Correio de Carajás

Homicídio e protesto na delegacia de Itupiranga

Marcos Vinícius foi morto com uma facada certeira no coração
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O clima está tenso na cidade de Itupiranga, a 50 km de Marabá, tudo por causa de um romance entre dois jovens que terminou em tragédia, cujos ingredientes foram um assassinato, uma prisão, revolta popular e vidas marcadas, com sangue, para sempre. O caso em questão diz respeito ao assassinato do jovem Marcos Vinícius Sousa Pimentel, de apenas 20 anos, e da prisão da assassina, Daniela Santos de Assis, de 18, que era namorada da vítima até dois dias antes do crime.

Vinícius foi morto com uma facada certeira no peito esquerdo, na noite do último domingo (26), em um bar na Rua Antônio Lúcio, Bairro Centro. A autora confessa do crime se entregou à polícia na terça-feira (28), acompanhada da mãe.

Depois de matar o ex-namorado, Daniela desapareceu e só se apresentou depois de passado o período do flagrante. Ela contou ao delegado Toni Vargas, titular da delegacia de Itupiranga, que teve uma discussão acirrada com Marcos Vinícius e os dois partiram para as vias de fato.

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Em seu depoimento, que durou uma hora de 15 minutos, a acusada alega legítima defesa. Diz que, para não ser agredida pelo ex, se apoderou de uma “faquinha” de mesa – usada para cortar o tira-gosto no bar – e esfaqueou o rapaz, com quem ela namorava até a sexta-feira passada (dia 24).

Daniela Assis diz que matou o ex-namorado em legítima defesa. Ela já está no CRF

PROTESTO NA DELEGACIA

Ocorre que, enquanto ela prestava depoimento no interior da delegacia, do lado de fora do prédio, uma multidão enfurecida se aglomerava, de modo que a situação foi ficando cada vez mais tensa, pois Marcos Vinícius era um rapaz muito querido na cidade e sua morte revoltou muita gente. Ao saber da prisão, eles correram para a delegacia.

O tumulto foi tamanho que, além do policiamento, foi necessária a presença do juiz e do promotor da Comarca, que tiveram de abandonar um júri popular para, junto com o delegado, conversar com os manifestantes. “Nós usamos o diálogo”, resume Toni Vargas.

O policial conta que, embora não tenha ocorrido nenhum conflito entre policiais e manifestantes, um dos integrantes do protesto chegou a fechar o portão da delegacia com um cadeado para impedir que Daniela deixasse o prédio. Delegado Toni teve de providenciar uma ferramenta para cortar o cadeado.

Depois de colhido o depoimento, Daniela deixou a delegacia em uma viatura e ficou escondida em um local seguro, enquanto o delegado entregava nas mãos da Justiça e do Ministério Público o pedido de prisão preventiva da acusada.

O pedido foi protocolado por volta das 15h e pouco mais de duas horas depois, a prisão foi decretada e a acusada foi encaminhada para uma das celas do Centro de Recuperação Feminino (CRF) de Marabá.

Agora, o delegado Toni Vargas tem até o dia 6 de setembro para concluir o inquérito e neste período deve, inclusive, realizar novas diligências, ouvir novamente testemunhas que foram interrogadas em um primeiro momento e pode ainda voltar ao local do crime, conforme explicou, por telefone, o próprio delegado.

De acordo com informações levantadas pela reportagem do Jornal CORREIO, depois de esfaqueado, Marcos Vinícius ainda foi socorrido e inicialmente levado para o Hospital Municipal de Itupiranga, mas ali não conseguiu atendimento, sendo providenciada uma ambulância que o levou até o Hospital Municipal de Marabá (HMM), onde ele morreu logo após dar entrada. O corpo dele chegou ao Instituto Médico Legal (IML) de Marabá por volta das 2h da madrugada de segunda-feira (27).

A DIALÉTICA DA VIOLÊNCIA

No dia 28 de outubro do ano passado, Daniela – que na época ainda era menor de idade – se envolveu em uma briga com outra adolescente e acabou sendo esfaqueada no ombro esquerdo. A peixeira ficou encravada em Daniela. A imagem forte circulou pela mídia e pelas redes sociais, como tem sido normal em tempos de comunicação instantânea.

O que chama atenção, segundo revelou o delegado Toni Vargas, é que naquela ocasião, foi Marcos Vinícius quem socorreu a namorada, levando-a para o hospital e prestando todo o auxílio necessário naquele momento crucial.

Agora, aquele que um dia a auxiliou foi vítima da pessoa que ele ajudou a salvar a vida. Trata-se de um assassinato movido pelo sentimento de posse, pela falta de diálogo, pelo consumo de álcool e pela falta de zelo que o ser humano tem pela vida do seu semelhante. (Chagas Filho)

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