Correio de Carajás

Há 12 dias, sem terra ocupam sede do Incra em Marabá

Cerca de 327 famílias do Acampamento Pôr do Sol estão há 12 dias em frente ao Incra de Marabá, reivindicando a destinação de terras públicas e agilidade no processo de assentamento.

Fachada do prédio do INCRA em dia nublado, com barracas improvisadas e carros estacionados na frente.
O coletivo tem se organização na porta da sede como pressão ao Estado na regulamentação de terras / Fotos: Evangelista Rocha
Por: Kauã Fhillipe
✏️ Atualizado em 20/04/2026 17h02

Cerca de 327 famílias ligadas ao Acampamento Pôr do Sol mantêm, há 12 dias, uma ocupação em frente à sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Marabá. O grupo, que anteriormente estava acampado às margens do Rio Itacaiunas, às proximidades do Bairro da Paz, decidiu transferir a mobilização para a porta do órgão federal como forma de pressionar pela vistoria e destinação de terras públicas para assentamento.

A organização do movimento afirma que as famílias, estimadas aproximadamente 600 pessoas entre adultos e crianças, estão cadastradas no sistema do governo desde 2023, mas o processo de obtenção de terra não avançou no ritmo esperado. Segundo Manuel Floriano Gomes, um dos fundadores e organizadores do acampamento, a paciência do grupo “se esgotou diante da lentidão do Estado”.

Diferente de outras ocupações que buscam a desapropriação de fazendas, o Pôr do Sol reivindica o acesso legal a áreas que já pertencem à União. No local, a rotina é de resistência, pois enquanto parte do grupo sai para trabalhar e garantir o sustento, outros permanecem na vigilância das barracas e na manutenção da cozinha coletiva.

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“A gente resolveu pressionar o Governo a assentar essas famílias porque as áreas de ocupação andaram, mas as áreas de acampamento, não. A questão de quem ainda não tem acesso à terra está travada. Por isso, montamos acampamento aqui por tempo indeterminado e não pretendemos levantar enquanto não for resolvido nosso problema”, afirma Floriano.

Floriano: “O Incra diz que tão identificando as terras públicas para nós, mas até então nós não tivemos ainda o acesso do processo”

Resistência e apoio

O movimento conta com o suporte jurídico e logístico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Floriano explica que, embora o Incra tenha sinalizado que o processo está “avançado” e que terras públicas estão sendo identificadas, não há uma localização exata ou prazo definido para a entrega.

Mesmo sob condições precárias e a frequência de chuvas, o líder destaca que a mobilização segue pacífica, sem o intuito inicial de fechar rodovias ou ferrovias, apoiando-se no diálogo institucional (ainda que não descarte estratégias mais firmes caso não haja respostas).

“Nós queremos o processo legal, do jeito que foi prometido para nós, ninguém quer invadir fazenda. Queremos que o governo faça as vistorias e levante essas terras públicas. Os dias aqui são precários, chove, molha tudo, mas a gente não vai ceder. Queremos resistir até conseguir o objetivo”, pontua.

O Acampamento Pôr do Sol surgiu em março de 2022, em Marabá, começando com apenas 60 famílias. Em dois anos, o número saltou para mais de 300 famílias. Até a semana retrasada, o grupo ocupava uma área aos fundos do Bairro da Paz, sentido Tibiriçá, mas a falta de evolução nas vistorias de campo motivou a transferência da estrutura para a frente da Superintendência Regional do Incra (SR-27).

Procurada pela reportagem, a assessoria da superintendência do Incra Marabá afirmou que o coletivo foi recebido pelo órgão e apresentaram suas demandas. A pauta deles foi recepcionada e está sendo trabalhada de maneira a verificar se apresenta viabilidade para atendimento.