Correio de Carajás

IBGE vai realizar novos censos em Marabá a partir deste ano

Novidade foi apresentada pelo superintendente estadual do instituto durante seminário Estadual de Pesquisas Econômicas

Audience sentada em sala de aula ou auditório durante um evento.
Seminário aconteceu nesta quarta-feira, no auditório da Unifesspa, Unidade I, em Marabá/ Fotos: Evangelista Rocha
Por: Ana Mangas
✏️ Atualizado em 15/04/2026 14h41

Pela primeira vez fora da região metropolitana de Belém, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reuniu pesquisadores, estudantes e autoridades para a realização do III Seminário Estadual das Pesquisas Econômicas do IBGE. O evento, realizado na manhã desta quarta-feira, 15, no auditório do Campus I da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), teve como foco principal a análise dos setores de comércio, serviços, indústria e construção civil.

De acordo com o superintendente estadual do IBGE no Pará, Rony Cordeiro, a escolha de Marabá para sediar o encontro não foi casual, já que a cidade é considerada um “polo econômico estratégico”.

Rony Cordeiro, superintendente do IBGE no Pará, afirma que é preciso sensibilizar contadores e empresários sobre a importância de fornecer dados precisos

“Nosso objetivo é descentralizar as informações e sensibilizar os informantes locais (contadores e empresários) sobre a importância de fornecer dados precisos. Essas estatísticas são o que permitem ao setor público formular políticas e à iniciativa privada planejar seus investimentos. Através dessa pesquisa, a gente vai conseguir trazer a realidade do Estado para as atividades econômicas e mostrar para a sociedade a necessidade dessas informações para o desenvolvimento dos setores”, destaca o superintendente.

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O seminário funcionou como uma plataforma para explicar como as pesquisas do IBGE diagnosticam a realidade do Estado do Pará. De acordo com os palestrantes, entender a estrutura de custos e as margens de comércio ajuda a explicar, por exemplo, por que determinados produtos podem ter preços mais elevados na região em comparação à média nacional.

Para a diretora da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Atyliana Dias, o evento cumpre o papel fundamental de “tirar a pesquisa das quatro paredes da universidade”.

Para a diretora da Fapespa, Atyliana Dias, é fundamental tirar a pesquisa das quatro paredes da universidade

“Potência 24 horas”

De acordo com ela, Marabá é uma potência que funciona 24 horas. “As pessoas que não conhecem Marabá, não conhecem a região, e quando chegam, a gente não vê nem a característica, do que realmente a gente considera o interior do Pará. E, sim, uma região altamente comercial, que funciona 24 horas.  Ver o público participando, esse auditório assim do jeito que está, cheio de pessoas e autoridades, para nós é motivo de muita alegria e satisfação”.

A Unifesspa, anfitriã do evento, reforçou a importância técnica da parceria. Representantes da universidade destacaram que os dados do IBGE são essenciais para revelar a capacidade de produção local e identificar onde estão os gargalos logísticos e de custos que afetam o varejo e o atacado no interior paraense.

Giliad Silva, professor de Economia e coordenador do Lacam (Laboratório de Contas Regionais da Amazônia) afirma que essas pesquisas são importantes tanto para o setor público como para o privado.

Giliad Silva, professor de Economia e coordenador do Lacam, celebra o evento realizado pela primeira vez em Marabá

“Com os resultados é possível formular adequadamente suas políticas públicas, e para o setor privado, para poder alocar os seus investimentos onde provavelmente vão ter os maiores retornos possíveis. Então, de fato, essas pesquisas elas são fundamentais. É importante para quem está na atividade de serviços informar para que, justamente, quanto maior for o retorno das informações ao IBGE, maior é a precisão que esses dados vão espelhar a realidade. Por isso que essa atividade é muito importante, para conseguir entender qual a estrutura de cada setor. Porque aí você consegue entender como é a estrutura de custo. Se essa estrutura de custo estiver muito diferente da estrutura de custo da média brasileira, então pode ser que os preços aqui apareçam mais altos simplesmente porque a estrutura de custo do setor aqui é mais alta do que a média brasileira, né? Isso acontece também com as margens de comércio. Essa pesquisa também revela se a nossa margem de comércio aqui é mais elevada do que a média brasileira, ou se a nossa margem de comércio sofre porque, como a gente vende… normalmente quem vende no varejo, compra do atacado, e quem compra do atacado no estado, compra do atacado de fora do estado, e não necessariamente da indústria. Consequentemente você tem uma quantidade grande de margem embutida aí dentro. Então, essas pesquisas também trazem essa revelação e isso é útil, obviamente, para o setor público, para o setor privado, mas também para todo mundo ter uma noção do porquê, talvez, os preços de alguns produtos são mais caros do que a média nacional”, conclui.

Novos censos e pesquisas em Marabá

Durante o evento, o superintendente Rony Cordeiro aproveitou para anunciar um cronograma robusto de atividades do IBGE para os próximos anos, com destaque para a inclusão de Marabá em levantamentos inéditos.

Pesquisa Nacional de Saúde (PNS): início em julho de 2026, com coleta de biomarcadores (amostras de sangue) em parceria com o Ministério da Saúde.

Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola: Previsto para começar em junho de 2027, retomando o levantamento após dez anos.

Censo da população em situação de rua: Planejado para 2028, Marabá será um dos focos por possuir mais de 100 mil habitantes.

O tradicional Censo Demográfico está confirmado para 2030. “São informações riquíssimas para a sociedade, para as prefeituras, para as entidades que trabalham com estatísticas. O IBGE está à disposição para que a gente possa disseminar, junto com vocês, todas essas informações, porque assim a gente contribui com um Brasil melhor”, finalizou o superintendente do IBGE.