Correio de Carajás

Juiz avalia eleição em Marabá como “trabalhosa” por falta de recursos

: Juiz Bruno Favacho, titular da 100ª Zona: “O eleitor é o patrão do político”/ Foto: Josseli Carvalho
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Embora tenha feito uma avaliação positiva sobre o comportamento dos eleitores, de forma geral, nas eleições de domingo (15), em Marabá, o juiz da 100ª Zona Eleitoral, Augusto Bruno de Moraes Favacho, advertiu que os eleitores não se deixem corromper e façam parte da vida pública do município, fiscalizando e cobrando a boa aplicação dos recursos públicos.

No entendimento do magistrado, o povo brasileiro tem se mostrado mais exigente no sentido de que o político se comporte dentro das regras democráticas, que vise realmente o bem comum e não pratique atos de corrupção, mas essa é uma luta que não pode ser esquecida. “Acho que a gente tem que avançar nesse sentido”, reafirma Bruno Favacho.

O juiz eleitoral diz acreditar que o povo está recusando políticos corruptos, que se comportam como um câncer para o País, pois a corrupção impede que o recurso público chegue ao povo. “O eleitor é o patrão do político”, resume Bruno Favacho, acrescentando que é o povo quem tem de ditar o comportamento da classe política, pois se o eleitor se deixar corromper será parte também desse processo que corrói a sociedade.

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Ainda de acordo com ele, o crime de compra de votos é algo que precisa ser rechaçado pela população, mas esse é um processo que precisa ser amadurecido a cada dia. Segundo Favacho, é criminoso não apenas o político que compra o voto, mas também o eleitor que o vende.

Questionado sobre qual será o procedimento das denúncias de crimes eleitorais, o magistrado explicou que se as notícias de crimes não forem devidamente formalizadas perde-se a oportunidade punir os envolvidos e corre-se o risco de colocar no parlamento pessoas que não estão comprometidas com o bem comum, mas com interesses privados.

Ele explica que o político que investe dinheiro na compra de votos, vai tentar recuperar essa quantia quando estiver na vida pública e isso vai virar uma bola de neve. “Nada justifica a corrupção”, afirma, acrescentando que todas as denúncias formalizadas serão processadas regularmente, seguindo o rito da legislação brasileira.

“Eleição trabalhosa”

Em relação à votação e apuração, o juiz classificou a eleição de Marabá como trabalhosa, devido a escassez de recursos públicos investidos no pleito e também à obediência das regras de segurança e saúde que ficaram muito mais rígidas neste pleito devido à pandemia.

Por outro lado, ele observou que o trabalho de esclarecimento feito pela Justiça Eleitoral, sobre a importância de todos participarem do processo, com o acompanhamento da Imprensa, foi importante para um pleito calmo. “Isso foi resultado também de um trabalho conjunto com os outros órgãos de segurança pública”, disse o magistrado.

No tocante ás questões técnicas do pleito, Bruno Favacho informou que os pontos de transmissão funcionaram a contento, somente um ponto apresentou problema, no PA Maravilha, mas às 15h a equipe técnica resolveu o problema. Em relação às urnas eletrônicas, apenas uma precisou ser substituída na zona rural.

Perguntado sobre a demora na apuração devido à tentativa de uma invasão hacker no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o magistrado não entrou diretamente no mérito da questão, informando que o procedimento foi feito dentro do protocolo, com transmissão dos dados para Brasília, que devolvia os dados processados.

Sem Exército

Sobre a não participação do Exército Brasileiro em Marabá, o juiz da 100ª Zona fez questão de esclarecer que solicitou a presença das forças armadas na segurança do pleito eleitoral dentro do prazo estabelecido, mas o pedido foi indeferido por conta de uma análise feita pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), que informou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PA) que, como as outras eleições transcorreram normalmente, não haveria necessidade do Exército. “De fato isso se mostrou verdadeiro”, resumiu o juiz.

Na avaliação dele, a ausência do Exército Brasileiro não foi sentida por conta do trabalho interligado de cooperação feito pelos outros órgãos de segurança pública. (Texto: Chagas Filho, Reportagem: Josseli Carvalho)

SAIBA MAIS

Juiz Bruno Favacho informou que a Justiça Eleitoral está dialogando com os poderes Executivo e Legislativo locais para definir o melhor local para a diplomação dos eleitos, que dificilmente será no Fórum Eleitoral, até por conta do espaço, que é exíguo. Possivelmente a cerimônia deve ocorrer na Câmara Municipal, tanto pelo espaço amplo quanto por ser a “casa do povo”.

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