Correio de Carajás

Guerreiras Xikrin protestam contra marco temporal

As guerreiras Xikrin, em Marabá, deram seu recado às autoridades/Foto: Evangelista Rocha
As guerreiras Xikrin, em Marabá, deram seu recado às autoridades/Foto: Evangelista Rocha

MARABÁ

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Nesta quarta-feira (1º), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) planeja retomar as discussões sobre o Marco Temporal das reservas indígenas de todo o Brasil, indígenas de várias partes do país iniciaram protestos como forma de reprovar a ideia e apoiar os representantes das diversas etnias que já estão acampados em Brasília (DF). Aqui em Marabá não é diferente.

Houve dois momentos de protestos. O primeiro foi na Casa de Passagem dos Indígenas, na Folha 6 (Nova Marabá), na tarde desta terça-feira; e o outro foi em frente à sede da Funai (Folha 31, Nova Marabá), na manhã desta quarta.

Vestidas com trajes de guerra, as indígenas Xikrin cantaram, dançaram e disseram palavras de ordem contra o governo federal. Um facão se revezou de mão em mão para simbolizar que o momento é de luta.

Leia mais:

Uma das lideranças Xikrin, Nhonkbenti Xikrin, traduziu a indignação com o governo federal em razão da votação do marco temporal indígena. “Bolsonaro, o pessoal aqui quer que você vá embora, deixa nós em paz; não quer mexer (sic) na terra indígena dos Xikrin; só mexe na terra dos kaiapó, que assinou o papel pra trabalhar na terra deles. Os Xikrin, deixa em paz”, explicou Nhonkbenti, fazendo alusão ao fato de que lideranças Kaiapó permitiram aceitaram os termos do novo marco.

Nhonkbenti afirma que o povo Xikrin não concorda com diminuição de suas terras/ Foto: Evangelista Rocha
Nhonkbenti afirma que o povo Xikrin não concorda com diminuição de suas terras/ Foto: Evangelista Rocha

O que é?

A crítica das indígenas é direcionada ao governo federal, notadamente ao presidente, porque Bolsonaro (sem partido) defende o chamado marco temporal. Porém, trata-se de uma jurisprudência que pode ser criada a partir de uma ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina contra o povo Xokleng, referente à Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ.

A ação tem repercussão geral, servindo de parâmetro para outras decisões no país e só considerando terra indígena aquelas que estavam sob sua posse quando a Constituição Federal foi promulgada, em 1988.

Para os indígenas, essa tese é injusta por não considerar as violências e expulsões sofridas pelos povos indígenas até 1988. Na prática, isso vai diminuir o tamanho das reservas em todo o país. (Chagas Filho e Evangelista Rocha)

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