📅 Publicado em 15/04/2026 14h31✏️ Atualizado em 15/04/2026 14h41
Pela primeira vez fora da região metropolitana de Belém, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reuniu pesquisadores, estudantes e autoridades para a realização do III Seminário Estadual das Pesquisas Econômicas do IBGE. O evento, realizado na manhã desta quarta-feira, 15, no auditório do Campus I da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), teve como foco principal a análise dos setores de comércio, serviços, indústria e construção civil.
De acordo com o superintendente estadual do IBGE no Pará, Rony Cordeiro, a escolha de Marabá para sediar o encontro não foi casual, já que a cidade é considerada um “polo econômico estratégico”.

“Nosso objetivo é descentralizar as informações e sensibilizar os informantes locais (contadores e empresários) sobre a importância de fornecer dados precisos. Essas estatísticas são o que permitem ao setor público formular políticas e à iniciativa privada planejar seus investimentos. Através dessa pesquisa, a gente vai conseguir trazer a realidade do Estado para as atividades econômicas e mostrar para a sociedade a necessidade dessas informações para o desenvolvimento dos setores”, destaca o superintendente.
Leia mais:O seminário funcionou como uma plataforma para explicar como as pesquisas do IBGE diagnosticam a realidade do Estado do Pará. De acordo com os palestrantes, entender a estrutura de custos e as margens de comércio ajuda a explicar, por exemplo, por que determinados produtos podem ter preços mais elevados na região em comparação à média nacional.
Para a diretora da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Atyliana Dias, o evento cumpre o papel fundamental de “tirar a pesquisa das quatro paredes da universidade”.

“Potência 24 horas”
De acordo com ela, Marabá é uma potência que funciona 24 horas. “As pessoas que não conhecem Marabá, não conhecem a região, e quando chegam, a gente não vê nem a característica, do que realmente a gente considera o interior do Pará. E, sim, uma região altamente comercial, que funciona 24 horas. Ver o público participando, esse auditório assim do jeito que está, cheio de pessoas e autoridades, para nós é motivo de muita alegria e satisfação”.
A Unifesspa, anfitriã do evento, reforçou a importância técnica da parceria. Representantes da universidade destacaram que os dados do IBGE são essenciais para revelar a capacidade de produção local e identificar onde estão os gargalos logísticos e de custos que afetam o varejo e o atacado no interior paraense.
Giliad Silva, professor de Economia e coordenador do Lacam (Laboratório de Contas Regionais da Amazônia) afirma que essas pesquisas são importantes tanto para o setor público como para o privado.

“Com os resultados é possível formular adequadamente suas políticas públicas, e para o setor privado, para poder alocar os seus investimentos onde provavelmente vão ter os maiores retornos possíveis. Então, de fato, essas pesquisas elas são fundamentais. É importante para quem está na atividade de serviços informar para que, justamente, quanto maior for o retorno das informações ao IBGE, maior é a precisão que esses dados vão espelhar a realidade. Por isso que essa atividade é muito importante, para conseguir entender qual a estrutura de cada setor. Porque aí você consegue entender como é a estrutura de custo. Se essa estrutura de custo estiver muito diferente da estrutura de custo da média brasileira, então pode ser que os preços aqui apareçam mais altos simplesmente porque a estrutura de custo do setor aqui é mais alta do que a média brasileira, né? Isso acontece também com as margens de comércio. Essa pesquisa também revela se a nossa margem de comércio aqui é mais elevada do que a média brasileira, ou se a nossa margem de comércio sofre porque, como a gente vende… normalmente quem vende no varejo, compra do atacado, e quem compra do atacado no estado, compra do atacado de fora do estado, e não necessariamente da indústria. Consequentemente você tem uma quantidade grande de margem embutida aí dentro. Então, essas pesquisas também trazem essa revelação e isso é útil, obviamente, para o setor público, para o setor privado, mas também para todo mundo ter uma noção do porquê, talvez, os preços de alguns produtos são mais caros do que a média nacional”, conclui.
Novos censos e pesquisas em Marabá
Durante o evento, o superintendente Rony Cordeiro aproveitou para anunciar um cronograma robusto de atividades do IBGE para os próximos anos, com destaque para a inclusão de Marabá em levantamentos inéditos.
Pesquisa Nacional de Saúde (PNS): início em julho de 2026, com coleta de biomarcadores (amostras de sangue) em parceria com o Ministério da Saúde.
Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola: Previsto para começar em junho de 2027, retomando o levantamento após dez anos.
Censo da população em situação de rua: Planejado para 2028, Marabá será um dos focos por possuir mais de 100 mil habitantes.
O tradicional Censo Demográfico está confirmado para 2030. “São informações riquíssimas para a sociedade, para as prefeituras, para as entidades que trabalham com estatísticas. O IBGE está à disposição para que a gente possa disseminar, junto com vocês, todas essas informações, porque assim a gente contribui com um Brasil melhor”, finalizou o superintendente do IBGE.

