Correio de Carajás

Insegurança atravessa décadas

Delegado Vinícius vê mudança histórica no formato da violência/ Foto: Evangelista Rocha
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Na primeira edição do Jornal CORREIO, em 1983, um dos assuntos que ganharam destaque na capa do noticiário foi justamente a preocupação com a violência. Matéria estampada com o título “Marabá está com medo” revela que a cidade enfrentava problemas com a violência, com a falta de segurança. Passados 35 anos, parece que Marabá continua com medo. O que mudou talvez foi um pouco do formato dessa violência e suas motivações, mas as mesmas raízes parecem ainda estar lá no cerne do problema.

Naquela ocasião, o delegado regional da Polícia Civil em Marabá, Lourival Souza, e também a juíza Ruth Nazaré do Couto Gurjão creditaram à migração os altos índices de violência em Marabá e região.

“A imigração como causa primeira, tendo Marabá um grande fluxo de pessoas de todas as partes do Brasil, uns sonhando com Carajás, outros visando Serra Pelada, poderia ser o grande responsável por este índice tão elevado de crimes em Marabá”, declarou naquela ocasião o policial.

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Na mesma reportagem, a juiz Ruth Gurjão observava que a dificuldade em punir os praticantes de crimes era o fato de que muitos dos acusados sequer moravam em Marabá. Ou seja, matavam, roubavam e depois fugiam da cidade.

Hoje, na visão do delegado Vinícius Cardoso das Neves, diretor da 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, a violência em Marabá e região tomou outras características ao longo dessas últimas três décadas, de modo que hoje o tráfico de drogas e os crimes que o circundam, como os roubos e os homicídios, algo que ocorre em cidades de médio e grande porte do Brasil, como é o caso de Marabá.

“A criminalidade que incomoda a sociedade hoje aqui não é mais a pistolagem e o conflito agrário dos anos 80, passou aquele período da chamada terra sem lei”, observa o policial.

De fato, tanto as vítimas de mortes violentas quanto os executores têm sido em geral jovens na faixa etária dos 24 anos, muitos deles nascidos em Marabá mesmo, o que revela uma mudança no perfil dos crimes e de seus agentes, mas que deixa igualmente preocupada a sociedade atual.

Por outro lado, ainda segundo o delegado Vinícius, a questão migratória, devido aos grandes empreendimentos instalados na região, ainda é um grande vetor da violência na região, porque o desenvolvimento regional é recente e contou com atração de muita gente de outras regiões do Estado e do País. “Com certeza um local que atrai muitas pessoas tem muitos problemas na segurança pública”, reafirma, acrescentando que um local onde as pessoas possuem um vínculo mais duradouro contribui para a diminuição nos índices de violência.

Com ponderou o delegado Vinícius, fazendo uma releitura do que outras autoridades da área de segurança já afirmavam em 1983, a julgar pela promessa implícita de geração de empregos dos chamados grandes projetos, antes mesmo que alguns deles tenham saído do papel, como foi o caso da ALPA/Aline e depois a Cevital (fábricas de aços), um batalhão de desempregados tem se deslocado para esta região do Estado.

Essa explosão demográfica tem provocado impacto sobre os aparelhos públicos que atendem questões cruciais, como segurança, saúde e educação, aumentando mais ainda o impacto também sobre a natureza, a partir das ocupações urbanas até mesmo nas margens dos rios, lugares que acabam se transformando em locais propícios para o tráfico de drogas e consequentemente os homicídios.

ENFRENTAMENTO

Embora Marabá e região não estejam entregues ao medo, a violência é elemento presente no dia a dia, como testemunhas as páginas do jornal. Mas as autoridades policiais têm monitorado essa violência e decifrado os códigos que permitem fazer esse enfrentamento de forma razoável, atacando os pontos sensíveis.

Exemplo disse é que, ao assumir o 2º Comando de Policiamento Regional (CPR-II), com sede em Marabá, o coronel Juniso Honorato Silva anunciou que atuará em duas linhas: uma repressiva, para combater roubos e homicídios; e outra preventiva, com capacitação e repressão primária. Dentro dessa linha estão iniciativas como o PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas –, destinado a crianças e pré-adolescentes. “Pretendemos criar uma cultura de paz nas crianças”, resumiu. (Chagas Filho)

SAIBA MAIS

Se antes a migração era o grande fio condutor tanto do progresso quanto da violência, hoje a sedimentação desses tempos de violência se visibiliza no tráfico de drogas e todos os crimes periféricos, ainda com o agravante de que existe uma grande população flutuante em Marabá e região. Esse complexo cenário tem exigido das forças de segurança muito mais do que a estrutura que sempre tiveram.

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