de volume, como para aumento glúteo ou correção de irregularidades.

Para receber alta hospitalar, o paciente deve apresentar sinais vitais estáveis, orientação no tempo e espaço, movimentos voluntários, dor controlada, mínimas náuseas e vômitos e tolerância à deambulação. Imediatamente após a operação, o paciente é vestido com cinta compressiva que deve ser usada continuamente por 30 dias.

Essa cinta pode ser associada com espuma compressiva, durante a primeira semana, para evitar marcas e dobras na pele e promover distribuição uniforme da pressão. Da segunda à quarta semana, a cinta pode ser associada a talas compressivas. Fisioterapia tipo drenagem linfática pode iniciar-se a partir do primeiro dia pós-operatório, e é usualmente mantida por 10 dias.

Cerca de 70% a 80% do edema desaparece ao final do primeiro mês pós-operatório. O restante do edema desaparece gradualmente nos próximos meses, sendo o resultado final considerado a partir de 6 meses.

Equimoses são comuns após lipoaspiração, podendo manifestar-se em áreas não tratadas, como tornozelos, já que seguem padrão gravitacional. Geralmente não duram mais que 3 semanas, período em que a exposição solar deve ser evitada para prevenir pigmentação definitiva da pele.

* O autor é especialista em cirurgia geral e saúde digestiva.

 

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