O Laboratório de Contas Regionais da Amazônia (Lacam) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em parceria com a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), realizou nesta terça-feira (30), das 9h às 16h, o seminário “Dimensões e resultados preliminares sobre a Bioeconomia no Pará”. A programação ocorreu no Miniauditório do IEDAR – Unidade III, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).
O evento apresentou resultados preliminares das pesquisas desenvolvidas a partir do convênio firmado entre a Unifesspa e a Fapespa para a criação da Rede Pará de Contas Regionais de Bioeconomia, a qual também integram a Ufopa e a Ufpa. Os estudos apresentados dão conta da agenda de pesquisa do Lacam sobre a bioeconomia no estado a partir de diferentes abordagens sobre o tema, incluindo metodologias, bases de dados e análises produzidas pelo laboratório.
Ao longo do dia, a programação se organizou em quatro mesas temáticas. Pela manhã, foram apresentados o Projeto TRU Bioeconomia, o estudo sobre redes de abastecimento e comercialização da bioeconomia e o Dashboard de Notas Fiscais. À tarde, a mesa “Interseccionalidade e bioeconomia nos territórios do campo, rios e florestas” encerrou a programação do seminário.
Leia mais:A Profa. Dra. Flávia Marinho Lisbôa, que coordenou esta última mesa, destaca que também atravessa as preocupações da rede o objetivo de tornar visíveis as dimensões de raça e gênero como imbricações indissociáveis na compreensão da bioeconomia, que se concentra em diferentes territórios “protagonizada por povos do campo, das águas e das florestas, com especial papel de mulheres que são responsáveis pela autonomia de suas famílias e da economia dos territórios por meio de processos produtivos politicamente pensados para defender relações não predatórias com o meio ambiente”, salienta.
Para a representante da Fapespa, Atyliana Dias, os dados apresentados no seminário, que são dados preliminares da TRU da Bioeconomia reforçam a potencialização da Bieoconomia para economia do Pará e a realidade da comercialização e formalização que proporciona ações e proposta de políticas públicas através dos resultados de pesquisa de campo. “Saio com a convicção de que desenvolver bioeconomia é, antes de tudo, cuidar de vidas e pessoas nos territórios”, destaca a diretora de Estatística, Tecnologia e Gestão de Informação da Fapespa.
Coordenador geral do Lacam, o Prof. Dr. Lucas Rodrigues destacou que a pesquisa da bioeconomia do estado, a partir dos dados das notas fiscais eletrônicas, revela as características regionais na concentração dos diferentes produtos dessas atividades e suas especificidades na comercialização. Nessa análise, por exemplo, “a presença do cacau é nítida na região central do Pará e sua comercialização é bastante concentrada, sendo absorvida principalmente pela Bahia. Já o açaí possui concentração maior no norte e nordeste do estado, com uma ampla diversificação em seus centros de consumo. A castanha do Pará, por sua vez, encontra maior presença no noroeste, sendo destinada em grande parte ao mercado internacional, enquanto o pescado possui grande diversidade no estado em termos de centros produtores e de comercialização”, explicou o pesquisador.
Ele ainda observa que esse cenário denota a necessidade de políticas que fomentem a complexificação das cadeias produtivas, especialmente na transformação industrial. Essas pesquisas, ainda em estágio inicial, mostram que o Lacam tem desenvolvido ferramentas inéditas de análise que possibilitará o acompanhamento sistemático da evolução e das características da bioeconomia no estado, com suas cadeias produtivas e dinâmicas do setor. (Divulgação)
